Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico (reproduzido ingralmente no blog Atlântico)
Obama é uma estrela: capa da Men’s Vogue e da Rolling Stone, inicia na próxima semana uma tournée europeia, vindo do Médio Oriente. Estará ao vivo em Berlim, Paris e Londres, onde os seus admiradores terão a possibilidade de o aplaudir (Obama, Obama!). Imaginam que, se for eleito, protagonizará uma revolução política subordinada aos princípios do multiculturalismo, utilizando o poder do Estado para favorecer os negros e outros grupos étnicos e culturais, na guerra ideológica contra a moral puritana. Esperam que regresse à lógica da cooperação institucional internacional, o simulacro de acção para os que não sendo capazes de mostrar competência na difícil e subtil arte da diplomacia preferem substituí-la por despachos burocráticos, lançados do alto da torre de Babel e que o mundo ignora. Acreditam que aumentará drasticamente a provisão de saúde e de outros serviços públicos financiados por impostos, para que a Europa se sinta menos isolada na sua esclerose socialista. Os que têm uma concepção animista do mercado e por esse ou por outro motivo preferem o neo-paganismo ecologista, contam com Obama para presidir às cerimónias políticas à escala global. Se os europeus votassem, Obama já se poderia considerar eleito: numa sondagem realizada na Alemanha, 74% dos inquiridos declararam que se pudessem votariam nele (já ganhou, já ganhou!).(…)
[A]posto que se regressar daqui por um ano à Europa como presidente, Obama será recebido de maneira muito diferente. O Dr. Soares, ou alguém por ele, declarará que, afinal, ‘cometeu erros fatais’, e até, se calhar, que ‘é arrogante, vingativo e unilateral’ –os termos que utilizou para caracterizar o presidente Bush. Obama descobrirá o imperativo da razão de Estado e a esquerda europeia (re)descobrirá que a América permanece a América. Mas tudo a seu tempo.
Jon Stewart, do Daily Show, mostra-nos, com a sua habitual ironia, a ida dos três candidatos à presidência norte-americana à AIPAC (American Israeli Political Activity Committee), a principal representação dos interesses judaicos em Washington. Em suma, John McCain, Hillay Clinton e Barack Obama foram prestar tributo ao lóbi israelita:
Jon Stewart: O virtual candidato republicano John McCain, o virtual nomeado democrata Barack Obama e a PresidenteVirtual Hillay Clinton, foram à conferência da Comissão Israelo-Americana (AIPAC). A AIPAC é o principal grupo de pressão pró-Israel e para um candidato a Presidente é importante fazer uma visitinha e ligar-lhe de vez em quando. Obviamente estes três candidatos são vistos de forma muito diferente pela comunidade judaica. Mccain é visto como um guerreiro no qual se pode confiar. A Senadora Clinton é vista como uma figura política histórica. E Obama, não têm bem a certeza. O gajo é preto? Ou é árabe? Ou é o quê? Não sabem, não fazem ideia.
Barack Obama: Há muito que compreendo o desejo que Israel tem de paz e a necessidade que tem de segurança. Mas isso tornou-se óbvio durante as viagens de que o Lee falou há dois anos quando fui a Israel.
Jon Stewart: Ah, uma visita em pessoa? Um ponto para ele na coluna gimmel. Senadora Clinton?
Hillay Clinton: Desde a minha primeira visita a Israel em 1982, até à mais recente, vi em primeira-mão o que Israel conseguiu.
Jon Stewart (a imitar Hillary): ele (Barack) só lá esteve uma vez! Eu vou lá tanta vez que até tenho cartão de passageira frequente. O McCain vai ver-se à rasca para fazer melhor.
John McCain: Estive recentemente em Jerusalém com o senador Lieberman…
Jon Stewart: Ganhou senador. Mas, sabe, quando se vai a Israel não é preciso levar o nosso próprio judeu. Há lá uma grande variedade por onde escolher. Mas foi um bom toque. Tem um grande amigo que é judeu. Senadora Clinton?
Hillay Clinton: Estar aqui hoje faz-me recordar uma passagem de Isaías…
Jon Stewart: Ena! Ela conhece um judeu da Bíblia.. Conhece-o no sentido bíblico. Senador Obama, tem de matar o jogo…
Barack Obama: Conheci um conselheiro num campo de férias … que era um judeu americano mas tinha vivido em Israel durante uns tempos.
Jon Stewart: O melhor que arranjas é um judeu num campo de férias há 30 anos? Pior do que isso só dizer – “eh, pessoal, uma vez aluguei o filme Yentl”. Bom, mas uma coisa é verdade, grande parte da amizade por um país como Israel é fazer uma crítica construtiva às suas políticas que poderão não ser positivas para o mundo. Portanto vamos ouvir as críticas dos candidatos às actuais políticas de Israel.
Barack Obama: (silêncio).
Hillay Clinton: (silêncio).
John McCain: (silêncio).
Jon Stewart: Ora, esqueci-me. Não se pode dizer nada de crítico sobre Israel quando se quer chegar a Presidente. O que é engraçado, porque, sabem onde é que se pode criticar Israel? Em Israel.
Vídeo legendado em português (5:24 m):
Comentário por Diogo — Julho 18, 2008 @ 11:37
É curioso, como de repente fazem uma cobertura mediática totalmente diferente só porque o Obama está lá.
Há uma revista alemã que o coloca quase com um messias, vejam só.
O que me parte todo é que antes do Obama ter postos os pés no Iraque, a comunicação social portuguesa repetia constantemente que o país estava em chamas destruído pela guerra, pela violência sectária, por __________(insira argumento da treta aqui).
Na RTP, “E realmente a situação melhorou!” com um tom de surpresa. Bastou só o Obama estar lá, que por magia, os EUA já ganharam a guerra no Iraque e já não há violência naquele país. Agora andam a pôr palavras na boca do PM Iraquiano. É mesmo um circo.
Até porque foi ele que teve a ideia de mandar tropas adicionais para o terreno para garantir a segurança…oh wait…
Comentário por CC — Julho 22, 2008 @ 13:37