O 25 de Abril: ignorância ou preocupação? Por André Abrantes Amaral.
É assim que o regime que saiu do 25 de Abril é hoje um regime triste, que nos deixa uma herança pesada: Uma constituição socialista e um Estado omnipresente. Omnipresente na lei do arrendamento urbano; na lei laboral; numa conhecida lei do tabaco, que interfere no direito de propriedade; na banca, sendo dono da Caixa Geral de Depósitos; detendo o capital de imensas empresas, como sejam a CP, a ANA, a Carris e a RTP. Mais grave que tudo, um Estado que acredita ser a obra pública o motor da economia, quando a obra pública desenfreada só leva à desigualdade e cria inflação, que é um imposto e, por nunca ser igual nos produtos e variar de lugar para lugar, cria ainda mais desigualdade.
Não deixa de ser irónico que a geração do 25 de Abril, que lutou contra o Estado autoritário, nos esteja a esmagar com um Estado pesado. Tão pesado que uma grande parcela da nossa vida, do tempo dispendido no nosso trabalho seja para o pagar e não para levarmos dinheiro para casa. Na verdade, hoje não temos um Estado autoritário. Temos um Estado esmagador. Um Estado, também ele, e à sua maneira, presente ao virar de cada esquina.
O problema não é que se ignore o 25 de Abril. É a desilusão, o facto de a maioria da população não se rever no regime que saiu daquele dia em 1974. Mais do que agradecidas com os homens pomposos que discursaram no Parlamento, as pessoas estão preocupadas. É este problema, este problema muito concreto que é grave e merece solução atempada.
Leitura complementar: A mitologia das “conquistas do 25 de Abril”; A mitologia das “conquistas do 25 de Abril” (2); Os “valores” de “Abril” e o totalitarismo interrompido (3); Recordar os prisioneiros políticos do pós 25 de Abril; O “25 de Abril” e a liberdade de expressão em Portugal; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa.
Eu diria que o facto de “a CP, a ANA, a Carris e a RTP” pertencerem ao Estado nada tem a ver com o 25 de Abril. Em praticamente todos os países da Europa civilizada os combóios, os aeroportos, algumas empresas de transporte metropolitano, e uma estação de televisão pertencem ao Estado. Com ou sem 25 de Abril!
Comentário por Luís Lavoura — Maio 6, 2008 @ 10:12