O João Miranda foi muito criticado por ter escrito que José Sócrates foi o melhor Primeiro-Ministro dos últimos 15 anos.
Para além de muitas das críticas terem sido francamente injustas (por exemplo pondo em causa a independência do João), creio que os críticos ganhariam em reflectir um pouco mais sobre o conteúdo da afirmação em vez de se ocuparem a aplicar juízos de intenção mais ou menos absurdos ao autor.
Se formos além de sentimentos partidário-clubísticos, é difícil não reconhecer que o actual executivo tem tido um desempenho que compara favoravelmente com o dos executivos anteriores em algumas áreas importantes, com destaque para a consolidação orçamental (ainda que conseguida essencialmente pela sobrecarga fiscal e com duvidosa sustentabilidade).
Num contexto em que os dois principais partidos se posicionam no espaço da social-democracia, um dos grandes problemas do PSD é precisamente que José Sócrates tem sido um razoável Primeiro-Ministro social-democrata. Com o acumular do desgaste da governação socialista e um bom desempenho de Manuela Ferreira Leite talvez o PSD possa aspirar a ganhar as próximas legislativas mas, caso as políticas públicas continuem assentes no mesmo paradigma social-democrata, dificilmente governará melhor do que Sócrates.
Por outro lado, será interessante assistir à evolução das opiniões de muitos dos críticos do João Miranda se porventura José Sócrates vier a liderar um governo do Bloco Central.
Leitura complementar: Sócrates e o contexto político português: o problema mais grave não está no centro-esquerda; O que distingue hoje o PSD do PS ?
Caro AAA,
O problema com o JM (e já agora, o CAA) não é dizerem que o Sócrates foi o melhor primeiro-ministro nos últimos 15 anos (como tive oportunidade de escrever num comentário, a análise não é monolítica em termos temporais), mas antes a convicção (sanha?) que a MFL é igual ou pior que o Sócrates. Que, ainda por cima, tem por fundamento despeito (ganhou o candidato “errado” à liderança do PSD).
Comentário por Carlos Duarte — Julho 11, 2008 @ 09:41
(ainda que conseguida essencialmente pela sobrecarga fiscal e com duvidosa sustentabilidade) pois, mas isto não é um pormenor de somenos. E a Saúde? e a reforma da função publica? e a educação? e tudo? queimou várias oportunidades com pseudo reformas que não serviram para nada. E aquela postura no parlamento é de louvar também? O João gosta do choque, mas para isso já temos o nosso PA.
Comentário por Ricardo Duarte — Julho 11, 2008 @ 10:26
[...] José Sócrates: o melhor Primeiro-Ministro dos últimos 15 anos? André Azevedo Alves, O Insurgente [...]
Pingback por [Análise/opinião] 11 Julho « A Vila de Potemkin — Julho 11, 2008 @ 11:36
Se virmos o panorama político dos últimos 30 anos de esquerdismos vários… não me espanta esse lugar no ranquing… aliás, se conseguir ser re-eleito, poder-se-á equiparar com o sr. silva por inteiro… a mal de Portugal que desde 1974 ainda não teve um governo com pés e cabeça e que governasse de facto…
Comentário por caodeguarda — Julho 11, 2008 @ 11:41
A vantagem de Sócrates não está em ter mérito, que o tem quanto mais não seja em se ter afastado da ala esquerda do seu partido e do guterrismo, mas sim por a ele ter calhado a batata quente de se ver obrigado a fazer algumas reformas inevitáveis, as quais já foram aqui referidas. Contudo, apesar do teatro e dos soundbytes que essas reformas provocam nos media e na oposição folclórica, elas têm sido essencialmente meros remendos, superficiais quanto ao princípio e à consolidação a médio longo prazo.
Por exemplo, no campo da saúde, enquanto não se acabar com o coorporativismo deste sector e deixar de haver preconceitos estúpidos quanto aos estabelecimentos privados, de pouco adiantará encerrar maternidades e pequenos centros de atendimento de urgência, pois a despesa será inevitavelmente deslocada para alternativas que impliquem a despesa pública.
Quanto ao clubismo do outro partido do bloco central, acho incrível como partidos sem coerência nem afirmação ideológica gerem tantas paixões (tanto faz um como o outro) – isto tomando em conta que a “fome de tacho” nem por sombras dá origem a tanto azedume, por quem sois…
Comentário por PF — Julho 11, 2008 @ 15:13
Não como se pode chegar a tal conclusão. O Gov. Sócrates teve mais, muito mais informação do que outros, teve Jornalistas amigos e ainda uma oposição e Presidente que não opuseram resistência alguma. Os resultados são piores porque repetiu a receita de Manuela Ferreira Leite. Resultados a situação continua insustentável, com a demografia em queda, os custos de pensões e saúde em crescendo, dívida publica a aumentar e apenas crescimento a 1%.
Comentário por lucklucky — Julho 11, 2008 @ 19:32
Concordo plenamente… O facilitismo na critica depreciativa a Socrates chega a tornar-se absurda. Portugal estava precisar de um lider assim, alguem com coragem e poder de decisao. Socrates fez o que provavelmente ninguem faria. Espero ver uma nova vitoria em 2009
Comentário por Filipe — Agosto 21, 2008 @ 02:24