O Insurgente

Julho 16, 2008

Os apuros de Sócrates

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:47

O aviso de Vítor Constâncio de que a economia vai abrandar este ano vem confirmar o que se adivinhava: A crise está aí e o Eng. Sócrates vai-se ver aflito para aguentar o barco até às eleições de 2009. O grande problema do primeiro-ministro é que se arrisca a terminar o mandato sem mostrar grandes resultados. Tanta celeuma, coragem, alguma agitação social e 4 anos depois o país está na mesma situação que em 2005. O desemprego subiu, o crescimento económico é muito reduzido e o défice das contas públicas acima dos 3% do PIB pode estar de volta com o arrefecimento económico.

Mas há pior: Ao falhar redondamente nos seu objectivos, o Eng. Sócrates retirou ao governo, a qualquer governo, a pouca margem de manobra que ainda tinha com a mexida dos impostos. Até nesta matéria, as opiniões são unânimes ao classificar uma descida de impostos como uma loucura.

A pergunta que fica é saber qual a receita, depois do falhanço desta, que o primeiro-ministro vai apresentar para merecer o segundo mandato.

6 Comentários »

  1. Bela análise. Já agora sugeria a leitura deste artigo de 9 de abril e que diz muito sobre a “qualidade” das previsões do BdP ou do Governo.

    http://diario.iol.pt/economia/portugal-europa-fmi-economia-ministro-pessimismo/938166-1730.html

    Comentário por Diogo Liberal — Julho 16, 2008 @ 14:50

  2. “Tanta celeuma, coragem, alguma agitação social e 4 anos depois o país está na mesma situação que em 2005.”

    Não, está pior. Os outros não ficaram parados.

    “Até nesta matéria, as opiniões são unânimes ao classificar uma descida de impostos como uma loucura.”

    Excepto eu… Não há alternativa a tirar a educação e a saúde do Estado, vender CGD,etc. Passar uma parte das cobrança de IRS para as Câmaras. E cumprir na medida do possível o que já foi acordado históricamente com as pessoas(Reformas, Segurança Social).

    Comentário por lucklucky — Julho 16, 2008 @ 16:10

  3. Resalva: se “classificar uma descida de impostos como uma loucura.” foi contexto em que tudo(competências do Estado) ficam na mesma aí estou de acordo. Mas a inevitável explosão vai se dar mais tarde ou mais cedo.

    Precisão: Os impostos têm de descer para valores mais baixos do que aqueles na Europa de Leste.

    Comentário por lucklucky — Julho 16, 2008 @ 16:14

  4. lucklucky — Julho 16, 2008 @ 4:10 pm

    “tirar a educação e a saúde do Estado”

    O que é que isso quer, exatamente, dizer?

    Quer dizer que o Estado deixa de financiar a educação e a saúde e que, portanto, cada um terá a educação e a saúde que quiser – e, se não quiser, não terá nenhuma?

    Isso seria, a meu ver, completamente desastroso.

    Comentário por Luís Lavoura — Julho 16, 2008 @ 16:16

  5. lucklucky — Julho 16, 2008 @ 4:14 pm

    “Os impostos têm de descer para valores mais baixos do que aqueles na Europa de Leste”

    Porquê a Europa de Leste? Hoje em dia a Europa está já a deslocalizar fábricas para Marrocos e para a Argélia. No futuro deslocalizá-las-á talvez para países mais longínquos. Então, porque motivo não deverão os nossos impostos ser mais baixos do que os desses países? Ou mais baixos do que os do Vietname, do Burkina Faso, ou da Papua Nova Guiné?

    Comentário por Luís Lavoura — Julho 16, 2008 @ 16:19

  6. Quer dizer que passa a haver mercado na Educação e na Saúde.
    Preferencialmente começaria com os chamados cheques educação e saúde. A possibilidade de escolha(DE DISCRIMINAR) encarregar-se-ia de aumentar a qualidade e baixar os custos.
    Sem discriminação não há qualidade de informação na Sociedade. Não há construção de diferentes reputações, essenciais para evoluir escolhendo o caminho certo.

    Impostos: Primeiro considero imoral tirar com a força do Estado 50% do Trabalho de uma pessoa. Mas o mais importante não são as deslocalizações de empresas é reunir as condições para que os Portugueses tenham incentivo para produzir riqueza, e que o Portugal tenha Qualidade de Informação onde as práticas boas são reconhecidas.

    “Ou mais baixos do que os do Vietname, do Burkina Faso, ou da Papua Nova Guiné?”

    Supondo que são menores em % porque não? O ideal seria 0% de impostos e todos da esquerda á direita deviam lutar por isso. Mas como o objectivo é colocar uns contra outros, diminuindo a possibilidade de cooperação voluntária e aumentando a desconfiança social para o poder político conseguir manter o controlo… as coisas são o que são.

    Comentário por lucklucky — Julho 16, 2008 @ 16:56


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