Com a subida do preço do petróleo têm sido muitas as pressões para que o governo desça o imposto sobre os combustíveis. A tentação é grande e vista como uma fácil maneira de atenuar a subida dos preços. No entanto, é preciso ter em atenção que, a maioria das vezes, decisões fáceis não são solução e escondem perigos ainda mais danosos que a subida do preço dos combustíveis.
Não são solução, porque o preço do petróleo vai continuar a subir anulando qualquer descida dos impostos. Ou seja, a médio e longo prazo a medida é inútil.
É perigosa, porque a economia portuguesa parou de crescer, ao contrário do que sucede com a despesa pública. Assim sendo, o défice das contas públicas vai voltar à ordem do dia, ameaçando com inflação e mais desemprego. Vai obrigar que o Estado continue a onerar os cidadãos com mais impostos, sugando-lhes os rendimentos e a capacidade de iniciativa.
Uma descida dos impostos que não implique, antes de mais nada, uma redução da despesa pública só vem piorar a situação complicada em que o país se encontra. Estamos num momento em que não há margem para choques fiscais, descida acentuada das receitas. Não há, não deve haver, lugar a populismos. A urgência está toda na redução da despesa do Estado.
É nos gastos que um futuro governo de direita deve começar. Forçando a redução da despesa, a supérflua e a estrutural, até ter espaço de manobra para baixar impostos sem que isso prejudique as pessoas.
Um governo que queira reformar verdadeiramente, queira tirar o país do círculo vicioso em que se encontra não o irá conseguir indo pelo caminho mais fácil. As pessoas não são autómatos que começam a produzir riqueza apenas porque a carga fiscal é menor. Elas precisam de sentir, de saber, que não há um monstro a espreitar por cima das suas cabeças, pronto a mudar as regras e a cair-lhes em cima a qualquer momento.
É sempre possível melhorar a estrutura tributária (embora não seja fácil), mas sem dúvida que a atenção e a pedagogia deverá incidir sobre a redução da despesa e é nisso que se deve tentar centrar a discussão pública.
Comentário por HO — Junho 2, 2008 @ 13:56
A descida de impostos esconde muitos perigos, nisso estamos todos de acordo, mas existem muitas soluções para atenuar os maleficios que apresenta a subida dos combustíveis. Que se nada for feito, iremos em breve ter muita fome em milhares de lares Portugueses, pois se até agora se tem controlado a inflacção, não será posssível por muito mais mantê-la neste niveis baixos.
A redução da despesa publica é fácil de pedir para quem não governa um país, pois se mesmo este governo, com uma maioria, não o consegue fazer, muito devido aos interesses e poderes instalados, como será possível a direita podre, decadente e alguma dela até populista, que existe no nosso espaço partidário enfrentar essas forças e diminuir a despesa publica, e ao mesmo tempo, não levar o país para um estado de miséria que poderia rebentar em uma violência incontrolável?
Comentário por Daniel — Junho 2, 2008 @ 21:44
Tem sido demasiado fácil a forma como o Governo aumentou a cobrança de impostos.
Se olharmos para o orçamento de Estado para 2008 verificamos que o preço de crude era muito inferior aos 130US$ por barril e que o total cobrado de ISP para 2008 muito inferior ao que se vai verificar no fim do ano. E isto sem falar do IVA. E este acréscimo de receita, como é habitual quando se trata de dinheiro mal ganho, vai ser mal gasto. Entrtanto o poder de compra dos portugueses definha, a economia definha, o emprego definha, etc., e os grupos económicos, obras, etc., onde o dinheiro vai ser mal gasto progridem.
Comentário por Luis Ribeiro — Junho 3, 2008 @ 16:57
[...] Portugal, Teoria — André Azevedo Alves @ 2:16 pm Estou genericamente de acordo com este post do André Abrantes Amaral (ver também este outro no Blogue da Atlântico), mas parece-me oportuno salientar que o maior [...]
Pingback por Reduzir a despesa e reduzir os impostos « O Insurgente — Junho 4, 2008 @ 14:18
reduzam a despesa, coloquem impostos sobre os lucros escandalosos das petroliferas, no minimo para manter o preço do gasoleo igual ao da espanha e a gasolina com uma diferença minima que não encorage encher o tanque em espanha.vão ver que o fisco fica a ganhar, assim como as empresas portuguesas e os portugueses.este é o choque necessario á economia portuguesa.vejam quanto ganha o cavaco nas suas 4 reformas e impostem todos os catolicos, opus dei,e etcs.com ordenados e reformas milionarias que ganham acima do cavaco( + de 20000 euros mês).olhem bem para o preço do gasoleo em primeiro lugar e só depois ás gasolinas, pois há o perigo com o petroleo a 200 dolares isto ainda acabar tudo á estalada…
Comentário por josé santos — Junho 6, 2008 @ 23:19