Reconhecimento
Os políticos de vários países europeus que têm vindo a queixar-se de que o Banco Central Europeu (BCE) estava a prestar muito pouca atenção ao crescimento económico, estão agora a começar a apoiar as políticas da instituição liderada por Jean-Claude Trichet, uma vez que os temores sobre o aumento dos preços está a afectar os rendimentos dos eleitores.

Só revela que “Os políticos de vários países europeus…” percebem tanto de economia como eu de “lagares de azeite” (e de economia).
Se as politicas do BCE se destinam a impedir a inflação em desfavor do crescimento, como é que aumentando a 1ª e diminuindo o 2º, essas politicas ainda merecem algum reconhecimento ?
Isto pergunto eu que não percebo mesmo nada disto…
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Comentário por Mentat — Maio 5, 2008 @ 1:36 pm
Espeto bem que seja como a notícia refere…
Comentário por André Azevedo Alves — Maio 5, 2008 @ 1:58 pm
“Se as politicas do BCE se destinam a impedir a inflação em desfavor do crescimento”
Mentat,
A falácia keynesiana de que é possível gerar crescimento através do expansionismo monetário é das mais perigosas que existe. Ainda bem que o BCE parece só parcialmente ter sucumbido a essa prática.
Comentário por André Azevedo Alves — Maio 5, 2008 @ 1:59 pm
Há que reconhecer que a inflação e a estagnação afetam classes diferentes de pessoas.
A estagnação económica afeta sobremaneira os desempregados que não conseguem encontrar emprego.
A inflação afeta sobremaneira as pessoas que vivem de rendimentos fixos (pensões, rendas).
Neste sentido, escolher entre uma e outra corresponde também a escolher entre favorecer uma classe social e a outra.
É como a lei laboral: se ela é mais rígida, favorece os trabalhadores com contrato sem termo mas desfavorece os desempregados. Escolher entre uma lei laboral mais rígida e outra mais flexível corresponde a escolher entre favorecer uns ou os outros.
Comentário por Luís Lavoura — Maio 5, 2008 @ 2:32 pm
Aconselho o Luís Lavoura a ler este artigo
Comentário por Miguel — Maio 5, 2008 @ 3:05 pm
A inflação prejudica os sectores da economia que mais tarde reagem à criação de nova moeda.
Os beneficiados são quem em primeiro lugar recebe e utiliza as novas quantidades de moeda.
A quantidade de moeda não faz nada pelo crescimento económico.
Com a revolução industrial e durante o séc. 18 e 19, os preços desceram. Esta é a evidência empírica.
Quanto à evidência lógica a priori:
Todo o crescimento económico resulta em descida de preços. Por isso é que as mesmas horas de trabalho médio compram cada vez mais produtos e serviços.
Comentário por CN — Maio 5, 2008 @ 5:04 pm
Os americanos têm alguma razão em preferir inflação a deflação. Comparando as crises de 1929 e 1973, parece-me que a segunda teve consequências sociais menos gravosas.
Não vejo bom futuro para a economia europeia. O consumidor europeu está quase tão falido como o americano, se por sobre isso as taxas de juro apertam o orçamento do consumidor, a deflação será um resultado expectável. É preciso não esquecer que há muito de especulativo nesta mais recente escalada de preços dos produtos do sector primário. E é muito arriscado especular assim, a procura de produtos de primeira necessidade, limitada pelo encolhimento dos orçamentos das famílias mais pobres, pode tombar precipitadamente.
Comentário por J. Teixeira — Maio 5, 2008 @ 6:08 pm
A descida de preço é por norma o resultado do crescimento económico (se a quantidade de moeda fosse fixa isso seria perfeitamente visível).
O que é mesmo penoso é a destruição de moeda por falências bancárias, que causa a descida dos preços nominais.
Mas a possibilidade de destruição de moeda só existe num sistema de reservas parciais onde a concessão de crédito é realizada por criação monetária.
E foi isso que aconteceu na Grande Depressão. o FED foi criado em 1913 e assim a totalidade de moeda papel emitida excedia já em muito o ouro físico que era suposto representar (o que em si, representa uma fraude no domínio civil, mas adiante).
Isso conduziu a que com a recessão inevitável (que representa a cura, não a doença) os bancos tivessem de entrar em falência dado não conseguirem entregar o ouro a que estavam legalmente obrigados. E isso faz diminuir a quantidade de moeda e assim os preços.
Ainda assim, este processo se fôr não intervencionado é o meio pelo qual a economia rápidamente restabelece o equilíbrio. A Grande Depressão foi grande por causa de todo o New Deal que impediu que este processo tivesse lugar.
Portanto, é preciso distinguir entre descida de preços causado pelo crescimento económico, com descida de preços por contração da quantidade de moeda (coisa só possível pelo intervencionismo estatal que estabelece as reservas parciais e incentiva o crédito por pura criação monetária em vez de poupança prévia).
Comentário por CN — Maio 5, 2008 @ 9:14 pm
Caro AAA
Eu EFECTIVAMENTE não percebo nada de macroeconomia, por isso não percebo porque é que estando o BCE a “comportar-se tão bem”, isso não se traduz em resultados melhores.
Mas também não me parece que vai ser aqui me explicam…
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Comentário por Mentat — Maio 6, 2008 @ 12:00 am
“por isso não percebo porque é que estando o BCE a “comportar-se tão bem”, isso não se traduz em resultados melhores.”
Atendendo aos gravíssimos problemas estruturais da economia europeia (muito mais do que, por exemplo, a dos EUA), acho que os resultados até agora têm sido bastante razoáveis.
Isto dito, o BCE também é inflacionista, embora felizmente pareça até agora resistir às piores loucuras e irresponsabilidades keynesianas.
Comentário por André Azevedo Alves — Maio 6, 2008 @ 12:09 am
O BCE acabou de colocar (criar moeda) 150 000 milhões de Euros o sistema bancário.
Para os mais atentos, acho muito dificil que tais montantes venham ser pagos pelos bancos, e isso obrigará o BCE e FED a comprarem os activos (crédito à habitação) em vez de os financiarem consecutivamente (rollover) em novos prazos.
Bem vindo ao mravilhoso mundo da criação de moeda para comprar/nacionalizar activos por uma entidade estatal (os BCs).
Comentário por CN — Maio 6, 2008 @ 12:16 pm