O João Miranda, em resposta ao meu post, critica-me por uma série de coisas que eu, no entanto, não escrevi. Ao contrário do que o João diz, eu não me referi ao “carácter” de nenhum político (nem a um suposto “carácter impoluto” de Ferreira Leite nem ao “corrupto” de outro qualquer), e também não disse que não há “interesses” pouco “liberais e reformistas” no PSD nacional. O que disse foi que a prática política do “partido autárquico” (quer em muitas das autarquias dominadas pelo PSD, quer na liderança de Menezes) denunciava uma estratégia que era incompatível com qualquer “liberalização” do país, e que se o “partido nacional” quiser enveredar por esse caminho, pelo caminho de uma agenda “liberal e reformista” (e há de facto razões para duvidar que queira, precisamente devido aos “interesses” que o João refere) terá primeiro que derrotar o “partido autárquico”, que, pelas razões que enumerei, está interessado em tudo menos numa política “liberal e reformista”. O Dr. House também explicou isso num episódio: “actions don’t lie”.
Maio 11, 2008
2 Comentários »
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A minha concordância com o Bruno Alves, nesta matéria, é total. A factualidade implícita na conduta de líderes passados que destruíram a cúpula do poder nascendo em seu lugar um conjunto de dependências que pervertem o sentido natural de liderança. As dependências que o PSD local conquistou (por mérito próprio ou demérito alheio) tornam redundantes quaisquer ambições liberalistas que ponham em causa o status quo, até porque o projecto político está sempre refém de quem o autoriza.
As directas, na minha modesta opinião, catalisaram estas dependências evidentes. Quem controla os cargos políticos (ou não políticos), a nível local, controla os votos.E se estes cargos deixarem de existir?
Aí o instinto de sobrevivência vem à tona.
Comentário por Miguel Amaro — Maio 12, 2008 @ 00:48
Estou a ver o Bruno Alves a “dar um baile” ao João Miranda. É que, de facto, vem a despropósito a questão do estatismo e dos negócios dúbios a nível nacional. Pressuposto do debate é que Passos Coelho representa uma ruptura em relação a tais fenómenos, quer a nível nacional, quer a nível local. Como o pretende fazer tendo nas suas hostes os dinossauros autárquicos que sempre viveram de uma política de clientelismo do Estado, é um mistério. Uma boa questão para a candidatura de Passos Coelho, que, a meu ver, mesmo ganhando, terá muitas dificuldades em abstrair-se das companhias de que precisa para ganhar.
Comentário por José Barros — Maio 12, 2008 @ 02:00