O Insurgente

Maio 23, 2008

A homossexualidade na Conservapedia

Filed under: Comentário,Cultura,Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 20:36

A intenção deste post é relativamente clara, mas suspeito que a preguiça intelectual da esquerda politicamente correcta é tanta que o João Galamba nem se dá conta de que as mesmas estatísticas podem facilmente (e talvez mais razoavelmente) ter outra leitura: o discurso politicamente correcto sobre a homossexualidade e o lobby LGBT tornou-se de tal forma hegemónico que favorece a popularidade do tema numa fonte alternativa como a Conservapedia.

  1. Homosexuality‎ [3,105,939]
  2. Main Page‎ [2,707,253]
  3. Wikipedia‎ [403,018]
  4. Homosexual Agenda‎ [333,690]
  5. Arguments Against Homosexuality‎ [333,298]
  6. Ex-homosexuals‎ [318,119]
  7. Homosexuality and choice‎ [312,444]
  8. Federal Bureau of Investigation‎ [300,877]
  9. Examples of Bias in Wikipedia‎ [298,395]
  10. Homosexuality and Health‎ [293,338]

8 Comentários »

  1. André, pelo mesmo prisma o que impede os seguintes argumentos de serem válidos:

    A) O discurso anti-americano politicamente correcto e o sentimento anti-Israel tornaram-se de tal forma hegemónicos que favorecem a popularidade dos pro-americanos numa fonte alternativa como a Conservapedia.

    B) O discurso politicamente correcto sobre o ambientalismo e as energias renováveis tornou-se de tal forma hegemónico que favorece a popularidade dos críticos do aquecimento global numa fonte alternativa como a Conservapedia.

    C) O discurso politicamente correcto sobre a economia dirigida pelo estado tornou-se de tal forma hegemónico que favorece a popularidade do market-liberalism numa fonte alternativa como a Conservapedia.

    Em suma, sem querer falsear o teu argumento inicial, pergunto quais as causas do sucesso de um determinado assunto sobre os restantes, sendo que o mecanismo que descreves é válido para outros competitors.

    Comentário por Filipe Melo Sousa — Maio 23, 2008 @ 22:15

  2. Do naipe de causas fracturantes, os direitos dos gays ainda é o assunto político em que a generalidade dos eleitores é conservadora. É, pois, com naturalidade que vejo a Conservapedia a capitalizar a estranheza e o medo com que a maioria das pessoas encara a homossexualidade, bem como a aparente sintonia que existe entre o discurso conservador e as opiniões do grosso do eleitorado.

    Por outras palavras, os resultados noticiados pelo João Galamba são tão só sintoma de que os conservadores precisam mais dessa causa fracturante do que a esquerda.

    Comentário por José Barros — Maio 23, 2008 @ 23:02

  3. “André, pelo mesmo prisma o que impede os seguintes argumentos de serem válidos:”

    Até certo ponto talvez, mas não creio que sejam situações equivalentes.

    A e C estão – felizmente – longe de serem hegemónicos nos EUA.

    O caso B é o único que pode ser considerado aproximado mas creio que – tirando uma minoria de eco-fanáticos – tende a não haver uma acção tão vincada no sentido de silenciar quem ponha em causa essa agenda como acontece com quem se oponha ao lobby LGBT.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 24, 2008 @ 00:24

  4. fonte alternativa? fonte?

    Comentário por João — Maio 24, 2008 @ 04:43

  5. O que isto mostra é que devem andar muitos gays e lésbicas a tentar perceber porque razão não têm o direito de acompanhar os seus companheiros como familiares num hospital, porque razão não têm direitos sucessórios em relação a pessoas com quem viveram toda a sua vida em deterimento de “famílias” que lhe voltaram as costas ou porque razão têm que ter medos e vergonhas de algo que os caracteriza sem que seja escolha sua e muito menos escolha de quem manifesta tanta ignorância e tanto medo como o que se pode encontrar nos textos da conservapedia.

    Já agora : o que é o lobby LGBT? Alguém me explica? É que para mim, um lobby é um grupo de pessoas que se favorece mutuamente na obtenção de proveitos de qualquer espécie em deterimento de outros. Se quem defende o acesso a direitos que considera fundamentais pertence a um lobby, então não sei quem não pertence…

    Comentário por Ricardo — Maio 24, 2008 @ 11:57

  6. Não sei porquê, mas o dircurso do Loby LGBT é bastante semelhante com o discurso do líder desses nacionalistas que ameaçam e agridem pessoas….

    Mas afinal, vocês são ou não são liberais???

    Comentário por Ricardo Ferreira — Maio 24, 2008 @ 16:10

  7. Ricardo, creio que o único motivo que impede qualquer um de escolher o hospital em que possa ser bem tratado é a estatização da saúde, política que eu certamente não preconizo.

    Existe alguma cegueira, de facto:
    - na sociedade ao tomar as associações gays por lobbies representativos de seja quem for
    - dessas associações ao não saber distinguir o cumprimento dos direitos fundamentais da promoção patrocinada pelo estado da aceitação social de um determinado grupo de pessoas

    Comentário por Filipe Melo Sousa — Maio 24, 2008 @ 19:23

  8. Filipe,

    1) A estatização da saúde é um problema ortogonal ao problema que eu apontei. Esteja a saúde estatizada ou não esteja, sejam os hospitais públicos ou privados, casais de homosexuais devem ser tratados como isso mesmo : casais. Família. Com todos os direitos que decorrem desse estatuto no âmbito do funcionamento de um hospital. É contra isto ? É capaz de indicar uma boa razão para se ser contra isto ?

    2) Claro que as associações gays e lésbicas carecem de legitimidade representativa. Isto não é exclusivo destas associações. Sindicatos e partidos políticos padecem cada vez mais do mesmo mal. Não acha que esta realidade só torna ainda mais ridícula a sugestão da existência de um lobby LGBT ? Não existe nenhum lobby LGBT por uma razão muito simples : nada diferencia os gays dos não gays. Há gays de esquerda e de direita. Há gays do Norte e do Sul, novos e velhos, ricos e pobres. Não existe uma cultura própria. E o único tipo de problema que é comum a todos eles não é suficientemente unificador para colmatar todas as demais diferenças que existem num grupo tão heterogéneo como toda a demais sociedade.

    3) A aceitação social deste grupo de pessoas é irrelevante no que toca ao cumprimento dos seus direitos fundamentais. Por mim, qualquer um pode ser racista. É um direito que lhe assiste. O que não pode é discriminar em função da raça. Isso, a lei não lhe permite. O que o Filipe pensa da homosexualidade no seu intímo, é-me indiferente. Que os meus direitos enquanto homosexual dependam do que o Filipe ou o arcebispo de Braga pensam em relação ao assunto é que é completamente inaceitável.

    Comentário por Ricardo — Maio 26, 2008 @ 18:11


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