O PSD como partido autárquico e a agenda “liberal e reformista”
Um comentário do João Miranda motivado por este post do Bruno Alves: O “partido autárquico” e a agenda “liberal e reformista”
Bem ou mal, o partido autárquico tem o mérito de conseguir manter vivos centros políticos de pode fora de Lisboa. Os interesses do partido autárquico são interesses reais de pessoas reais. Devem-se a factos políticos reais. Resultam de problemas que constituem entraves reais ao desenvolvimento do país. Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada vão ganhar com o aeroporto de Alcochete, a nova ponte sobre o Tejo, o túnel de Alcântara e o TGV. Isso constitui um problema e um desafio para qualquer agenda “liberal e reformista”. Aliás, não consigo imaginar uma lista de problemas que uma agenda “liberal e reformista” deve resolver em que o problema do centralismo não esteja no topo.

Que provavelmente vai ganhar o prémio do comentário mais descabido sobre a regionalização nos últimos tempos…
Queira-se ou não (e salvo honrosas excepções), os cargos autárquicos portugueses não passam de centros de produção de caciques e de propagação da pequena/média corrupção (que vai do “fiscal” ao “sr. Presidente). São os principais focos do populismo desbragado e do compadrio tão “querido” dos latinos.
Não gosto de estados centralistas, mas (infelizmente) em Portugal acaba por ser uma menos “má” solução quando comparada com a distribuição de poder ou, pior, dinheiro por pequenas baronias locais.
Comentário por Carlos Duarte — Maio 9, 2008 @ 10:17 pm
«Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada vão ganhar com o aeroporto de Alcochete, a nova ponte sobre o Tejo, o túnel de Alcântara e o TGV.»
Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada ganharam com a ponte do Freixo, a ponte do Infante, a nova travessia ferroviária Porto-Gaia, o Metro do Porto, a Casa da Música, o Porto Capital Europeia da Cultura.
Comentário por AS — Maio 9, 2008 @ 11:43 pm
“Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada ganharam com a ponte do Freixo, a ponte do Infante, a nova travessia ferroviária Porto-Gaia, o Metro do Porto, a Casa da Música, o Porto Capital Europeia da Cultura.”
Deve ser como com a Ponte Salazar, a Vasco da Gama, o “upgrade” ferroviário da dita Ponte Salazar, o Metro de Lisboa, o Pavilhão Atlântico, a Europália… quer mesmo continuar?
Comentário por João Luís Pinto — Maio 10, 2008 @ 4:01 am
«… quer mesmo continuar?»
Quero. A Ponte Salazar (o 1.º dos exemplos citados), concluída em 1966, acho um erro, uma precipitação, uma antecipação megalómana e injustificada. Os lisboetas, os residentes na área metropolitana de Lisboa, e os minhotos que passam férias e fins-de-semana no Algarve, deviam ter sido obrigados durante pelo menos mais 30 anos a atravessar o Tejo de barco.
Comentário por AS — Maio 10, 2008 @ 12:32 pm
Os “minhotos” que passavam férias e fins-de-semana no Algarve há muito (desde a sua inauguração em 1951) que faziam a travessia do Tejo em Vila Franca…
Comentário por João Luís Pinto — Maio 10, 2008 @ 1:20 pm
«Os “minhotos” que passavam férias e fins-de-semana no Algarve há muito (desde a sua inauguração em 1951) que faziam a travessia do Tejo em Vila Franca…»
Ok ! O que significa que as pontes sobre o Tejo afinal sempre são úteis, sempre servem para alguma coisa. Sempre servem alguém importante, alguém que realmente conta. Desde que, evidentemente, sejam construídas a dezenas de kilómetros de distância dos aglomerados urbanos mais populosos. Pontes sobre o Tejo sim, mas só se for longe dos lisboetas e longe da maioria da população residente na área metropolitana de Lisboa.
Mas agora lembrei-me: se é assim, se as pontes devem ser localizadas longe das zonas urbanas mais populosas, por que é que se terão lembrado de construir a Ponte da Arrábida (para exemplificar com um acontecimento histórico mais contemporâneo da Ponte Salazar*) mesmo ali tão perto do Campo Alegre e do centro do Porto ?
[ * se quisermos recuar ainda mais umas décadas na história - o recuo à década de 60 foi introduzido pelo meu interlocutor, eu tinha-me ficado pela ponte de S. João, a nova travessia ferroviária Porto-Gaia - teremos a ponte D. Luís e a ponte D. Maria Pia a competir, com vantagem, com os velhos barcos de Cacilhas e do Barreiro ]
Comentário por AS — Maio 10, 2008 @ 5:38 pm
“Ok ! O que significa que as pontes sobre o Tejo afinal sempre são úteis, sempre servem para alguma coisa.”
Não, significa que uma ponte, ou um conjunto de pontes estrategicamente distribuídas ao longo do Tejo melhoram a conectividade entre o Norte e o Sul do território, beneficiando a generalidade dos seus habitantes. Já tal não implica que haja particular interesse (ainda mais nacional) que essa travessia seja feita em Lisboa, de uma forma que beneficia essencialmente os seus habitantes e os da margem Sul, ainda mais de forma múltipla.
Além disso, compare quanto custa uma ponte, rodoviária ou ferroviária de travessia do Douro no Porto, com uma ponte para travessia do Tejo em Lisboa.
Comentário por João Luís Pinto — Maio 11, 2008 @ 2:06 pm