A intenção deste post é relativamente clara, mas suspeito que a preguiça intelectual da esquerda politicamente correcta é tanta que o João Galamba nem se dá conta de que as mesmas estatísticas podem facilmente (e talvez mais razoavelmente) ter outra leitura: o discurso politicamente correcto sobre a homossexualidade e o lobby LGBT tornou-se de tal forma hegemónico que favorece a popularidade do tema numa fonte alternativa como a Conservapedia.
- Homosexuality [3,105,939]
- Main Page [2,707,253]
- Wikipedia [403,018]
- Homosexual Agenda [333,690]
- Arguments Against Homosexuality [333,298]
- Ex-homosexuals [318,119]
- Homosexuality and choice [312,444]
- Federal Bureau of Investigation [300,877]
- Examples of Bias in Wikipedia [298,395]
- Homosexuality and Health [293,338]
André, pelo mesmo prisma o que impede os seguintes argumentos de serem válidos:
A) O discurso anti-americano politicamente correcto e o sentimento anti-Israel tornaram-se de tal forma hegemónicos que favorecem a popularidade dos pro-americanos numa fonte alternativa como a Conservapedia.
B) O discurso politicamente correcto sobre o ambientalismo e as energias renováveis tornou-se de tal forma hegemónico que favorece a popularidade dos críticos do aquecimento global numa fonte alternativa como a Conservapedia.
C) O discurso politicamente correcto sobre a economia dirigida pelo estado tornou-se de tal forma hegemónico que favorece a popularidade do market-liberalism numa fonte alternativa como a Conservapedia.
Em suma, sem querer falsear o teu argumento inicial, pergunto quais as causas do sucesso de um determinado assunto sobre os restantes, sendo que o mecanismo que descreves é válido para outros competitors.
Comentário por Filipe Melo Sousa — Maio 23, 2008 @ 22:15
Do naipe de causas fracturantes, os direitos dos gays ainda é o assunto político em que a generalidade dos eleitores é conservadora. É, pois, com naturalidade que vejo a Conservapedia a capitalizar a estranheza e o medo com que a maioria das pessoas encara a homossexualidade, bem como a aparente sintonia que existe entre o discurso conservador e as opiniões do grosso do eleitorado.
Por outras palavras, os resultados noticiados pelo João Galamba são tão só sintoma de que os conservadores precisam mais dessa causa fracturante do que a esquerda.
Comentário por José Barros — Maio 23, 2008 @ 23:02
“André, pelo mesmo prisma o que impede os seguintes argumentos de serem válidos:”
Até certo ponto talvez, mas não creio que sejam situações equivalentes.
A e C estão – felizmente – longe de serem hegemónicos nos EUA.
O caso B é o único que pode ser considerado aproximado mas creio que – tirando uma minoria de eco-fanáticos – tende a não haver uma acção tão vincada no sentido de silenciar quem ponha em causa essa agenda como acontece com quem se oponha ao lobby LGBT.
Comentário por André Azevedo Alves — Maio 24, 2008 @ 00:24
fonte alternativa? fonte?
Comentário por João — Maio 24, 2008 @ 04:43
O que isto mostra é que devem andar muitos gays e lésbicas a tentar perceber porque razão não têm o direito de acompanhar os seus companheiros como familiares num hospital, porque razão não têm direitos sucessórios em relação a pessoas com quem viveram toda a sua vida em deterimento de “famílias” que lhe voltaram as costas ou porque razão têm que ter medos e vergonhas de algo que os caracteriza sem que seja escolha sua e muito menos escolha de quem manifesta tanta ignorância e tanto medo como o que se pode encontrar nos textos da conservapedia.
Já agora : o que é o lobby LGBT? Alguém me explica? É que para mim, um lobby é um grupo de pessoas que se favorece mutuamente na obtenção de proveitos de qualquer espécie em deterimento de outros. Se quem defende o acesso a direitos que considera fundamentais pertence a um lobby, então não sei quem não pertence…
Comentário por Ricardo — Maio 24, 2008 @ 11:57
Não sei porquê, mas o dircurso do Loby LGBT é bastante semelhante com o discurso do líder desses nacionalistas que ameaçam e agridem pessoas….
Mas afinal, vocês são ou não são liberais???
Comentário por Ricardo Ferreira — Maio 24, 2008 @ 16:10
Ricardo, creio que o único motivo que impede qualquer um de escolher o hospital em que possa ser bem tratado é a estatização da saúde, política que eu certamente não preconizo.
Existe alguma cegueira, de facto:
- na sociedade ao tomar as associações gays por lobbies representativos de seja quem for
- dessas associações ao não saber distinguir o cumprimento dos direitos fundamentais da promoção patrocinada pelo estado da aceitação social de um determinado grupo de pessoas
Comentário por Filipe Melo Sousa — Maio 24, 2008 @ 19:23
Filipe,
1) A estatização da saúde é um problema ortogonal ao problema que eu apontei. Esteja a saúde estatizada ou não esteja, sejam os hospitais públicos ou privados, casais de homosexuais devem ser tratados como isso mesmo : casais. Família. Com todos os direitos que decorrem desse estatuto no âmbito do funcionamento de um hospital. É contra isto ? É capaz de indicar uma boa razão para se ser contra isto ?
2) Claro que as associações gays e lésbicas carecem de legitimidade representativa. Isto não é exclusivo destas associações. Sindicatos e partidos políticos padecem cada vez mais do mesmo mal. Não acha que esta realidade só torna ainda mais ridícula a sugestão da existência de um lobby LGBT ? Não existe nenhum lobby LGBT por uma razão muito simples : nada diferencia os gays dos não gays. Há gays de esquerda e de direita. Há gays do Norte e do Sul, novos e velhos, ricos e pobres. Não existe uma cultura própria. E o único tipo de problema que é comum a todos eles não é suficientemente unificador para colmatar todas as demais diferenças que existem num grupo tão heterogéneo como toda a demais sociedade.
3) A aceitação social deste grupo de pessoas é irrelevante no que toca ao cumprimento dos seus direitos fundamentais. Por mim, qualquer um pode ser racista. É um direito que lhe assiste. O que não pode é discriminar em função da raça. Isso, a lei não lhe permite. O que o Filipe pensa da homosexualidade no seu intímo, é-me indiferente. Que os meus direitos enquanto homosexual dependam do que o Filipe ou o arcebispo de Braga pensam em relação ao assunto é que é completamente inaceitável.
Comentário por Ricardo — Maio 26, 2008 @ 18:11