Manuela Ferreira Leite apresenta-se na luta pela liderança do PSD como a candidata mais credível e competente. Ao contrário do que por aí se ouve, e atento o passado recente do partido laranja, são credenciais a não menosprezar.
Mas não chega. Além de ser competente, Manuela Ferreira Leite tem de ser uma verdadeira alternativa a Sócrates. Para tal, terá que ultrapassar os dois maiores problemas da sua candidatura: O seu mandato como ministra das finanças e a ideia de que é por sacrifício que está na corrida.
Comecemos com a sua passagem pelo Ministério das Finanças. Por muito que tenha o sido o seu esforço, Ferreira Leite (ao contrário do que poderá dizer José Sócrates) não venceu o défice. Subiu o IVA, reformou o imposto de Sisa, a Contribuição Autárquica (actuais IMT e IMI), exigiu o congelamento dos salários da função pública, mas não venceu o défice. Não resolveu o problema.
Se quiser vencer o PSD, e seguidamente ganhar ou retirar a maioria absoluta a Sócrates, Ferreira Leite terá de enfrentar com sucesso esta situação. A única forma de o fazer é evitando precisamente aquele que é o seu segundo problema: A sua ideia de missão. De sacrifício.
Ferreira Leite diz que está na corrida para salvar o PSD. Não é suficiente. As pessoas agradecem a quem se sacrifica, mas não votam nelas. Ferreira Leite tem de ir para a campanha, não apenas para dar crédito ao PSD, mas para vencer as legislativas. Caso contrário fica no ar a ideia que pretende sair logo em 2009. Tem ainda de ser alternativa, pois só sendo alternativa explica porque não venceu o défice no governo de Barroso; que aquele governo não tinha um projecto de reforma do Estado; que o excesso de despesa pública origina inflação e é a inflação que obriga as taxas de juro serem altas, tornando o euro caro e travando a economia, num círculo vicioso que se tornou uma grande bola de neve.
Só desta forma, matando o défice pela raiz, pela despesa, ela se diferencia de Sócrates. Apenas desta forma, pode prometer descida de impostos, desregulamentação da economia, do mercado de trabalho, arrendamento e por aí fora. Só desta forma, se apresenta com um projecto sério, distinto, alternativo e, o que é indispensável para vencer, entusiasta e combativo. Para tal, não chega o sacrifício. Tem de dizer que quer ficar.
“é a inflação que obriga as taxas de juro serem altas”
!!!
Eu o que observo é que as taxas de juro se mantêm consistentemente abaixo da inflação.
A frase citada acima era correta aqui há uns 30 anos atrás. Hoje em dia, as taxas de juro são largamente independentes da inflação.
Comentário por Luís Lavoura — Maio 6, 2008 @ 13:44
“A frase citada acima era correta aqui há uns 30 anos atrás. Hoje em dia, as taxas de juro são largamente independentes da inflação.”
Isto merece constar nos rankings do disparate.
Comentário por Miguel — Maio 6, 2008 @ 15:54
“Ferreira Leite diz que está na corrida para salvar o PSD”… de uma derrota estrondosa em 2009
Comentário por J. Ribeiro — Maio 6, 2008 @ 15:57
Já toda a gente percebeu que Ferreira Leite é mais do mesmo.
Comentário por J. Ribeiro — Maio 6, 2008 @ 16:00
Manuela Ferreira Leite nunca teve foi direito ao seu período de graça. Chegou às finanças quando estas estavam uma desgraça e, por leadade para com o projecto que integrava, afirmou-se como figura dianteira de uma serie de decisões tão necessárias quanto impopulares. Não conseguiu terminar a implementação das medidas que começou.
E todos nos lembramos dos cortes que fez, mas ninguém se lembra da negociação através da qual MFL conseguiu que Portugal não fosse sancionado por incumprimento do PEC, o que equivaleria ao pagamento de pesadíssimas multas.
Há que não ter memória selectiva.
Comentário por joperoans — Maio 6, 2008 @ 16:56
“Manuela Ferreira Leite nunca teve foi direito ao seu período de graça.”
Lembro o joperoans que quando MFL chegou ao governo para ser ministra das finanças de Durão Barroso já não era propriamente uma neófita em termos de responsabilidades governativas…
Comentário por João Luís Pinto — Maio 6, 2008 @ 17:58