O ideólogo de Ana Jorge. Poe Vasco Campilho.
Para esta gente, haver bons hospitais privados é mau. Haver liberdade de escolha dos serviços de saúde, é mau. Haver comparticipação pública da despesa de saúde feita em serviços privados, é mau. O que é bom é enterrar dinheiro em hospitais públicos até que os privados desapareçam da face da Terra – porque sim.
“Haver comparticipação pública da despesa de saúde feita em serviços privados, é mau.”
Tem que, no minimo, haver limitações ao tipo de despesas comparticipadas, dado que, ao contrário dos serviços de educação, que são largamente limitados, os serviços de saúde podem atingir um nível quase infindável de sofisticação.
A minha solução preferida não é a comparticipação pública das despesas feitas em serviços privados, e sim uma Conta-Pupança Saúde obrigatória, livremente movimentável pelo seu proprietário.
Comentário por Luís Lavoura — Julho 23, 2008 @ 15:10
“uma Conta-Pupança Saúde obrigatória”
O que é que isso quer dizer?
Comentário por Miguel Madeira — Julho 23, 2008 @ 15:48
A ideia de uma conta poupança saúde é inviável. Tem implícita a ideia de que cada um é capaz de descontar o suficiente para pagar a sua saúde, o que é estatísticamente inviável.
O SNS funciona como um seguro público; a alternativa pode quanto muito passar por um esquema de redução das “comparticipações” do SNS, excluindo certas prestações tidas como commodities no mercado da saúde (por exemplo, curar uma constitpação, ou levar uns pontos num joelho, já não dependem da oferta pública).
Comentário por RAF — Julho 23, 2008 @ 15:55
“uma conta poupança saúde tem implícita a ideia de que cada um é capaz de descontar o suficiente para pagar a sua saúde, o que é estatísticamente inviável”
Sem dúvida. Por isso a conta-poupança saúde tem que ser complementada com contribuições do Estado para as contas-poupança saúde dos cidadãos que têm rendimentos muito baixos, e também com o pagamento pelo Estado de algumas situações de saúde crónicas.
Mas a base do sistema deve ser a conta-poupança saúde. Deve ser recorrendo a ela que o cidadão decide tratar, ou não tratar, um seu problema de saúde. Deve ser também recorrendo a ela que o cidadão decide, eventualmente, constituir um seguro de saúde.
Comentário por Luís Lavoura — Julho 23, 2008 @ 16:36
Miguel Madeira,
o sistema de Conta-Poupança Saúde consiste em cada um ser obrigado a descontar uma parte mínima dos seus rendimentos para uma conta-poupança, a qual só pode ser movimentada para o pagamento de cuidados de saúde a esse cidadão, ou a quem ele queira ajudar. O Estado não paga os cuidados de saúde, a não ser em casos excecionais (por exemplo: cuidados preventivos, doenças crónicas, cuidados com as crianças). Se Você quer ir ao médico, paga do seu bolso recorrendo à sua Conta-Poupança Saúde.
É o sistema de saúde básico de Singapura, onde funciona muito bem.
Comentário por Luís Lavoura — Julho 23, 2008 @ 16:39
Conta poupança saúde ou seguro de saúde, seja o que for que lhe queiram chamar, são ideias óptimas, logo a sua obrigatoriedade é desnecessária. Para aqueles que por motivos financeiros ou de exclusão do mercado de trabalho não possam ou não quisessem participar, teriam acesso a uma safety net por parte do Estado em parceria com eventuais associações beneficentes que lhes facultassem o acesso a estabelecimentos a estabeleciemntos privados e/ou de hospitais de misericórdias ou mutualistas.
A obrigatoriedade só é necessária quando as coisas não funcionam bem. E nesse caso andam as pessoas em função do sistema e não ao contrário.
Comentário por PF — Julho 23, 2008 @ 16:53
“o sistema de Conta-Poupança Saúde consiste em cada um ser obrigado a descontar uma parte mínima dos seus rendimentos para uma conta-poupança, a qual só pode ser movimentada para o pagamento de cuidados de saúde a esse cidadão, ou a quem ele queira ajudar.”
Isso parece reunir o pior do socialismo e do liberalismo. Qual o propósito de essa conta ser obrigatória? Só faz sentido limitar a liberdade de um individuo em nome do bem de outros individuos; num sistema desses, quem eu estava prejudicando por não constituir uma conta saúde?
Se estivessemos a falar, não de uma conta saúde obrigatória, mas de um seguro de saúde obrigatório, aí talvez já tivesse alguma lógica (por eliminar o problema da selecção adversa).
Comentário por Miguel Madeira — Julho 23, 2008 @ 17:19
O propósito de aconta ser obrigatória é obrigar a sociedade, no seu todo, a ter um nível adequado de gastos com a saúde, e impedir que se criem grandes pressões sobre o Estado para que este “salve” as pessoas que não tenham poupado adequadamente.
Se o Estado não obriga as pessoas a poupar, elas não poupam. A consequência de lono prazo é que se criam pressões para que seja o Estado a cobrir os consequentes desastres.
Note-se que as Contas-Poupança Saúde podem ser utilizadas no pagamento de cuidados de saúde a outrem que não o seu proprietário. Eu posso, por exemplo, com a minha Conta-Poupança pagar o internamento da minha mãe idosa que partiu uma perna. Neste sentido, as Contas-Poupança substituem parcialmente os seguros de saúde.
A obrigatoriedade é “socialista”? É. Mas é necessária.
O esquema de Contas-Poupança Saúde é mais liberal do que qualquer outro, porque permite a cada qual decidir, em cada momento, se adquire ou não adquire um determinado cuidado de saúde, e qual o nível de sofisticação do cuidado de saúde que quer adquirir.
Comentário por Luís Lavoura — Julho 23, 2008 @ 17:42
Está bem muito bem como está. Mas de entre as alternativas apresentadas, a menos má é o Estado pagar os tratamentos em privados. Porque assim as coisas saem do OE, o que faz com que não sejam só os rendimentos do trabalho a pagar a saúde.
Comentário por Pedro Sá — Julho 24, 2008 @ 10:02
Isso dos privados depende. Se for na rede de assistência primária (i.e., em vez de centros de saúde, cada qual escolheria o médico que lhe aprouvesse desde que este tivesse um contrato com o SNS), acho muito bem, uma vez que ao contrário do que para aí corre com as listas de espera, o principal problema é na assistência primária. Quanto à assistência hospitalar, continuo a achar um regime de hospitais públicos preferivel, complementado por clínicas privadas. Existiria quando muito um sistema de “vouchers” quando fosse ultrassado um tempo razoável de espera, voucher esse que seria utilizavel em clínicas privadas que tivessem protocolos com o Estado (a cirugia seria paga “à peça” e pela tabela do SNS).
Comentário por Carlos Duarte — Julho 24, 2008 @ 11:53
“Está bem muito bem como está.”
Será que vivemos no mesmo país, Sr. Sá?
Comentário por PF — Julho 24, 2008 @ 14:20