“Previsões de plástico” de Pedro Bráz Texeira
O governo reviu em baixa as suas previsões até 2011. Em primeiro lugar, o crescimento dos últimos anos desse período, em que a economia já deveria estar a crescer ao seu nível potencial, baixa fortemente de 3,0% para 2,2%. Em parte isto resulta do ajustamento entre o delírio estratosférico e a realidade. Mas, por outro lado reforça a ideia de que o crescimento potencial sofreu um forte rombo e, com este nível, ele pura e simplesmente significa o fim estrutural da convergência de Portugal com a UE. Uma coisa é Portugal ter uns anos maus, em que diverge. Outra, é pura e simplesmente, mudar de campeonato e deixar de convergir ponto final.
Ter consciência deste grave problema deveria fazer o governo passar a levar a sério as prováveis causas deste desastre, nomeadamente a fortíssima perda de competitividade desde meados dos anos 90. Mas não. O governo, assustado com o fraco crescimento, tenciona continuar na asneira de estimular a procura interna (via investimento público) e vez de apostar na recuperação da competitividade perdida. O governo poderá ter um sucesso limitado no curto prazo, mas só estará a agravar as condições de uma verdadeira e robusta recuperação.
Quanto à nova previsão para 2008 (1,5% vs 2,2%) ela tem que passar a ser encarada, quando muito, como o limite superior do intervalo de previsões razoáveis. Depois do empedernido “optimismo” do governo, tudo o que venha de lá só pode agora ser desvalorizado.