O Rodrigo Moita de Deus não tem razão por dois motivos: primeiro, porque desde a sua criação, tanto a Fannie Mae (aliás, Federal National Mortgage Association) como o Freddy Mac (aliás, Federal Home Loan Mortgage Corporation) são exemplos de intervencionismo estatal no sistema financeiro para promover objectivos redistributivos e de engenharia social; segundo, porque numa economia de mercado saudável as falências são uma parte essencial da actividade económica e desempenham um importante mecanismo de sinalização para a alocação dos recursos.
Por outras palavras, nem as falências são, em condições normais, sinal de falhas de mercado nem a Fannie Mae e o Freddy Mac eram empresas privadas a operar em condições normais, mas sim mecanismos de intervenção estatal na economia que fracassaram.
Se a a recente operação federal de tomada de controlo directo da Fannie Mae e do Freddy Mac serve para demonstrar alguma coisa, será como evidência de que o intervencionismo estatal na economia tende a auto-alimentar-se, com os falhanços de intervenções iniciais a servirem de justificação para novas intervenções por parte dos governos.
Esclarecimento importante, mesmo para os “especialistas” de economia que esquecem esses pormenores relevantes.
Mais uma vez, a Administração Bush deiludiu os que esperavam(desejavam) incompetência.
E o comportamento do US$ aí está para demonstrar como a intervenção foi a mais adequada.
Comentário por o sátiro — Setembro 10, 2008 @ 03:24
Caro AAA,
E a Bear Stearns foi o quê? Ou também era um exemplo de “de intervencionismo estatal no sistema financeiro para promover objectivos redistributivos e de engenharia social”?
Comentário por Carlos Duarte — Setembro 10, 2008 @ 09:47
AAA saberá responder por si mas parece-me que o caso do Bear Sterns se enquadra facilmente na segunda parte da justificação dada ou seja, “porque numa economia de mercado saudável as falências são uma parte essencial da actividade económica e desempenham um importante mecanismo de sinalização para a alocação dos recursos.”
Comentário por Diogo Almeida — Setembro 10, 2008 @ 10:07
As falências são o mecanismo pelo qual o capitalismo se mantém saudável.
Intervir no processo de falências é o mecanismo pelo qual o socialismo assegura um capitalismo doente o que conduz a novos tipos de argumentos para novos tipos de intervencionismo.
A Bear Sterns devia ter ido à falência isso faz parte do capitalismo saudável.
Nem a Fannie Mae nem a Freddy Mac deviam sequer existir.
E no final, estes ciclos económicos com grandes bolhas de sobre-investimento e as suas consequências são causados pelo socialismo monetário emanado pelos Bancos Centrais.
Comentário por CN — Setembro 10, 2008 @ 11:02
Caros Diogo Almeida e CN,
Eu concordo (em príncipio) com a não-intervenção estatal nas falências. A minha discórdia com o AAA prende-se com a ideia que “trespassa” o post que a “culpa” da falência da Fannie Mae e da Freddie Mac e subsequente “bail out” têm a ver com o serem organismos semi-públicos, o que é manifestamente falso, como demonstra o caso da Bear Sterns.
O facto de serem públicas e agentes de intervencionismo estatal na economia não têm nada a ver com a decisão – provavelmente errada – de terem sido salvos com dinheiro público.
Comentário por Carlos Duarte — Setembro 10, 2008 @ 12:05
«A minha discórdia com o AAA prende-se com a ideia que “trespassa” o post que a “culpa” da falência da Fannie Mae e da Freddie Mac e subsequente “bail out” têm a ver com o serem organismos semi-públicos, o que é manifestamente falso, como demonstra o caso da Bear Sterns.»
O caso da Bear Sterns não “demonstra” absolutamente nada no que toca à Fannie Mae e Freddie Mac. Apesar da origem dos seus problemas ser a mesma (crise no mercado imobiliário e subsequentes defaults no mercado de hipotecas), as situações específicas são muito diferentes. A Bear Sterns faliu por desvalorização de activos que serviam de garantia à sua dívida, bem como potenciais liabilities nos triliões de dólares em produtos derivados que detia. A Fannie Mae e Freddie Mac sofreram pressões no mercado por serem “avalistas” de hipotecas vistas como provavelmente incobráveis. Além disso, o facto de serem “semi-públicos” não é sem importância. Se o sistema de reservas fraccionais já tem em si mesmo risco elevados, o facto de Fannie Mae e Freddie Mac estarem isentas de cumprir o já de si ridículo nível de 3% reservas torna as coisas ainda piores…
Comentário por Migas — Setembro 10, 2008 @ 13:49
«« A minha discórdia com o AAA prende-se com a ideia que “trespassa” o post que a “culpa” da falência da Fannie Mae e da Freddie Mac e subsequente “bail out” têm a ver com o serem organismos semi-públicos, o que é manifestamente falso, como demonstra o caso da Bear Sterns.»»
Como é que o caso Bear Sterns mostra que a falência da Fannie Mae e da Freddie Mac não têm a ver com sua natureza semi-pública?
Comentário por JoaoMiranda — Setembro 10, 2008 @ 13:53
“E a Bear Stearns foi o quê?”
Caro Carlos Duarte,
Leu o post todo?
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 10, 2008 @ 13:56
“parece-me que o caso do Bear Sterns se enquadra facilmente na segunda parte da justificação dada ou seja, “porque numa economia de mercado saudável as falências são uma parte essencial da actividade económica e desempenham um importante mecanismo de sinalização para a alocação dos recursos.””
Obviamente.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 10, 2008 @ 13:56
“Intervir no processo de falências é o mecanismo pelo qual o socialismo assegura um capitalismo doente o que conduz a novos tipos de argumentos para novos tipos de intervencionismo.
A Bear Sterns devia ter ido à falência isso faz parte do capitalismo saudável.
Nem a Fannie Mae nem a Freddy Mac deviam sequer existir.”
Exacto.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 10, 2008 @ 13:57
“A minha discórdia com o AAA prende-se com a ideia que “trespassa” o post que a “culpa” da falência da Fannie Mae e da Freddie Mac e subsequente “bail out” têm a ver com o serem organismos semi-públicos, o que é manifestamente falso, como demonstra o caso da Bear Sterns.”
Como muito bem aponta o JM, gostava de saber como é que o caso do Bear Sterns pode demonstrar tal coisa…
Mas repito a recomendação ao Carlos Duarte: leia (ou releia) o post todo.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 10, 2008 @ 13:59
É bom que se fale da Fannie e do Freddie para se perceber como a economia dos EUA está bem longe do “ultraliberalismo” e como por vezes é bem parecida com as jogadas Europeias.
The Fannie Mae Gang
http://online.wsj.com/article/SB121677050160675397.html
Is Fannie Mae Toast?
http://www.smartmoney.com/barrons/index.cfm?story=20080311-fannie-mae&
“Poole has long been skeptical — correctly it turns out — of Fannie and Freddie’s ability to serve both God (their social mission of promoting liquidity and affordability) and Mammon (the shareholder and lush management compensation). At Fannie, a generation of Democratic Party insiders, such as James Johnson, Jamie Gorelik and Franklin Raines, made substantial fortunes in Fannie’s executive suite. As Fannie Mae’s top regulator, James Lockhart, pointed out in recent congressional testimony, the absence of debt-market discipline (the government guarantee makes Fannie and Freddie all but impervious to credit downgrades) makes pell-mell growth irresistible to shareholders and managers. Have a hunch, bet a bunch.”
Comentário por lucklucky — Setembro 10, 2008 @ 14:30
Obrigado pelos links.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 10, 2008 @ 14:44
[...] Leitura complementar: Fannie Mae e Freddy Mac: mais dois fracassos do intervencionismo. [...]
Pingback por Fannie Mae e Freddy Mac: mais dois fracassos do intervencionismo (2) « O Insurgente — Setembro 10, 2008 @ 14:50
Caro JM e AAA,
Porque a natureza da Fannie Mae e da Freddie Mac é perfeitamente irrelevante para a situação em que se encontram agora. E a resposta do governo americano – com algumas nuances, certo – foi IDÊNTICA ao caso da Bear Stearns (com a diferença que neste caso tomaram conta absoluta das empresas enquanto no outro caso “subsidiaram” uma compra a preço de saldo por um terceiro).
O problema não foi as empresas serem públicas, foi antes de serem públicas e se comportarem como privadas (à la CGD, já agora).
Comentário por Carlos Duarte — Setembro 10, 2008 @ 17:05
Esse ultimo paragrafo que escreveu fez-me lembrar um texto que escrevi em Julho, quando se começou a falar das intervenções do governo americano na economia. Deixo aqui para o caso de querer ler:
http://oafilhado.blogspot.com/2008/07/um-caminho-sem-retorno.html
abraço
TMR
Comentário por Tiago Moreira Ramalho — Setembro 10, 2008 @ 19:34
[...] Leitura complementar: Fannie Mae e Freddy Mac: mais dois fracassos do intervencionismo. [...]
Pingback por Fannie Mae e Freddy Mac: mais dois fracassos do intervencionismo (3) « O Insurgente — Setembro 10, 2008 @ 21:50
[...] Comentário, Política, Portugal, Teoria — Miguel Botelho Moniz @ 11:19 am Respondendo a este post do André Azevedo Alves, o Rodrigo Moita de Deus escreveu o seguinte: «A existência de um Estado, e de um governo, [...]
Pingback por Os Pressupostos de um Estado « O Insurgente — Setembro 18, 2008 @ 11:20
[...] Alves @ 5:58 pm O Rodrigo Moita de Deus continua a cair no mesmo erro que assinalei aqui e aqui: culpar a economia de mercado pelos problemas gerados pelo intervencionismo estatal, assim como [...]
Pingback por O mito do “sistema totalmente liberalizado” « O Insurgente — Setembro 21, 2008 @ 17:59
[...] que acima se transcreve é o abstract de um paper de 2002 em que se diz que as probabilidades do Fannie Mae e o Freddie Mac falirem era extremamente reduzida. Pois. Os seus autores foram o conhecido e mui aclamado Joseph [...]
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