O Insurgente

Maio 20, 2008

Preço dos combustíveis

Arquivado como: Economia, Internacional, Portugal — BZ @ 1:58 pm

2 de Janeiro de 2004:

  • Barril de crude (Brent): 29,55 dólares
  • Taxa de câmbio EUR/USD: 1,2592 dólares
  • Barril de crude (Brent): 23,47 euros
  • Gasolina sem chumbo 95 oct (sem impostos): 0,28072 euros
  • Gasolina sem chumbo 95 oct: 0,95 euros

9 de Maio de 2008:

  • Barril de crude (Brent): 123,54 dólares
  • Taxa de câmbio EUR/USD: 1,5447 dólares
  • Barril de crude (Brent): 79,98 euros
  • Gasolina sem chumbo 95 oct (sem impostos): 0,60383 euros
  • Gasolina sem chumbo 95 oct: 1,436 euros

Conclusões:

  • Em pouco mais de 4 anos o preço do barril de petróleo subiu, em euros, 241% (em dólares, 318%).
  • O preço da gasolina sem chumbo 95 octanas subiu, antes de impostos, 115%.
  • O preço da gasolina sem chumbo 95 octanas (pago pelo consumidor) subiu 51%…

Fontes: Energy Information Administration; X-rates.com; Direcção-Geral de Energia e Geologia

21 Comentários »

  1. De acordo com esses dados:

    Em 2004 o Estado arrecadava, por litro, 0,56928
    em 2008 o Estado recebe, por cada litro 0,83217

    Comentário por Gabriel Silva — Maio 20, 2008 @ 2:27 pm

  2. Still cheap.
    Parece-me que as refinarias é que têm estado a aguentar a porrada…
    Os impostos sobre os combustiveis parecem-me acertados, não é que o dinheiro cobrado nos impostos desapareça da economia, pode é ser (e é) mal utilizado. Mas quem deve pagar a pesada estrutura rodoviária e os custos associados, deve ser o utilizador. E a melhor forma de distribuir os custos de forma justa parece-me ser um imposto sobre o combustível. Tambem são um incentivo à eficiência e à conservação de um recurso finito do qual somos exclusivamente importadores. Mas lá que o estado engorda…

    Comentário por sar — Maio 20, 2008 @ 4:04 pm

  3. Nesse caso não será mais eficiente cobrar portagens que revertem directamente para as proprietárias das estradas?

    E, nesse caso, o que é o Imposto de Circulação?

    Comentário por Miguel — Maio 20, 2008 @ 4:11 pm

  4. Miguel, cobrar portagens é tecnicamente complicado, logo pouco eficiente, e além disso viola a privacidade dos cidadãos, pois que exige que se controle todas as estradas que cada um utiliza em cada momento.

    O proprietário das estradas é em geral um e um só: o Estado. Logo, não faz sentido estar a portajar cada estrada separadamente.

    O imposto sobre os combustíveis é efetivamente equivalente a um imposto de circulação, e é como tal que deve ser interpretado.

    Aliás, hoje em dia, o Instituto das Estradas de Portugal é, precisamente, financiado a partir do imposto sobre os combustíveis.

    Comentário por Luís Lavoura — Maio 20, 2008 @ 4:20 pm

  5. “Miguel, cobrar portagens é tecnicamente complicado”

    Já não é assim tão complicado. Lembra-se da Via Verde?

    “O proprietário das estradas é em geral um e um só”

    Nem todas. Lembra-se das auto-estradas?

    Comentário por Miguel — Maio 20, 2008 @ 4:27 pm

  6. Claro que a multiplicidade de impostos indirectos é absurda. Mas um imposto sobre o combustível parece-me a forma mais simples e eficaz de cobrar uma taxa de utilização real das infraestruturas e demais custos associados, para além do óbvio incentivo à eficiência, conservação e inovação.

    btw,
    Peak Oil Worries na CNBC?!?
    http://www.cnbc.com/id/15840232?video=747947551&play=1”

    Comentário por sar — Maio 20, 2008 @ 4:53 pm

  7. [...] tomar banho. De seguida podem começar por ler o post do Bz aqui abaixo. Se continuarem na dúvida, aqueles de vós que têm que entregar o IRC ou IRS no fim deste mês [...]

    Pingback por Preços, mercado e hipocrisia (2) « O Insurgente — Maio 20, 2008 @ 5:20 pm

  8. O criativo “package” fiscal é constituído por:
    - imposto sobre os produtos petrolíferos;
    - IVA sobre o imposto sobre os produtos petrolíferos;
    - imposto de circulação;
    - portagens (nas auto-estradas e nas pontes em Lisboa);
    - estacionamento pago (em terrenos cedidos, e em infraestruturas muitas vezes pagas, por privados no âmbito das chamadas “áreas de cedência”).
    Alguns membros do clube de fãs do intervencionismo pretendem ainda acrescentar portagens à entrada das cidades (que aliás já existem no caso dos acessos a Lisboa pela margem sul do Tejo).

    Comentário por AS — Maio 20, 2008 @ 5:23 pm

  9. Para financiar as infraestruturas rodoviarias construidas e mantidas pelo Estado, o imposto sobre os combustiveis até pode ser um instrumento técnicamente aceitavel.

    No entanto, tenho a ideia de que o imposto sobre os combustiveis financia actualmente muito mais do que as infraestruturas rodoviarias. Ou não ?

    O ideal seria que houvesse transparencia nas finanças publicas. Ou seja, uma ligação quantificada entre cada imposto e as despesas cobertas. Os contribuintes saberiam o que pagam e para que fim !

    Dito isto, não é liquido que o Estado tenha de ser eternamente o proprietario da maioria das estradas. Tal como as auto-estradas actualmente, outras infra-estruturas rodoviarias podem ser igualmente privadas. A tecnologia permitirá certamente que um dia se resolva em termos economicos a questão técnica do controlo e medição do uso dessas infra-estruturas pelos utilizadores efectivos e a respectiva facturação.

    Outra questão é a possivel utilização da fiscalidade indirecta no sentido de incentivar um maior ou menor uso de certos bens. Como sejam as diferentes fontes de energia. Mas cuidado com as engenharias economicas e ecologicas !…

    Comentário por Fernando S — Maio 20, 2008 @ 5:27 pm

  10. [...] dos combustíveis (2) Arquivado como: Diversos — BZ @ 8:33 pm Na sequência de anterior post sugere-se a leitura do Relatório dos Resultados de 2007 da Galp Energia (pdf): Numa base pro [...]

    Pingback por Preço dos combustíveis (2) « O Insurgente — Maio 20, 2008 @ 8:34 pm

  11. Ou seja, em média a gasolina sem impostos aumentou 24% ao ano e os seus impostos 5,6% ao ano.

    Comentário por JM — Maio 20, 2008 @ 9:32 pm

  12. O preço da gasolina antes dos impostos pode ser dividido entre os custos de refinação, destribuição, etc. e o preço do crude propriamente dito. Só sobre esta fração é que os 241% se fazem sentir. Tendo isso em conta, os €0.60383, está mais ou menos de acordo com um aumento de 241% do preço do petróleo. Ou seja, é o morcão na bomba que paga o aumento do preço do petróleo, mais o extra dos impostos (0,56928 -> 0,83217). Se assim não fosse, pelo 2 ou 3 ano consecutivo as Shell, BP e amigos não tinham apresentado lucros recordes.

    Comentário por guna — Maio 20, 2008 @ 10:38 pm

  13. Isto são preços já atendendo à inflação?

    Comentário por RV — Maio 20, 2008 @ 11:53 pm

  14. “Isto são preços já atendendo à inflação?”

    Preços correntes!

    Comentário por BZ — Maio 21, 2008 @ 12:31 am

  15. Vale a pena ver,

    “For the first time in the history of oil futures trading, oil prices are in continuous contango–that is, oil futures get progressively more expensive each year into the future.”

    http://www.theoildrum.com/node/4023

    Uncharted territory…

    Comentário por sar — Maio 21, 2008 @ 12:56 am

  16. sar,

    A referida análise não tem em conta a desvalorização do dólar, moeda em que é denominado o preço do barril de petróleo. Os contratos de futuros podem estar a reflectir não o “peak oil” mas sim a expectativa de continuada perda do valor daquela moeda norte-americana.

    Comentário por BZ — Maio 21, 2008 @ 1:15 am

  17. Bastava baixarem o imposto uns 10 ctms, para o povo ficar contente, desatar a gastar como se nao houvesse amanha, podia ser que a economia saltasse um bocadinho ;) Aproveitavam e faziam o mesmo com os carros! Entretanto podem espremer ah vontade que ja nao havera mais dinheiro para cobrar.

    ps. a falta de acentos e afins deve-se ao teclado ser em ingles, podia no entanto ser uma accao de protesto contra aquela aberracao chamada acordo ortografico.

    Comentário por Filipe — Maio 21, 2008 @ 3:28 am

  18. “Preços correntes!”

    Então não podem ser comparados directamente, pois não? Assim tipo aumentou x%, certo?

    Comentário por RV — Maio 21, 2008 @ 10:04 am

  19. “Então não podem ser comparados directamente, pois não? Assim tipo aumentou x%, certo?”

    A imprensa compara tais valores todos os dias!!!

    Há que ter em conta, no entanto, que a inflação e a desvalorização do euro são factores relevantes em qualquer análise, sendo que estes são consequência da emissão de moeda pelo Banco Central Europeu.

    Comentário por BZ — Maio 21, 2008 @ 10:54 am

  20. VI os prós e contras e a forma como o francês e o senhor mais idoso defenderam que o preço é totalmente transparente e explicaram como é feito, foi bastante elucidativa e clara.
    Na verdade quem diz que as gasolineiras estão a ganhar balurdios não apresenta provas ou demonstra como. Só diz, estamos pagar caro eles têm bastante lucro logo estamos a ser roubados. Parece-me uma forma de pensar errada, pois mesmo que seja assim precisa de ser demonstrada.

    Comentário por Abul-Fadl Nadr al-Atrabulusi — Maio 21, 2008 @ 12:16 pm

  21. Hoje já quase toda a gente percebeu que acabou a comida barata, a energia barata, os combustíveis baratos ou a água barata. Estão a tornar-se bens de luxo ou quase, a que cada vez terão mais dificuldade de acesso as classes médias e de menores rendimentos.
    Como é possível que o governo português ainda recentemente tratasse a questão dos combustíveis como uma birra dos condutores mal habituados, subordinada em termos de importância ao equilíbrio orçamental ? Onde estão as previsões e as medidas preventivas que seriam de esperar de um governo responsável ?
    Como se explica a resignação e passividade da Europa perante o encarecimento acelerado de produtos de que dependem os seus mais básicos padrões de vida, ao ponto de ter que ser acordada por um Manuel Pinho ansioso por encontrar bodes expiatórios ?
    São todos incompetentes e irresponsáveis ou há outras explicações para este fenómeno ?
    Convém talvez compreender que, mesmo dentro de um país como o nosso, nem todos são afectados da mesma forma e alguns até podem sair beneficiados destas crises. Quem exporta para Angola e é pago pelos rendimentos do petróleo talvez não tenha razões de queixa, ou quem é accionista da Galp, ou quem vende para a Venezuela às cavalitas do governo de Sócrates, ou quem tem sempre os combustíveis, e não só, pagos pelas empresas ou pelo Estado.
    Esta questão dos preços do petróleo, do acesso ao crédito e aos produtos alimentares pode afinal ser, no essencial, mais uma forma de certas classes expoliarem outras.
    Também ao nível internacional, nomeadamente na Europa e EUA, conviria perceber quem ganha e quem perde com este terramoto. Para sabermos se estamos perante aprendizes de feiticeiro que jogam um perigoso xadrez contra as potências emergentes, em que as peças são poços de petróleo e mísseis nucleares.

    Comentário por Fernando Penim Redondo — Maio 28, 2008 @ 3:13 pm

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