Como escrevi ontem, Sarah Palin era-me totalmente desconhecida até há alguns dias atrás. Depois de ver o seu discurso de ontem, uma coisa posso dizer: tudo aquilo “funciona”. As “bases” republicanas adoraram a senhora, os grupos anti-aborto deliram com alguém que manteve a gravidez de um filho com Síndroma de Down e cuja filha adolescente, que engravidou, em vez de abortar, vai casar e ter a criança, e o “small town-folk” encontrou alguém com quem se pode identificar, numa eleição em que todos os outros intervenientes (Obama, Biden e McCain) parecem “demasiado elitistas”. Os observadores, em geral, ficaram impressionados: ao ler os comentários ao discurso, na imprensa internacional, encontra-se um consenso quase generalizado de que Palin teve ontem uma excelente prestação. De facto, Palin sabe falar para as televisões e é capaz de gerar entusiasmo junto do eleitorado. Por alguma razão, se vai ouvindo e lendo muita gente a dizer que “nasceu uma estrela”: ao ver Palin falar, e ao ver a reacção de quem a ouve, eu próprio fico com essa ideia. Palin não só poderá ser um auxílio para McCain na conquista de votos para estas eleições, como se vai posicionando para ser uma futura candidata a presidente (se McCain perder, ela estará numa excelente posição para receber o favoritismo do establishment republicano, e se ganhar, a possibilidade muito falada de McCain fazer um só mandato colocá-la-ia como sua herdeira “natural” em 2012). Para perceber isso, o discurso de ontem foi suficiente. Falta saber, no entanto, se o sucesso que Palin parece ser capaz de vir a ter é algo de positivo ou não. Encher estádios e levar a audiências ao delírio não deve ser o critério de avaliação de um político. Ao longo dos próximos meses, Palin terá de mostrar que tudo aquilo que McCain disse dela no dia em que a anunciou como sua parceira eleitoral corresponde ou não à verdade, e que ela não é apenas mais um “político como os outros”.
No entanto, enquanto a histeria (de crítica ou apoio) em torno de Palin vai continuando, talvez fosse bom lembrar que o candidato a presidente é McCain, e que Palin é apenas candidata à vice-presidência: ela é uma novidade, e nas nossas sociedades obcecadas com tudo o que pareça “novo”, é normal que ela atraia atenções. Mas quem deve ser avaliado, acima de todos, são McCain e Obama. As suas escolhas para vice-presidente, acima de tudo, deverão servir como um meio de os avaliar a eles, como um meio de perceber o que eles pretendem dizer acerca de si próprios. E quanto a isso, quanto ao que a escolha de Sarah Palin diz acerca do que McCain parece querer fazer na Casa Branca, disse o que pensava há dias.
“Como escrevi ontem, Sarah Palin era-me totalmente desconhecida até há alguns dias atrás”
É o que dá não ser assinante da Vogue (americana, of course)…
Comentário por Maria Marques — Setembro 4, 2008 @ 22:57
Welcome Back, Dad
By Michael Reagan
I’ve been trying to convince my fellow conservatives that they have been wasting their time in a fruitless quest for a new Ronald Reagan to emerge and lead our party and our nation. I insisted that we’d never see his like again because he was one of a kind.
I was wrong!
Wednesday night I watched the Republican National Convention on television and there, before my very eyes, I saw my Dad reborn; only this time he’s a she.
And what a she!
http://www.realclearpolitics.com/articles/2008/09/welcome_back_dad.html
This is Alaska’s Margaret Thatcher
Oh boy. I don’t know what is going to happen next in the Sarah Palin story, but one thing is now for sure: John McCain has picked an Alaskan Margaret Thatcher to be his running mate.
She spoke for 36 pugnacious, stilleto-heeled, in your face, Barack Obama is a limp-wristed cover boy minutes. She blew the roof off. Sarah Palin has now shaken up a presidential race like no other nominee in modern times.
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/us_and_americas/us_elections/article4671671.ece
Comentário por PalinPower — Setembro 4, 2008 @ 23:37