O Insurgente

Julho 11, 2008

Robin Hood dos tempos modernos, ou o videirinho de S. Bento?

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 17:44

A montanha pariu um rato: afinal a “taxa Robin Hood” não passa de uma tributação autónoma sobre as mais-valias apuradas nos activos petrolíferos registados nos balanços das companhias como a GALP. Como se os ganhos com a valorização dos stocks já não fossem tributados em sede de IRC, José Sócrates veio a terreiro lançar um imposto, cuja designação mais não é do que um cliché que remete para o imaginário socialista: o nobre que rouba aos ricos, para distribuir pelos pobrezinhos.

Grande flop, pois a GALP, como empresa cotada que é, e seguindo boas práticas contabilísticas, já baseava num critério consistente a valorização das suas existências nos seus balanços, oferecendo à tributação um ganho que é, obviamente, sujeito a IRC.

A tributação autónoma impede apenas que os ganhos sejam cobertos com eventuais perdas operacionais – o que não é expectável numa empresa com as características da GALP – e eventualmente antecipa a entrada da receita nos cofres do Estado: ou seja, dificulta a tesouraria da GALP.

O que fica de lição é que este Governo não resiste à demagogia de encontrar bodes expiatórios, nem ao facilitismo das proto-medidas mediáticas.

Já nem se fala do que foi a triste figura que o Governo fez no anúncio do benefício fiscal aos veículos eléctricos, que deixou a nu a falta de preparação e de cuidado com que Sócrates e Pinho anunciam medidas. Estudá-las? Avaliar o seu impacto? Isso não interessa, o que importa é ter uma boa “caixa” para a abertura dos noticiários, e encher as páginas de jornais com o habituais sound bytes: “renovável”, “não poluente”, “vanguarda”, “apoio do Estado aos privados que são uns queridos e uns lindos meninos”, “benefício fiscal”, “um posto eléctrico em cada esquina”. Pouco interessa que já haja à venda em Portugal carros eléctricos, que estes não paguem imposto face à lei em vigor, e que o negócio, se fosse viável, não precisaria de apoios do Estado na criação de postos de abastecimento. 

Sócrates vestiu a pele de Robin Hood, mas a sensação que fica é que ele continua, arrogante e decidido, a apontar caminhos rumo a lado nenhum. É só propaganda. Trabalhar, estudar, pensar na coisas, isso pouco interessa ao nosso Engenheiro.

1 Comentário »

  1. Olhe que não, olhe que não…A decisão foi tão certeira que até o Paulo Portas bateu palmas!!

    Comentário por carlos Silva — Julho 11, 2008 @ 21:07


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