Graça Salgueiro, que faz um trabalho admirável e abnegado no seu blogue Nota Latina, postou na noite de ontem o vídeo da operação militar que libertou 15 reféns das Farc, incluindo a inefável Ingrid Betancourt, que tão logo foi solta se mandou para a França onde, depois de tomar banho (acho) e comer brioches, começou a criticar o governo do presidente Uribe. A moça, como se sabe, já se lançou candidata às próximas eleições presidenciais na Colômbia. A mesma mão que afaga é a que apedreja, pois não?
O vídeo está dividido em cinco partes: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5.
Se foi usada a capa de uma missão humanitária (parece que foi, não tenho a certeza) só tenho a dizer que um bem terá sido feito com o mal de muitas situações futuras onde operaçoes humanitárias serão postas em risco sério de credibilidade para mal dos envolvidos.
Comentário por CN — Agosto 7, 2008 @ 00:57
O que eu tinha lida até era que ela apoiava um terceiro mandato para o Uribe
Comentário por Miguel Madeira — Agosto 7, 2008 @ 01:10
“Se foi usada a capa de uma missão humanitária (parece que foi, não tenho a certeza) só tenho a dizer que um bem terá sido feito com o mal de muitas situações futuras onde operaçoes humanitárias serão postas em risco sério de credibilidade para mal dos envolvidos.”
Se não há a certeza disso, então o mal é de quem espalha esse boato, não lhe parece?
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Comentário por Mentat — Agosto 7, 2008 @ 01:50
Caro Mentat,
É óbvio que qualquer miliciano minimamente inteligente passará a ter “cuidado” redobrado com missões humanitárias. E mesmo que não se tratasse desse tipo de situação (encobrimento com símbolos humanitários), uma missão de salvamento do género (pacífica e fazendo os terroristas “de parvos”) será no mínimo irrepetível.
Também não me parece, Bruno Garschagen, que o sr. Uribe tenha encorajado a missão por bondade. Um mínimo de espírito político (que todos temos) desvela as vantagens dessa posição por ele assumida – e que não se reconduzem propriamente à filantropia…
Por isso, que tipo de dever moral prende a sra. Bettencourt a uma fidelidade vassala a quem quer que seja? O governo actual da Colômbia fez o seu papel, nada mais. Ou deveria a sra. Manuela Ferreira Leite renunciar à liderança do PSD, após uma operação de libertação directamente conduzida pelo Primeiro-Ministro, que a retirasse das mãos de uma qualquer organização terrorista?
Comentário por maverick47 — Agosto 7, 2008 @ 03:24
* o smile foi sem sem intenção – deve ler-se: «(pacífica e fazendo os terroristas “de parvos”)»
Comentário por maverick47 — Agosto 7, 2008 @ 03:26
[...] a questão merecia também aqui uma referência. A propósito da libertação de Ingrid Betancourt, Bruno Garschagen diz: A moça, como se sabe, já se lançou candidata às próximas eleições presidenciais na [...]
Pingback por Na blogosfera - a candidatura de Betancourt « bem-vindo à esfera — Agosto 7, 2008 @ 03:42
Parece-me que libertar reféns, alguns dos quais se encontravam há mais de 10 anos em cativeiro é uma missão do mais humanitário que existe.
Comentário por jcd — Agosto 7, 2008 @ 09:34
jcd
As questões de princípio só (por vezes) mal entendidas por vezes à esquerda e a direita (ou direita-liberal, etc) gosta de assumir a sua defesa.
Não vê os enormes problemas humanitários criados para o futuro inclusive de prisioneiros que possam estar há mais tempo no cativeiro?
Por exemplo, acha que os canais diplomáticos devem ser usados para fazer espionagem?
Até pode no curto prazo conseguir obter alguma informação relevante mas o que fará isso para a diplomacia?
Eu sei o que faz: é a anomia (ou anarquia para o uso tradicional da palavra).
È o mesmo com o direito internacional. Passar por cima da soberania para mudar regime produz um bem de curto prazo (bem no caso do Iraque nem isso), mas actuar contra a “Guerra justa” faz as relações entre Estados passarem para o campo da anomia (ou anarquia).
Maximiza-se assim a probabilidade de conflitos em vez de se minimizar.
Se Uribe é conservador, não é uma acto de conservador degenerar procedimentos baseados na confiança da tradição e e costume, julgados como úteis no longo prazo.
Comentário por CN — Agosto 7, 2008 @ 09:54
Caro Carlos
As FARC são uma organização terrorista que não respeita quaisquer leis internacionais ou nacionais. As FARC mantém 600 reféns presos, alguns há mais de 10 anos. Nada resulta nas negociações com as FARC, que usam o célebre método soviético de nunca dar um passo em frente sem dar dois atrás.
As FARC não são um exército regular em guerra com outro exército. As normas de conduta internacionais não se podem aplicar a grupos terroristas. O engano, o engodo, a infiltração e a mentira sempre foram os métodos de actuação das unidades dos serviços secretos em acções anti-terroristas. Os membros da Mossad disfarçavam-se de médicos, de polícias, do que quer que fosse para se conseguirem aproximar dos alvos. Os serviços secretos soviéticoa faziam o mesmo e estavam em toda a Europa com os seus agentes encarnando todas as profissões. Há anos que o Hamas usa as ambulâncias da Cruz Vermelha em acções militares e para transportar armas e agora até chegaram ao poder e não vejo muita gente preocupada com o assunto.
Estamos agora preocupados com o que as FRAC possam fazer porque um helicópetro dizia Ajuda Humanitária e um militar tinha um coleta da Cruz Vermelha? Qual é a diferença? Vão continuar a manter prisioneiros em cativeiro, como antes, porque são os prisioneiros que servem de escudo humano aos campos de coca. Vão continuar a raptar pessoas porque têm um negócio de resgates. Vão continuar a libertar um e a raptar mais 2 em troca.
Na prática, o que estás a sugerir é que métodos de actuação de forças de intervenção “enganosos” podem tornar os maus ainda piores. Sinceramente, acho que já não há muito a piorar e libertar uma dezena de reféns, um dos quais já estava em cativeriro há mais de 10 anos, vale bem o engano.
Comentário por jcd — Agosto 7, 2008 @ 12:01
“Na prática, o que estás a sugerir é que métodos de actuação de forças de intervenção “enganosos” podem tornar os maus ainda piores.”
Não, não é isso. Vai impossibilitar de todo o contacto humanitário em todas as situações , e mesmo em situações compreensíveis do ponto vista neutral (por exemplo, os Kurdos que querem um Estado… e todos os conflitos de género.).
Comentário por CN — Agosto 7, 2008 @ 12:38