Catolicismo e liberalismo. Por Pedro Sette Câmara.
Freqüentemente recebo e-mails perguntando como faço para “conciliar” o fato de ser católico e liberal. Minha resposta é sempre mesma: não faço nada, nunca jamais vi nenhuma incompatibilidade.
(…)
Defendo que não cabe ao governo promover a virtude porque não vejo como pessoas que não são heroicamente virtuosas poderiam fazer isso. Afinal, “o governo” significa “algumas pessoas”. Defendo a ausência de religião estatal, assim como ataco a transformação da política em religião. Acho que a expressão “um mundo melhor” não faz sentido e acredito que neste mundo todo bem é específico, limitado e provisório. Gosto de examinar os artifícios semânticos e retóricos que permitem a elevação do governo a identificar-se com “o bem” numa escala transcendente. Quando eu examino essas minhas atitudes, não vejo aí nada que contradiga os artigos do Credo nem o magistério infalível. Na verdade, acho que o catolicismo reforça essas atitudes, e vice-versa.
Um amigo meu que era do CDS em tempos deu-me a ler uma carrada de enciclicas papais a condenar o liberalismo (incluindo o económico).
Comentário por Miguel Madeira — Agosto 6, 2008 @ 23:51
Há que ― de uma vez por todas ― fazer a distinção entre liberalismo económico e neoliberalismo (Hayek, e Cia Lda); este ultimo é uma ideologia política. O problema do neoliberalismo com o catolicismo existe, na sua essência, e não pode ser escamoteado, entre outras coisas porque o laicismo de estado está paulatinamente a ser transformado pelo neoliberalismo em anti-teísmo.
Quanto ao liberalismo económico, concordo. Trata-se de um modelo económico que tem repercussões políticas mas que não se transforma numa ideologia de Estado.
Comentário por O. Braga — Agosto 7, 2008 @ 02:05
«o laicismo de estado está paulatinamente a ser transformado pelo neoliberalismo em anti-teísmo»
Ena! O estado deve estar cheio de hayekianos e eu ainda não tinha dado por nada.
Comentário por Migas — Agosto 7, 2008 @ 09:50