Miserável. Miserável é a única palavra que me ocorre ao ouvir o que a Ministra respondeu à última pergunta da Constança Cunha e Sá. Perguntou-lhe porque razão os pais ainda não podem escolher a escola em que põem os filhos. A resposta da Ministra é sintomática deste fascismo light que nos pastoreia. A Ministra é contra essa opção porque:
1 Segundo os estudos que conhece, a liberdade de escolha não melhora os resultados, as médias e essas coisas agregadas todas;
2 Segundo o PISA os países em que há liberdade de escolha não têm melhores resultados que os outros.
3 Há o risco de aumentar a desigualdade entre as escolas e entre os alunos (esta é de rir…)
Nem por um instante passou pela cabeça da senhora que, nesta questão, essa discussão sobre os resultados é, quando muito, secundária. A liberdade de escolha tem que ver com as opções das pessoas, é um direito que nos assiste a todos e não pode estar dependente do que uma pseudo-fascista, outra Torquemada de saias acha melhor para nós, nem de nenhum desígnio colectivo imposto pela clique “eleita”.
A liberdade de escolha nunca seria total, pois as melhores escolas teriam certamente uma oferta inferior à procura.
Comentário por Rui Carlos Gonçalves — Maio 6, 2008 @ 22:37
E então? Além de não ter que ser necessariamente assim (só definir quais são as melhores escolas já é suficientemente difícil), não é isso que está em causa.
Comentário por Helder — Maio 6, 2008 @ 22:47
O mais constrangedor quando se ouve esse tipo de declarações é o à vontade com que são ditas. A liberdade é mesmo estranha à mentalidade destas pessoas que nos governam. Eles acham que é assim? Assim é. ponto não se fala mais nisso.
Comentário por Filipe Abrantes — Maio 6, 2008 @ 23:08
…e há também uma razão fundamental para a estrutura do sistema educativo português que se relacciona com o facto de que se as pessoas normais pudessem escolher a escola onde os filhos andavam, os filhos dos professores podiam ter que andar nas mesmas turmas que os pobres.
Comentário por Tonibler — Maio 6, 2008 @ 23:56
Mas a sra pensará que o que é realmente importante é o que uns burocratas no Terreiro da Paço decidem?! Então o mais importante para os alunos é o que os burocratas ou o que as famílias decidem?
Cá para mim, o mais importante (para a ministra) é que as más escolas (que ninguém procurará) subsistam e os seus srs profs não percam o seu tacho!
Comentário por Libertas — Maio 7, 2008 @ 00:02
Tal não deve surpreender, pois o socialismo e a social-democracia são mesmo isto. Aliás este tipo de arbitrariedade consta no programa do Partido Socialista e nos desempenhos dos governos dos outros (sociais-democratas… ) tal não sofreu alterações.
Mas é preciso não ser “excessivo” para com a social-democracia, não vá alguém ficar chateado…
Comentário por P.F. — Maio 7, 2008 @ 01:23
[...] Leitura complementar: Miserável. [...]
Pingback por Miserável (2) « O Insurgente — Maio 7, 2008 @ 01:34
“Mas é preciso não ser “excessivo” para com a social-democracia, não vá alguém ficar chateado…”
Mas eu agora sou “reduzido” a defensor da social-democracia?
Só mesmo no Insurgente…
Comentário por André Azevedo Alves — Maio 7, 2008 @ 01:37
Alguém me explique, por favor, como é que a livre escolha das escolas (públicas, era isso que estava a ser discutido) melhorará o ensino. Devo ter o raciocínio toldado pelo meu socialismo congénito. Vamos reduzir a coisa a duas escolas, o Liceu Camões, e outra na Musgueira. 90 % dos alunos (pais) escolhaem o camões, mas só la cabem 50 %. E agora? Ficam resolvidos todos os problemas da educação?
Comentário por jpt — Maio 7, 2008 @ 08:32
jpt, você também não percebeu pois não? A liberdade de escolha não depende da melhoria do ensino. E não, não era isso que estava em questão na pergunta.
Constança Cunha e Sá: Porque é que os pais ainda não podem escolher a escola onde põem os filhos?
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 09:14
Não, o que nos é impingido é que a qualidade do ensino depende da liberdade de escolha, melhorará com a liberdade de escolha.
Comentário por jpt — Maio 7, 2008 @ 09:23
Essa da “liberdade de escolha” é uma treta. Liberdade existe, como é evidente. E como é evidente para qualquer outra situação, só vai para escolas particulares quem quer e pode pagar.
O ensino público tem que ser pago por TODOS. É que essa da “liberdade de escolha” encerra em si uma lógica perigosíssima: por essa ordem de ideias também estaria no meu direito de não querer contribuir p.ex. para o financiamento da Autoridade da Concorrência por achar (hipótese académica) que deve existir capitalismo selvagem, etc., etc.
Comentário por Pedro Sá — Maio 7, 2008 @ 09:44
*suspiro*
Pedro Sá, não sei se tem filhos, se tiver experimente decidir para que escola pública quer que el@ vá estudar, de acordo com o critério que achar mais conveniente. A liberdade de escolha de que falo aqui é só esta.
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 09:52
jpt,
essa é a versão da Ministra. O que eu ponho em causa é que ela (e pelos vistos você) não percebe que essa questão é posterior à liberdade de escolher que escola devem os nossos filhos frequentar. Essa liberdade não depende de desígnio colectivo nenhum. É uma liberdade individual /familiar e ainda por cima é paga.
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 09:56
Pronto, já percebi, é liberdade pela liberdade. mas não responderam à questão sobre o que fariam as escolas com mais procura. Na hipótese académica e simplificada que apresentei, o que fas o Camões com 90% dos alunos a quererem ir para lá? Algém vai ter que escolher quem lá fica. Quais os critérios? Está a perceber o perigo de discriminação que isso significa? Para além de a liberdade acabar aí.
Comentário por jpt — Maio 7, 2008 @ 10:23
Como é
Comentário por lucklucky — Maio 7, 2008 @ 10:37
Como é que a liberdade de escolha que não melhora as escolas aumenta a desigualdade?
Supostamente não ficariam na mesma?
Comentário por lucklucky — Maio 7, 2008 @ 10:41
As escolas com mais procura claramente teriam que seleccioanr os seus alunos. E daí?
Um critério óbvio seria a qualidade dos candidatos. Se foi essa a razão que causou o “excesso de procura” teriam todos os incentivos para procurar que o seu status se mantivesse (pelo menos) igual. É claro que isto levaria a que a que outras escolas procurassem copiar o seu modelo.
Certamente que este não é o único cenário possível mas é um bem plausível.
Já dizia Acton (se não me engano) que a liberdade é um valor em si. Achava extremanete positivo se os pais (e eu, em primeiro lugar) tivesse possibilidade de escolher o establecimento de ensino da minha filha sem que isso significasse que teria de pagar duas vezes o mesmo serviço.
Comentário por Miguel — Maio 7, 2008 @ 10:49
“…sem que isso significasse que teria de pagar duas vezes o mesmo serviço”
OK, chegámos ao cerne da questão. A liberdade é um valor em si (com o que eu concordo), mas os carcanhóis valem mais. Mas não estávamos a discutir isso.
Comentário por jpt — Maio 7, 2008 @ 11:41
Concordamos, portanto, que a liberdade de escolha acabaria por ser discriminatória: Algumas escolas para os bons alunos, outras para a escumalha.
Comentário por jpt — Maio 7, 2008 @ 11:43
“Concordamos, portanto, que a liberdade de escolha acabaria por ser discriminatória: Algumas escolas para os bons alunos, outras para a escumalha.”
Bem, isso implica que existem apenas alunos de excelência e maus alunos. Para além disso é improvável (quanto mais não seja por questões geográficas) que todos os alunos excelentes fiquem nas escolas de excelência.
Comentário por Miguel — Maio 7, 2008 @ 11:58
“OK, chegámos ao cerne da questão. A liberdade é um valor em si (com o que eu concordo), mas os carcanhóis valem mais. Mas não estávamos a discutir isso.”
A liberdade de eu poder dispor dos meus recursos também conta como liberdade, julgo eu.
Comentário por Miguel — Maio 7, 2008 @ 11:59
jpt,
nenhum sistema é perfeito e há sempre trade-offs. A primeira coisa a perceber é sob o ponto de vista da escolha e das decisões descentralizadas de milhares de indivíduos quais são os critérios para decidir:
1 Porquê a escola A e não a B?
2 O que é uma boa escola?
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 12:01
“Concordamos, portanto, que a liberdade de escolha acabaria por ser discriminatória: Algumas escolas para os bons alunos, outras para a escumalha.”
Então quer dizer que a qualidade das escolas não fica na mesma, não é?
Todos nós fazemos discriminação todos os dias,
Por exemplo as notas dos alunos têm como objectivo discriminar assim como as classificações do Futebol e isso é bom é só assim que se reconhecem as boas práticas e só assim é que há informação dentro do sistema para outros também escolherem as boas práticas e assim mudarem e eventualmente as ultrapassarem.
É o que nos permite escolher entre o bom e o mau. E como espécie foi assim que evoluímos. Por isso não percebo o problema.
Comentário por lucklucky — Maio 7, 2008 @ 13:21
Hélder, é impressão minha ou a ministra também mandou vir com as explicações? Assim é fácil perceber as escolhas da ministra, havendo a hipótese de escolha, os ricos, graças aos seus recursos metem a criançada em explicações e assim as melhores escolas serão para… os ricos. Num sistema socialista não pode haver disso, é tudo corrido a tábua rasa. Vai lá explicar-lhe o que é Liberdade então
Aposto que, se num acto de loucura a ministra permitisse a escolha livre, os alunos das melhores escolas começariam a pagar propinas…
Comentário por João — Maio 7, 2008 @ 13:45
O insurgente está muito festivo, agora há direito a bonecada? E onde pára a escolha livre do boneco? hm?
Comentário por João — Maio 7, 2008 @ 13:46
Concordo com a liberdade de se escolher a escola. Mas também vejo que o acesso às melhores escolas seria algo impossível para muitos, independentemente do potencial do alunos. Há que não esquecer a forte correlação entre o meio socio-económico do aluno a os resultados escolares: criança nascida em meio desfavorável -> aluno com piores notas (é um facto) -> aluno não vai para a melhor escola -> aluno que se transforma em adulto, tendo filhos num meio desfavorável -> …. É uma pescadinha de rabo na boca.
Comentário por RV — Maio 7, 2008 @ 15:21
João, é verdade mais dia menos dia está a proibir as explicações. E a LPF a obrigar FCP a jogar com oito.
RV,
“criança nascida em meio desfavorável -> aluno com piores notas (é um facto)”
essa correlação não implica que 100% dessas crianças tenha, piores notas. Probabilidades não são certezas. Na situação actual é uma quase certeza, em liberdade de escolha pelo menos alguns podem ultrapassar esse problema.
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 15:30
«Na situação actual é uma quase certeza»
Como diz, “probabilidades não são certezas”.
Comentário por RV — Maio 7, 2008 @ 15:32
RV, o conceito de melhor escola também não é fácil definir. Os pais podem não ter todos os mesmos critérios. Entre outros, considere os seguintes items:
1 Resultados médios nos exames nacionais;
2 Segurança;
3 Proximidade, facilidade de acesso;
4 Oferta de refeições;
5 Oferta de actividades extra curriculares (línguas, desporto, informática, arte, etc);
6 ATL.
Cada família há-de ponderar estes items de maneira diferente e nenhuma escola terá vantagem em todos. Só isto daria direito a algumas surpresas.
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 15:35
Tem razão em tudo isso. Uma família bem estruturada atenderá a esses parâmetros todos.
Comentário por RV — Maio 7, 2008 @ 15:39
“Como diz, “probabilidades não são certezas”.”
Sem liberdade aumenta a probabilidade de acontecerem coisa desagradáveis. Tipo um génio nascido numa família pobre manté-se pobre. Coisas do socialismo educativo.
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 15:39
“Uma família bem estruturada atenderá a esses parâmetros todos”
Uma mal estruturada atenderá a alguns. Tome lá dois:
Proximidade, refeições.
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 15:40
Ou seja, os que obtém na actual escola sem escolha?
Repare, creio que não estamos em desacordo no geral. O que me parece que é que a liberdade de escolha será óptima para quem a souber usar e inútil para os restantes (lá voltamos ao meio sócio-económico).
Mas também vejo que a actual escola tem tendência a nivelar por baixo e isso é injusto para alguns (muitos?). No entanto, isto *também* poderia ser resolvido no actual modelo.
Comentário por RV — Maio 7, 2008 @ 15:47
“No entanto, isto *também* poderia ser resolvido no actual modelo.”
Sem discriminação não me parece possível. Aliás a este nível não existe nenhum sistema com a centralização do nosso que funcione bem. Nem um.
“liberdade de escolha será óptima para quem a souber usar e inútil para os restantes (lá voltamos ao meio sócio-económico).”
Mesmo admitindo isso, (o que não é necessariamente verdade porque as coisas não se passam no vácuo, o resto não se mantém constante e é expectável o efeito de trickle-down) o saldo é >0, ou seja, se ninguém perde e alguns(muitos?) ganham…
Comentário por Helder — Maio 7, 2008 @ 15:56
Disse o André: “Mas eu agora sou “reduzido” a defensor da social-democracia?
Só mesmo no Insurgente…”
Por mim não, pois nem vontade nem capacidade para isso teria.
Não terá sido algum vírus do Insurgente Okupado?
Comentário por P.F. — Maio 7, 2008 @ 16:16
[...] passa por acabar com as reprovações. Esta ideia emergiu várias vezes na extraordinária entrevista de ontem a Constança Cunha e Sá. Lurdes Rodrigues revelou outras ideias geniais, como por exemplo [...]
Pingback por Educação e o Culto da Carga « Catarse — Maio 7, 2008 @ 17:10
[...] complementar: Miserável; Miserável [...]
Pingback por Maria de Lurdes Rodrigues e o desastroso igualitarismo socialista do eduquês « O Insurgente — Maio 8, 2008 @ 01:19
[...] Neoultraliberal, fásssista e… social-democrata ? Arquivado como: Blogosfera, Comentário, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 4:46 pm Creio que só mesmo no contexto d’O Insurgente é que eu posso ser “acusado” de ser um defensor da social-democracia… [...]
Pingback por Neoultraliberal, fásssista e… social-democrata ? « O Insurgente — Maio 8, 2008 @ 16:46