TODOS DIFERENTES, QUASE TODOS IGUAIS. Por Alberto Gonçalves.
Olhar a realidade da Quinta da Fonte implicaria abalar inúmeros mitos que consolam almas e fundamentam políticas. Primeiro, o mito do “multiculturalismo”, de acordo com o qual a humanidade em peso nasceu para se amar e, não fora a apetência discriminatória de alguns “caucasianos” desagradáveis, amar-se-ia sem descanso. Depois, o mito da superioridade moral do pobre, que faz dele uma óptima vítima mas um embaraçoso agressor. Por fim, o mito da habitação dita social, que leva as autarquias a distribuir casas gratuitas a pretexto da “solidariedade” e a troco de votos.
Este amável paternalismo fomenta o exacto caldo que está na origem dos acontecimentos de Loures. De uma retorcida maneira, a culpa é mesmo da sociedade, que enche certas pessoas de direitos e isenta-as de deveres, condenando-as, no mínimo, a uma existência humilhante e desumana. No máximo, empurra-as para a balbúrdia criminosa que é moeda corrente em bairros assim.
À hora em que escrevo, a Quinta da Fonte prossegue o seu quotidiano particular, agora com predominância da população preta, que empunha armas e jura não permitir o regresso dos ciganos. Com o respectivo arsenal bélico guardado nos carros, os ciganos acampam à porta da Câmara de Loures, a queixarem-se de plasmas roubados e a reclamarem residência em local da sua predilecção. Nenhum dos participantes na batalha do passado fim-de-semana ficou detido. Nenhum perdeu os subsídios com que o Estado lhes recompensa a conduta. A governadora civil de Lisboa encerrou o assunto com o anúncio de “estratégias de paz”: uma marcha colectiva e a pintura de um mural. De facto, o principal problema da Quinta da Fonte não é o racismo.
no brasil não existem subsidios nem casas. Talvez o Alberto Gonçalves ache as favelas mais dignificantes e humanas e com taxas de perpetuação da pobreza mínimas, não sei digo eu, quem critica tanto a intervenção deve achar que onde nada se faz e apenas se usa a repressão tudo corre bem melhor.
Comentário por ferro — Julho 22, 2008 @ 22:25