O Insurgente

Julho 5, 2008

Sobre o museu Salazar

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — Michael Seufert @ 13:36

A construção de um museu para colocar em exposição a vida de um ditador de tempos idos não seria questão de relevo em qualquer país dessa vasta Europa. No nosso caso, e tendo em conta a figura sensaborona do ditador em causa, a questão poderia passar-nos perfeitamente ao lado. Mas quando falamos do Museu Salazar falamos de Portugal. E cá costuma ser assim: depois de um dizer Salazar, logo outros atiram uns chavões anti-fascistas, cantam Zeca Afonso, e insurgem-se contra os perigos de uma ditadura extinta há mais de 30 anos, perdidos no sonho de um PREC de que nunca acordaram. E não tardam a aparecer uns imberbes de cabeça rapada que, articulando com dificuldade as poucas palavras que dominam, gritam bem alto o ideal de um país que é só deles, fazendo a apologia do bolorento e atroz Estado Novo e do seu líder.

O sempre pertinente Tiago Loureiro no Papel-Pedra-Tesoura. De recordar, no entanto, que os alemães têm um problema parecido.

10 Comentários »

  1. -Poderia ser pior, alguém poderia lembrar-se de fazer um museu “Alvaro Cunhal”, em homenagem a quem tendo lutado para instaurar em Portugal uma ditadura marxista, fracassou.

    Comentário por António de Almeida — Julho 5, 2008 @ 13:41

  2. A história do homenzinho que cortou a cabeça ao Hitler tem uma certa piada, pela ironia da situação.
    No entanto, não me parece que os alemães ainda pensem que o nazismo pode voltar ao seu país, ao contrário de Portugal que pelos vistos ainda muita gente pensa que o fascismo pode regressar.
    Para as gerações mais novas, este discurso dos anti fascistas de “cuidado ele pode voltar” não faz muito sentido. E

    Comentário por Daniela Major — Julho 5, 2008 @ 17:53

  3. Acho que no entanto um museu a Cunhal seria mais merecido, apesar de concordar que tentou impôr cá uma ditadura marxista, mas mais importante do que isso, ajudou a tirar Salazar do poder. Limitou-se a seguir o seu partido, revolucionário e não reformista, mas em Abril esteve defacto mal. A mim não me passa ao lado a questão do museu a um ditador! Nem pode passar, é demasiado escandaloso para passar! Nunca senti a ditadura na pele, mas sinto uma grande vontade de a rebaixar. Lembro todos os dias o 25 de Abril e este museu representa tudo menos a liberdade!

    Comentário por Rui Moreira — Julho 5, 2008 @ 22:32

  4. Pelo menos , va la , nao e em lisboa….

    Comentário por Maria — Julho 6, 2008 @ 00:53

  5. Os imberbes que fazem a “apologia do bolorento e atroz Estado Novo e seu líder” não sabem o que estão a defender, pois o ideário do Estado Novo e de Salazar em muito pouco vai ao encontro das cartilhas neonazis que por aí pululam na maior parte das vezes entre miudagem com fracos conhecimentos de política e com pouco miolo.
    De ambos os lados da barricada comete-se um erro um tanto ou quanto pueril e incongruente: um museu não tem de ser nenhum panfleto contra ou a favor coisíssima nenhuma. Não é essa a sua função. Não tem de defender liberdade, nem de representar nenhum ideário. Um museu biográfico é algo que já se impunha em relação a um homem que para o bem e para o mal governou 40 anos o País, e a iniciativa da câmara de Santa Comba Dão faz todo o sentido.
    Os visitantes que façam o seu juízo dos factos históricos, quer no museu sobre Hitler e o III Reich quer no de Salazar. Não obstante serem personagens e ideários muito diferentes entre si.
    Agora é significativo as vozes silenciadoras e proibicionistas virem sempre do mesmo sector… Quem não deve não teme, e eles pelos vistos temem tanto que até nojo metem.

    Comentário por PF — Julho 6, 2008 @ 01:07

  6. “Agora é significativo as vozes silenciadoras e proibicionistas virem sempre do mesmo sector… Quem não deve não teme, e eles pelos vistos temem tanto que até nojo metem.”

    Exacto. Excelente observação…

    Comentário por André Azevedo Alves — Julho 6, 2008 @ 02:17

  7. “Acho que no entanto um museu a Cunhal seria mais merecido”

    Já existe. Todos os anos em inícios de Setembro na Quinta da Atalaia, no Seixal.

    Comentário por Bargeld — Julho 6, 2008 @ 12:18

  8. Museu Salazar: façam-no porra!

    Comentário por Miles — Julho 6, 2008 @ 23:21

  9. “De ambos os lados da barricada comete-se um erro um tanto ou quanto pueril e incongruente: um museu não tem de ser nenhum panfleto contra ou a favor coisíssima nenhuma. Não é essa a sua função. Não tem de defender liberdade, nem de representar nenhum ideário. ”

    Nao posso estar mais de acordo.E isso mesmo , um museu pode muito bem ser tambem e apenas, uma maneira de passar o tempo que e como sabemos absolutamente indiferente a tudo o que se passa na nossa vida, seja a direita ou a esquerda, talvez por isso tenha sido boa ideia a homenagem em santa comba que e afinal a terra de salazar e onde sem duvida pertence tal museu.
    Neste caso parece-me, tudo acabara bem e tudo ficara no seu devido lugar…

    Comentário por Maria — Julho 7, 2008 @ 06:14

  10. Façam lá o museu e metam os fascistas a gastar dinheiro em Santa Comba Dão. O povo havia de ganhar alguma coisa à conta do Salazar, finalmente.

    Comentário por Pedro Sá — Julho 7, 2008 @ 10:36


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