A insustentável leveza da direita. Por Rui Ramos.
O monumental silêncio de Manuela Ferreira Leite durante o bloqueio dos camionistas já fez falar muita gente. A maioria dispôs-se a atribuí-lo a calculismo politiqueiro. E se fosse pior? E se o PSD tivesse estado calado pela simples razão de não saber que dizer?
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O objectivo dos novos líderes da direita é bastante claro: querem fazer uma oposição sectorial, confinada aos “dossiers”, de formiguinha. Daí Ferreira Leite não ter opinião sobre o TGV, porque não estudou o “dossier”. E daí também o CDS já andar a competir com o PCP pelo estatuto de grupo parlamentar mais “produtivo”. Assim podem mostrar “trabalho”, sem os riscos de um confronto de princípios. No fundo, os líderes do CDS e do PSD querem poupar-se, esperando que Sócrates se gaste sozinho, consumido pela “crise” e pelas zangas com o PCP e o BE. Para ajudar, o PSD até já pendurou à janela as bandeirinhas da esquerda: ei-lo também com dores “sociais” e a exigir “diálogo”. Que importa se a estratégia comprometer o ambiente favorável às chamadas “reformas estruturais”? O fundamental é chegar ao governo. Porque, como lembram os donos do PSD com uma inesperada candura, é a única maneira de resolver os “problemas” — do partido.
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O caso do PSD e do CDS começa a ser grave: é que já é a segunda vez que os seus dirigentes se enganam. Em 2002, apesar dos artigos do Prof. Cavaco Silva sobre o “monstro”, chegaram ao governo a prometer baixar impostos. Só depois descobriram a “tanga”, mas sem ainda então compreenderem que havia margem para ousadias reformistas. O resultado foi entregarem não só o governo, mas a causa das reformas ao PS. Desde 2005, muita gente tem dito que os problemas do país são “estruturais”, mas os líderes da direita nunca tiraram as devidas conclusões, nomeadamente a necessidade de desenvolver um projecto alternativo ao do actual governo. O resultado foi entregaram não só a direcção da oposição, mas os termos do debate político, ao PCP e ao BE.
Há cerca de cem anos, com o país num impasse tão sério como o de hoje, Carlos Lobo de Ávila costumava dizer que era preciso, quando viesse a “grande vassourada”, estar do lado do cabo. Desconfio que não é desse lado que vamos ver os actuais donos do CDS e do PSD.
Muito bem!
Comentário por Rui Moreira — Junho 27, 2008 @ 00:09