Tal como muitas outras pessoas fundamentalmente boas, o ex-primeiro-ministro e actual alto-comissário da ONU para os refugiados, António Guterres, tem uma quota parte de responsabilidade pela desgraça que aflige muita gente mundo fora. Ao propagar a ideia de que «o fosso entre ricos e pobres é um dos problemas mais dramáticos da globalização», ele está a contribuir para o verdadeiro problema. A globalização não causa o fosso; ela torna mais evidente que quem fica fora dela sai a perder. Quando os paises pobres que abrem as suas fronteiras à globalização vêem o seu nível de vida aumentar face aos que não abriram, a conclusão não deve ser que o sistema prejudica os últimos. O que prejudica os últimos é o seu alheamento do mundo. A globalização tem sido inegavelmente o movimento que mais gente retirou da pobreza na história.
A confusão entre os seus sentimentos face aos antigos amigos de “pé descalço” e aqueles despertados pelos povos que são mantidos na miséria por líderes cleptrocratas e/ou incompententes é injustificável. Ajudar o amigo “descalço” está directamente ao seu alcance; ajudar o mundo já não; especialmente quando essa ajuda passa por ilibar os abutres que estão no poder em alguns paises desviando a atenção da verdadeira causa da sua pobreza.