CRISE ALIMENTAR. Por João Miranda.
A crise alimentar mundial mostra até que ponto estas políticas são superficiais e contraproducentes. A aposta na agricultura biológica desvia terrenos agrícolas para uma forma de agricultura menos produtiva. Os subsídios aos biocombustíveis desviam cereais da alimentação humana para a produção de combustíveis. Os subsídios à agricultura, o proteccionismo e a penalização dos transgénicos contribuem para a manutenção em actividade de empresas agrícolas ineficientes.
Os muito ricos não se sentem ameaçados por problemas básicos de sobrevivência e por isso tendem a preocupar-se com causas simbólicas. A luta contra o aquecimento global acabou por se tornar na causa simbólica prioritária. Os ambientalistas nunca reconheceram os verdadeiros custos de uma redução significativa do consumo de combustíveis fósseis. A crise alimentar revela alguns desses custos. Se forem desviados recursos agrícolas para a produção de combustíveis, os custos da alimentação aumentam. Este não é um problema específico dos substitutos agrícolas. É um problema geral. No actual estádio de desenvolvimento tecnológico, as fontes de energia alternativas são, em geral, mais caras que os combustíveis fósseis. A realidade acabará por mostrar, caso a caso, até que ponto a rejeição dos combustíveis fósseis é utópica e irrealista.
Admira-me é que ainda não tenham visto que o aumento da população também desvia terrenos da agricultura (e não só), para além de aumentar as necessidades de alimentos…
Comentário por Rui Carlos Gonçalves — Maio 10, 2008 @ 18:30
Os mercados já debelaram a ameaça malthusiana há muito…
Comentário por Marcos Garrido — Maio 10, 2008 @ 19:32