O Insurgente

Junho 3, 2008

Post hoc ergo propter hoc (2)

Arquivar em: Comentário, Economia, Política, Portugal, Religião, Teoria — André Azevedo Alves @ 23:11

Joaquim Sá Couto descreveu muito bem a aplicação da falácia ao SNS e à integração na União Europeia, mas há casos ainda mais flagrantes. Em Portugal, dois desses casos são o “25 de Abril” e a “democracia” que dele resultou.

No caso do SNS e da UE, há pelo menos uma variedade relativamente ampla de argumentos mais ou menos directos que seria possível invocar para tentar sustentar a relação que é reduzida à fórmula post hoc ergo propter hoc. Já quanto ao 25 de Abril de 1974 e ao regime que daí resultou, são-lhes atribuídos efeitos que raiam o absurdo (veja-se, a título de exemplo, estes textos de Rui Tavares e Fernanda Câncio).

Desde a diminuição da mortalidade infantil à electricidade, passando pela água canalizada e pelas casas de banho, praticamente todos os melhoramentos do nível de vida nas última quatro décadas são atribuídos às propriedades místicas do “25 de Abril” ou da “democracia”.

Não creio que a predomínio quase hegemónico da esquerda nos media e no sistema de ensino chegue para explicar o fenómeno. Até porque estou convencido que muitos dos que reproduzem estas ideias estão genuinamente convencidos daquilo que escrevem. Será talvez uma ilustração do apelo da mitologia ou, alternativamente, da persistência da fé revolucionária.

2 Comentários »

  1. Por muito que lhe custe, o Rui Tavares e a Fernanda Câncio têm razão. Só erra o RT quando diz que o SNS é conquista do PREC, quando foi criado em 1978.

    Comentário por Pedro Sá — Junho 4, 2008 @ 09:35

  2. “Por muito que lhe custe, o Rui Tavares e a Fernanda Câncio têm razão.”

    Se o Pedro Sá diz, deve ser verdade…

    Comentário por André Azevedo Alves — Junho 4, 2008 @ 13:49


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