Retenções na escola. Por Miguel Madeira.
Ora, se vamos defender as retenções, não por uma questão de “não aprendeu, tem que ser ensinado outra vez até aprender”, mas por uma questão de premiar “o esforço e o trabalho” e castigar ” a ausência de participação e aproveitamento” isso teria conclusões que eu acho disparatadas:
Em primeiro lugar, tal significa que um aluno com pouco aproveitamento mas que “se esforce”, “seja interessado”, mas, coitado, “não consegue”, deveria passar de ano (afinal, se a questão é premiar o esforço…). Efectivamente, há muita gente que defende algo desse gênero, mas eu não acho jeito nenhum nisso: qual é a lógica de passar um aluno que não sabe a matéria (e, assim, nunca irá ficar a saber) só porque ele se “esforça”? Pense-se na seguinte analogia: teria alguma lógica um médico dar alta a um doente que ainda não está curado só porque o dente se esforça para curar-se, faz os tratamentos todos, etc.?
Em segundo lugar, tal também implicaria que um aluno que sabe a matéria toda sem fazer esforço nenhum deveria ser retido (embora isso talvez fosse díficil de aplicar na prática, já que não é tão simples distinguir os bons alunos que se esforçam dos que não se esforçam – a principal pista talvez seja o lugar em que se sentam na sala de aula).