É evidente que as conclusões deste post só se aplicam se o assaltante for racional e tiver como único objectivo o roubo. O facto de o sequestro resultar de um assalto a um banco, os reféns não estarem relacionados com os sequestradores, o automóvel estar estacionado à porta do banco para uma fuga rápida e os reféns libertados nas primeiras horas do assalto fazem crer que este tenha sido o caso. Mas estes são apenas sinais exteriores. As únicas pessoas realmente capazes de avaliar as condições psicológicas, a racionalidade e o nível de cansaço dos sequestradores são os negociadores. Isto, claro, se a sua função não for a de colocar os sequestradores a jeito.
Agosto 8, 2008
12 Comentários »
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Caro Carlos,
Como disse num comentário ao post do JM, a função dos negociadores (e já agora, dos restantes polícias) é salvar os reféns, com o mínimo de violência POSSÍVEL. Se os negociadores chegarem à conclusão que os indivíduos não vão ceder ou que representam um risco (devido aos nervos) para os reféns, têm o DEVER de facilitar uma intervenção mais violenta. E isso implica colocar os sequestradores a jeito, mantê-lo distraídos, etc.
Comentário por Carlos Duarte — Agosto 8, 2008 @ 14:56
O incentivo do negociador é matar o assaltante e salvar os reféns, isso não há dúvida.
O facto de actuar de acordo com o incentivo pessoal (dado pelo “clearance” legal do Estado para matar onde mesmo que duvidoso com toda a probabilidade não será julgado por isso) não quer dizer que matar o assaltante seja considerado uma legítima defesa proporcional ao mal causado ou potencialmente a causar.
Isso é que está em causa e o CGP faz muito bem em o realçar.
Comentário por CN — Agosto 8, 2008 @ 15:25
Caro CN,
Quando alguém aponta uma arma à cabeça de um terceiro, existe SEMPRE o risco de esse alguém poder matar. E tem de ser assumido esse risco como tal. Como foi dito noutros sítios, se não pretendiam matar então para quê as armas?
Comentário por Carlos Duarte — Agosto 8, 2008 @ 15:32
Pois, lamentando eu as mortes, há gente que se esquece desse “pormenor”: trata-se de criminosos armados.
É difícil julgar a polícia, quando não temos os dados que permitam chegar a uma conclusão quanto à “bondade” ou “maldade” das suas intenções, nem saber de que tipo de informações dispunham.
Comentário por maverick47 — Agosto 8, 2008 @ 16:02
-A polícia só dispara quando chega á conclusão que não consegue resolver o problema de outra forma. No entanto alguém é responsavel pela análise, a qual é obviamente subjectiva. Ao contrário do que afirma o autor numa resposta a comentário no post anterior, os disparos da polícia não colocam a refém minimamente em risco, estamos a falar de atiradores especiais, munidos de armas com uma enorme precisão, em 100 tiros acertam 100. Para mais não estão em permanente desgaste, são rendidos, e só se colocam em posição de tiro quando surge ordem superior. Em concreto e apenas analisando as imagens, se ontem alguém esteve em perigo, terá sido o 2º refém, porque analisando as imagens os disparos dos snipers deveriam ter sido simultaneos, mas há um primeiro disparo, e apenas dois, três segundos após o 2º disparo, é perceptivel um 3º disparo cujo som é substancialmente mais abafado, presumo que saido do interior do banco, da arma do 2º assaltante (para a polícia? para o refém? reação instantânea, o mais provavel será nunca o sabermos ao certo).
Comentário por António de Almeida — Agosto 8, 2008 @ 18:10
Carlos
Como pode o Carlos ou quem quer que seja imputar racionalidade a um grupo de assaltantes armados que mantiveram horas a fio um cano de uma arma de alto calibre pressionado contra a cabeça de uma funcionária inocente? O que vale para si a vida dessa funcionário que mesmo acidentalmente ontem poderia ter sido assassinada brutalmente? Como se pode jogar com uma suposta racionalidade e capacidade de negociação de reféns em relação a alguém que vive da delinquência, cuja vida própria e de outrém são valores relativos ou inexistentes?
Comentário por PF — Agosto 8, 2008 @ 18:14
Carlos,
não me revejo no post do JM, sou mesmo contra a pena de morte e entristece-me bastante o que aconteceu ontem mas…
1 Equivaler à pena de morte a coisa de ontem parece-me deslocado. Não me recordo de processo, testemunhas, julgamento, etc;
2 lidei muito com armas e durante bastante tempo. A regra de ouro é nunca a apontar a ninguém se não se estiver disposto a usá-la. Seja quem for, em que situação for que aponte uma arma a outro (ainda mais usando o outro como refém) é um alvo legítimo. Ponto.
Comentário por Helder — Agosto 8, 2008 @ 18:19
Hélder,
O ponto 1 não torna mais legítima a opção de ontem.
Em relação ao ponto dois a polícia tinha 3 opções:
1. Deixar fugir os assaltantes com o produto do roubo, perseguindo-os mais tarde, salvando a vida de reféns e assaltantes.
2. Continuar a negociar
3. Assassinar os dois criminosos
Das 3 opções, apenas a que foi tomada garantia a existência de mortes. Mesmo dando de barato que a vida dos reféns é mais importante que a dos sequestradores, é discutível qual a opção, entre a 2 e a 3, que colocaria em maior perigo a vida dos reféns.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Agosto 8, 2008 @ 19:37
Ficámos a saber que só a polícia é que tem uma palavra a dizer no desfecho do caso para alguns, a outra parte não existe e por isso o ónus está na polícia chegando ao ponto de chamar assassínio a um tiro contra alguém, que está a apontar uma arma á cabeça de um inocente… Tenho dificuldade em pensar como se chega a este autismo e nível de argumentação indigente que até reduz o caso a três hipóteses quando existem dezenas ou centenas de outras. A prioridade não é salvar a vida do criminoso, a prioridade á salvar a o inocente do risco em que está. O risco em que está é mais importante que a vida do criminoso. O contrário é demonstrar uma completa uma inversão de valores e prioridades, recompensar o criminoso e instituir um sistema de valores que incentiva a repetição do acto.
Comentário por lucklucky — Agosto 8, 2008 @ 20:50
“Em relação ao ponto dois a polícia tinha 3 opções:
1. Deixar fugir os assaltantes com o produto do roubo, perseguindo-os mais tarde, salvando a vida de reféns e assaltantes.
2. Continuar a negociar
3. Assassinar os dois criminosos”
Absurdo.
Se a polícia deixasse fugir os assaltantes, eles provavelmente levariam consigo os reféns, dizendo que os libertariam depois, o que colocaria ainda mais em risco a vida destes (os sequestradores poderiam assassiná-los, e mesmo que não o fizessem, a perseguição poderia conduzir a um acidente mortal). Isto, para além de se colocar em risco a vida de terceiros (com potenciais trocas de tiros, e logo balas perdidas, à mistura).
Continuar a negociar também não era opção (como a SIC avançou hoje, os criminosos não estavam dispostos a render-se).
Honestamente, parece-me que o CGP está simplesmente a teimar numa ideia comprovadamente errada.
Comentário por maverick47 — Agosto 8, 2008 @ 22:25
Ainda bem que apesar das dificuldades orçamentais, há forças ma PSP que funcionam bem… os atiradores especiais e os negociadores estão de parabéns!
Comentário por caodeguarda — Agosto 8, 2008 @ 22:46
Carlos,
a opção 1) só o seria se os assaltantes aceitassem sair e fugir sem os reféns o que me parece impossível, doutro modo teríamos o piorar da mesma situação. Se fosse possível claro que é a melhor de todas, infelizmente não é.;
quanto à opção 2) concordo mas só poderíamos emitir um juízo acompanhando as negociações, de outra maneira é difícil e não creio que a primeira opção dos negociadores seja pôr os assaltantes a jeito;
a opção 3). Há bastante tempo escrevi um post acerca do caso do inglês que foi julgado e preso porque matou um tipo que lhe assaltou a casa e o esfaqueou. Como escrevi acima: um tipo que aponta uma arma (até pode ser de alarme) a outro é um alvo sem espinhas. Ponto. Mais: um tipo que me ameaçe com uma faca é alvo de uma M60 se eu a tiver á mão. E se não for eu a tê-la que seja um polícia. Nestes assuntos estou com o Rui a. make may day.
Comentário por Helder — Agosto 9, 2008 @ 00:04