Desta vez, Matemática do 12º ano:
Estudantes do 12.º ano consideram que prova foi básica e muito simples.
“O exame era bastante fácil”… “Fiz os exames dos outros anos, para estudar, e achei este muito mais fácil”… “O exame era bastante básico, mas depois vamos ver o resultado final”… “Nem imaginas, era super fácil”… “Era mais fácil até que os testes que os professores nos deram ao longo do ano”.
Faz-me lembrar o outro: à beira do abismo, demos um passo em frente…
Escrevi isso ontem…
quote,
Tenho aqui os exames de Matemática A e B – 12º ano, de 2008.
Aconteceram, hoje, três coisas em linha com o que era expectável:
- o exame era muito acessível; houve uma questão oferecida (a 5, que, em suma, pedia ao examinando que calculasse uma área que a sua calculadora poderia facultar-lhe com dois cliques) e várias outras de resolução bastante rudimentar. Sei ainda que os critérios de correcção deste ano são mais lenientes do que os de anteriores épocas. Vantagem estatística… ou tapar o sol com uma peneira, dando por penhor a literacia de gerações futuras num Estado onde servir à mesa valerá qualquer dia (novamente, desculpem) o mesmo reconhecimento do que seccionar corações, projectar aeronaves, ou desenvolver investigação laboratorial.
- as dificuldades sentidas pelos examinandos foram quase as mesmas, quantitativamente face à amostra que compareceu hoje, que teriam sido nos anos transactos; descobre-se agora com perplexidade entre as hostes da DREL e afins que os putos, além de ficarem bloqueados por não serem capazes de descodificar um enunciado escrito na mais básica, directa e rectangular expressão da língua materna, também se atrofiam (intimidam) face às diferenças entre as questões que compõem o exame e aquilo que viram durante o ano inteiro; ou seja, o velho quadradinho da “adaptabilidade a novas situações” desapareceu, talvez porque os responsáveis pelo ensino não sabem o que são novas situações, já que não saem dos gabinetes há vinte anos.
- o pessoal vai todo para economia, gestão, contabilidade ou cursos de belas-artes. Para depois poderem trabalhar num banco a ganhar 450 euros e a apanhar as sobras das cunhas dos tios. Mas isto até faz algum sentido, uma espécie de nexo perverso: não se valoriza, neste país, o rigor, o conhecimento, as práticas de apuramento da “boa” verdade enquanto única garantia da liberdade de pensamento e de um Estado de Direito. Em vez disso, preza-se o chico-espertismo, a mediocridade e a celeridade na obtenção de méritos aparentes, em prol da manutenção do statu quo – o reino dos pobres de espírito.
Benditos.
Com isto tudo esqueci-me de falar sobre o exame de Matemática B.
Vou ser breve porque tenho um Bombay com tónica a aquecer.
Questão do II grupo: o período de certo satélite é dado por 24/sen(q) sendo q o ângulo tal, tal. Tendo em conta esta expressão prove que o período deste satélite sobre o pólo norte é igual a 24.
E depois em letras bem visíveis: “tenha em conta que no pólo norte o ângulo q é de 90º”…
Ou seja, “ganhe 10 pontos pegando neste valor que lhe damos, 90, e substituindo na expressão dada”.
E não é que por mais que tente abstrair-me, só consigo pensar naqueles Estados totalitários, à esquerda e à direita e ao centro-sul mais o raio que os parta, onde o auge da proficiência era chegar a ministro de qualquer coisa?
End quote…
Comentário por FMS — Junho 24, 2008 @ 13:50
-Não tarda muito com este grau de exigência veremos os cursos da UNI equiparados a doutoramento.
Comentário por António de Almeida — Junho 24, 2008 @ 15:20
A primeira pergunta do exame do 12º é similar à primeira pergunta do exame do 9º.
Aqui http://tonibler.blogspot.com/2008/06/o-crime-da-maria-de-lurdes-2.html
Comentário por Tonibler — Junho 24, 2008 @ 15:37
O esvaziamento dos exames é um ataque da burocracia do Ministério mais Soviético do país á de avaliação.
Comentário por lucklucky — Junho 24, 2008 @ 20:41
É muito triste a forma ridícula como do enunciado de um exame se pretendem tirar conclusões sobre a exigência do ensino. Não faz simplesmente qualquer sentido.
Comentário por Pedro Sá — Junho 25, 2008 @ 10:08
[...] Leitura complementar: Mais um problema estatístico em vias de resolução; Mais um problema estatístico resolvido; Mais um problema estatístico resolvido (II); Mais um problema estatístico resolvido (já lhes perdi a conta). [...]
Pingback por Estratégia socialista para o sucesso estatístico « O Insurgente — Setembro 9, 2008 @ 16:34