O regime. Por Pedro Santana Lopes.
Como já o disse de tantos outros. Porque não? Só não digo que foram merecidas todas as condecorações atribuídas por Jorge Sampaio, nas últimas semanas de Presidência, porque é impossível seguir toda a lista de actores, empresários, autarcas, colaboradores seus na Câmara de Lisboa, estilistas, mandatários seus, gestores, jornalistas, dirigentes de associações, cabeleireiros, tantos, tantos. De qualquer modo não fui nada disso nos seus mandatos. Fui autarca, Presidente de duas Câmaras Municipais, uma a da capital do País, mas já não era. Exerci o cargo de Primeiro – Ministro mas tinha sido pouco tempo antes. Se calhar foi por isso. Mas, mais do que eu, quantos haverá, em tantas áreas de actividade, que não são reconhecidos.
Não é que interesse muito ou que interesse pouco e que não saibamos todos quanto, infelizmente, essas situações estão desvalorizadas. Interessam cada vez menos. Quem já seguiu por perto o modo de atribuição, por exemplo, em visitas oficiais, sabe o que significam essas realidades. Só merece algumas palavras pelo que representa quanto ao funcionamento deste regime. Acreditem: distinções destas não são para qualquer um, mesmo para quem esteja nas mesmas ou em melhores condições. É para quem é. E não temos nada com isso.