O Insurgente

Maio 14, 2008

A limitada ambição de Ferreira Leite

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:15 pm

O Bruno responde ao meu ‘post’ sobre o PSD e Manuela Ferreira Leite explicando que o papel de Ferreira Leite será o de credibilizar o PSD, dando a ‘volta’ ao partido e mudando as regras de funcionamento introduzidas por Menezes. Nada a opor, não fosse o pormenor de não conseguir compreender como pretende a ex-ministra das finanças mudar o quer que seja no PSD, sem prometer algo em troca. Dito de outra forma, os objectivos de Ferreira Leite são pouco ambiciosos, o que pode ser complicado num partido de poder.

A sua estratégia é limitada quando nem tinha de o ser. Ferreira Leite podia, além de pretender credibilizar o PSD, distanciar-se de Sócrates, apresentando-se com um programa alternativo, mais liberal, que não ponha em causa as políticas de contenção do défice. Pelo contrário, ela seria a pessoa indicada para explicar que um programa de governo liberal exige e conduz inevitavelmente ao controle das contas públicas; a pessoa indicada para explicar que os défices orçamentais são acima de tudo resultado do excesso de despesa e que é na despesa do Estado que é preciso cortar. Não o faz devido uma estratégia que julgo estar errada, ou por nada de substancial a diferir de Sócrates, o que em nada credibiliza a nossa democracia.

O Bruno fala de Michael Howard, um político prestável, competente, credível, que disciplinou o partido conservador britânico. Só que Howard queria governar. Por isso, ‘pôs os tories na linha’; por isso se candidatou à sua liderança e por isso concorreu contra Blair. Infelizmente não é o que vejo em Ferreira Leite. Pensava inicialmente que sim, mas enganei—me. O que vejo é uma mulher a seguir o caminho contrário: Alguém que quer disciplinar o partido, mas não conta muito em governar o país. Pelo menos é o que transparece. E isto Bruno, é política. Ora, na política ninguém vence dizendo que nos vai pôr na ordem. Ganha-se com um programa diferente dos oponentes e prometendo-se uma mudança para melhor. Nunca à força do chicote.

7 Comentários »

  1. mas não se ganha com um programa liberal. não há clientes eleitores para programas liberais. a quem discordar recomendo que funde um partido novo não social democrata com bases programáticas liberais.

    Comentário por António Fiúza — Maio 14, 2008 @ 1:08 pm

  2. Um Partido como o nosso, com larga experiência governativa, com os seus valores e os seus ideais, que se reflectem em muito do que fizémos pela democracia e pelo progresso do País, desempenha um papel decisivo na saúde e na força do regime democrático.

    “É preciso falar-lhe [a José Sócrates] de igual para igual e mostrar à opinião pública que o nosso líder é um potencial candidato a primeiro-ministro ou então deixaremos de ter o partido que nos habituámos a ver e que tem responsabilidades no progresso do país”, MFL nos Açores

    O PAIS PRECISA DO PSD E NÓS TEMOS QUE ESTAR PREPARADOS PARA SERVIR O PAÍS.

    http://www.manuelaferreiraleite.pt/videos_detalhe.php?id=16

    Comentário por JAFAD — Maio 14, 2008 @ 1:11 pm

  3. “Ora, na política ninguém vence dizendo que nos vai pôr na ordem. Ganha-se com um programa diferente dos oponentes e prometendo-se uma mudança para melhor.”
    É precisamente no prometendo-se que está a questão. Para os eleitores portugueses liberalizar ou diminuir muito o peso do Estado (p. ex., vendendo a CGD ou a RTP) é sinal de agravamento das suas condições de vida. Não funciona por isso como uma promessa de mudança para melhor. Só há então duas alternativas: a alternativa PPC é propôr vender a CGD ou a RTP, algo que nunca conseguirá. A alternativa MFL é, não prometendo medidas emblemáticas de liberalização, liberalizar progressivamente quando for eleita.
    Claro que o políticamente correcto dirá que “se está a enganar os eleitores”, que os eleitores “não gostam de ser enganados”, que “fazer promessas e depois não as cumprir afasta os elitores da política”, … Mas nada melhor do que a realidade para confirmar a tese contrária: basta ver o que fez (e faz) Sócrates (à sua medida, é claro).

    Comentário por António Carlos — Maio 14, 2008 @ 2:25 pm

  4. Parece-me que Manuela Ferreira Leite na grande entrevista falou bastante do estado da nação e da necessidade de resolver o problema orçamental português.

    MFL está é a fazer algo que quem quer parangonas todos os dias não aprecia: lança a mensagem, consolida a mensagem, reforça e só depois abre um novo capítulo.

    Temos campanha durante mais 17 dias… ganha quem estiver na maratona, não nos 100m.

    MFL já falou que o Estado está demasiado presente mas, também já recusou, dizer que vai privatizar tudo e mais alguma coisa sem explicar como nem porquê.

    Comentário por Nélson Faria — Maio 14, 2008 @ 2:56 pm

  5. [...] que diz Ferreira Leite Arquivado como: Diversos — Bruno Alves @ 10:08 pm O André responde ao meu post, dizendo que “os objectivos de Ferreira Leite são pouco ambiciosos, o que pode [...]

    Pingback por O que diz Ferreira Leite « O Insurgente — Maio 14, 2008 @ 10:08 pm

  6. “A sua estratégia é limitada quando nem tinha de o ser. Ferreira Leite podia, além de pretender credibilizar o PSD, distanciar-se de Sócrates, apresentando-se com um programa alternativo, mais liberal, que não ponha em causa as políticas de contenção do défice.”

    Concordo.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 14, 2008 @ 10:31 pm

  7. Um bocadinho mais liberal, está bem, mas que continue a ser social democrata.

    Comentário por António Fiúza — Maio 15, 2008 @ 10:26 pm

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