O Insurgente

Julho 10, 2008

Uma terra sem comunismo

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:07

O Filipe Moura fala de arrendamento em termos teóricos. E quando diz que o arrendamento deve ser desencorajado, fala por si e para si, sem saber da existência de muitas pessoas a quem arrendar casa pode ser uma benesse. Mas como o Filipe parece saber mais da vida de todos que cada um de nós sabe da sua, sugiro que analisemos um dos múltiplos exemplos da vida diária:

Vamos imaginar que António é solteiro, começou a trabalhar e comprou uma casa para viver. Algo pequeno, com duas assoalhadas apenas. Ele preferia ter arrendado uma casa porque a sua situação não era definitiva: Podia, a qualquer momento, encontrar alguém, casar e mudar de vida. Podia até mudar de emprego e de cidade. Tal não foi, no entanto, possível, porque (e para grande satisfação do Filipe Moura) o mercado do arrendamento foi desencorajado. De tal maneira desencorajado que até os interessados deixaram de ter nele qualquer interesse.

Entretanto, António conhece uma rapariga, casa com ela e decidem comprar uma casa maior que seja dos dois: Uma casinha com 3 assoalhadas. António não vende a casa anterior por variadíssimas razões (não encontra a tempo um comprador, não quer entrar com mais dinheiro que a sua noiva na casa nova, etc.). Tudo razões legítimas e que não dizem respeito a terceiros.

Como ninguém lhe quer comprar a casa a um preço que não implique, para si, um forte prejuízo (a crise no imobiliário está aí), o António decide arrendar a casa. Um explorador no entendimento do Filipe. Imediatamente, alguém sabendo da ideia do António, o avisa para o perigo de arrendar a casa a um desconhecido. O perigo que é não saber se esse inquilino vai honrar o seu compromisso de pagar a renda a tempo e horas. Esta situação torna-se causa para preocupações, principalmente porque, caso o inquilino não pague, o António pouco pode fazer que não seja recorrer as tribunais e aguardar vários anos por uma sentença. Entretanto, a sua casa está ocupada por alguém que o prejudica impunemente todos os meses.

Antes do Filipe falar de teorias, devia atender aos casos concretos. Aos problemas humanos que existem nestas situações que são em muito maior número que ele julga. Bem sei que o Filipe prefere manter a mesma tónica do ataque ao proprietário: Tal qual o ‘patrão’, este é uma pessoa má. Com mau fundo. Um explorador. Só que o Filipe já devia ter percebido que o mundo, a vida, não é assim tão simples. E que também o comunismo foi uma vergonha que caiu sobre os homens.

6 Comentários »

  1. “decidem comprar uma casa maior que seja dos dois”

    Grande erro!!! Não te metas nessa António!!!

    Uma pessoa nunca, mas nunca, deve comprar algo a meias com outra. Isso a longo (ou às vezes até a curto) prazo é uma fonte de chatices horrorosas.

    Tenho um primo que ficou endividado até aos cabelos, e a pensar em suicidar-se, por causa dessa asneira de ter a casa a meias com a esposa. A esposa divorciou-se e pediu-lhe metade do valor da casa. O tipo teve que pedir emprestado ao banco para lhe pagar uma casa para a qual ela não tinha dado nem um chavo.

    Comentário por Luís Lavoura — Julho 10, 2008 @ 12:11

  2. André, a história que contas é bem real ;)

    Comentário por CMF — Julho 10, 2008 @ 12:25

  3. qualquer indignidade ao homem é uma vergonha para os homens

    Comentário por ferro — Julho 10, 2008 @ 12:35

  4. Vou cobrar direitos de autor sobre metade do post! :twisted:

    É bem verdade e acho que excepto por má fé (que dúvido) ou uma espécie de fanatismo ideológico é que o Filipe Moura se recusa a ver as coisas como são.

    Com hoje estar num de dar no cravo e na ferradura:

    O comentário anterior ao fanatismo ideológico também se aplica a alguns escritos “liberais” da nossa praça, que se baseiam em papéis teóricos escritos por funcinários públicos austriacos e não na realidade do terreno. Os tipos até tinham (e têm) razão em muita coisa, mas aquilo não é Sagrada Escritura…

    Comentário por Carlos Duarte — Julho 10, 2008 @ 14:01

  5. Quer-me cá parecer qur o Filipe Moura é pura e simplesmente contra a propriedade privada! Não concordo em nada com essa ideia e menos ainda com os preconceitos que o Filipe demonstra.

    Declaração de interesses: Sou um cidadão canhoto ideologicamente

    Comentário por Nuno — Julho 10, 2008 @ 15:06

  6. [...] último ‘Descubra as Diferenças’, o Henrique Raposo referiu, como já por diversas vezes foi mencionado aqui no Insurgente, que é indispensável flexibilizar as leis laboral e do [...]

    Pingback por A pedra de toque « O Insurgente — Maio 5, 2009 @ 12:24


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