O Insurgente

Agosto 24, 2008

Sobre a importância dos silêncios, e sobre as incontinências verbais de quem não resiste a um microfone…

Filed under: Política,Portugal — Rodrigo Adão da Fonseca @ 17:41

Repito parte daquilo que escrevi lá em baixo, a meio desta semana:

Há quem ignore que não saturar o espaço público é um dos pressupostos para se conseguir uma comunicação eficiente. Alguém se lembra das propostas de Menezes e Marques Mendes, que não havia dia que não marcassem presença nos media e na televisão? Ganharam alguma coisa falando todos os dias, muitas vezes caindo na inconsistência, por perderem os tempos de reflexão? Alguém, porém, duvida que quando MFL falar, vai ser ouvida com atenção?

13 Comentários »

  1. “Alguém, porém, duvida que quando MFL falar, vai ser ouvida com atenção?”

    Eu!

    E se assim não acontecer desconfio que vai ser tipo Mr Chance…
    .

    Comentário por Mentat — Agosto 24, 2008 @ 18:28

  2. -Mas prolongando o silêncio para lá dum limite razoavel, inflaciona as expectativas. Neste momento está obrigada a um discurso forte, contundente mesmo, na Univ de Verão. Quase aposto que sairá uma desilusão. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, é necessária uma habilidade na gestão dos discursos, algo falta a M.F.L. e o PSD não demonstra há muito tempo.

    Comentário por António de Almeida — Agosto 24, 2008 @ 18:30

  3. Caro RAF

    O contrário de incontinência verbal não é o mutismo.

    Ela não fala mas manda falar.
    E vir pedir a demissão do Ministro da Administração Interna que justa ou injustamente deve ser por agora um dos unicos que demonstrou que “os tem no sitio”, realmente é muito inteligente…
    .

    Comentário por Mentat — Agosto 24, 2008 @ 18:32

  4. Meus caros,
    Quando Menezes ganhou, dei-lhe o benefício da dúvida, até porque simpatizo com a pessoa. Menezes não teve vida fácil, mas perdeu a sua oportunidade, por culpa própria. Errou em momentos decisivos, e isso só a ele lhe é imputável. Não vale a pena escamotear aquilo que salta à vista. O mesmo aconteceu com Mendes e, antes, com Santana Lopes. Todos, os três, cavaram a sua própria sepultura política.
    Neste momento, MFL deve ter o benefício da dúvida. Optou por um período inicial de silêncio, e por não se esgotar diariamente nos media. Isso não significa que a sua performance futura venha a ser boa; agora, nesta fase, o seu silêncio não é preocupante, e até pode ser uma boa forma de ver as coisas (eu, por exemplo, gosto da ideia de um líder que não se esgota, arrastando-se em bitaites).
    Ab
    RAF

    Comentário por raf1973 — Agosto 24, 2008 @ 18:43

  5. “Ela não fala mas manda falar.”

    Só agora li o post anterior do AAA.
    Por isso retrato-me provisoriamente do comentário anterior até perceber se ela disse, se mandou dizer, se disseram que disse, se disseram que mandou dizer, etc.
    Como se vê, não falar nada tem à partida este problema – dá para interpretar os silêncios.
    Já não é do V/tempo mas faz lembrar a expectativa dos discursos do Ramalho Eanes no 25A e no 10J.
    Normalmente a montanha paria um rato…
    Mas eu sinceramente espero estar redondamente enganado e debaixo daquele mutismo se esconder uma cornucópia de ideias salvíficas.
    .

    Comentário por Mentat — Agosto 24, 2008 @ 18:46

  6. ” O mesmo aconteceu com Mendes e, antes, com Santana Lopes. Todos, os três, cavaram a sua própria sepultura política.”

    Excepto a Mendes não dei o beneficio da dúvida a nenhum.
    Mas o único que não cavou a sua própria sepultura política foi Santana.
    A esse armadilharam-lhe totalmente o caminho e assassinaram-no politicamente ao mais alto nivel.
    .

    Comentário por Mentat — Agosto 24, 2008 @ 18:51

  7. Caro Mentat,
    O que diz é parcialmente verdade. Mas houve comportamentos de Santana e dos ministros que lhe eram mais próximos, como Henrique Chaves e sobretudo Gomes da Silva, que ajudaram à festa.

    Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Agosto 24, 2008 @ 18:59

  8. “Mas houve comportamentos de Santana e dos ministros que lhe eram mais próximos, como Henrique Chaves e sobretudo Gomes da Silva, que ajudaram à festa.”

    Caro RAF

    Aponte-me um que se compare ou que ultrapasse a gravidade de:
    - O deserto da Margem Sul
    - O Jamais…
    - A bagunçada dos exames do ano passado com tribunais a mandar repetir exames
    - A diferença de valores dos preços base de empreitadas em relação às propostas.
    - Etc.
    .

    Comentário por Mentat — Agosto 24, 2008 @ 20:00

  9. Para além de existir um ministro que diz que comprar 2 submarinos é um luxo, quando o anterior governo PS em que ele tinha participado tinha encomendado 3 a leasing de 66 anos…
    .

    Comentário por Mentat — Agosto 24, 2008 @ 20:04

  10. Por pudor não falei da ultima do Jamais (referida em baixo pelo AAA), porque gostava que se esquecesse o assunto, porque tenho vergonha que um ministro português tenha aquele tipo de comportamento.
    .

    Comentário por Mentat — Agosto 24, 2008 @ 20:08

  11. Desde que venha, de facto, a falar…

    Comentário por Nuno — Agosto 25, 2008 @ 10:49

  12. Caro Rodrigo,

    o facto é que a tão falada “gestão do silêncio” da líder do PSD e da sua direcção desde que foram eleitos não tem tido os resultados positivos que apregoas neste post.

    Desta gestão do silêncio dos ultimos meses quais foram as ideias que ficaram da actual liderança?
    - a famosa frase de que o casamento tem como fim ultimo a procriação
    - a opinião divergente de MFL e A Borges quanto à CGD
    - a substituição da Assembleia da Republica pelos partidos da oposição como orgão fiscalizador do governo. Os partidos da oposição não servem para apresentar alternativas mas sim para fiscalizar
    - O artigo vazio de propostas e completamente redondo do ultimo fim de semana sobre segurança interna, depois de pedirem a demissão do MAI, posição essa que já valeu a critica de todos os sectores da sociedade civil e partidária.

    Um pouco escassos estes resultados de uma politica de silencio tão bem gerida!

    Vamos esperar pelo dia 7 de Setembro para ver o discurso da reentré. dada a expectiva criada, dificilmente MFL conseguirá estar à altura. Não pela falta de qualidade, mas pelo simples facto de se esperar neste momento depois de tanto silêncio muito se espera

    Em todo o caso vejo aqui alguma nevoa a encobrir uma mente outrora critica, justa e acutilante face ao comentário politico nacional. Alguma razão especial para esta gestão de palavras e opinião?

    Um abraço,

    Carlos Costa Alves

    Comentário por .Carlos Alves — Agosto 25, 2008 @ 17:13

  13. Caro Carlos Alves,
    Não há névoa nenhuma. Agora, em geral gosto de dar espaço aos novos lideres para se afirmarem, merecendo sempre um voto de confiança inicial. Foi assim com Menezes, não não teve na minha pena criticas permaturas, nem uma marcação constante; acontece o mesmo com MFL. Se daqui a uns meses, meter o pé na poça, cá estarei.
    Agora, deixem a nova liderança organizar-se.

    Comentário por RAF — Agosto 26, 2008 @ 10:59


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