O Insurgente

Maio 3, 2008

A mitologia das “conquistas do 25 de Abril”

Arquivar em: Comentário, Educação, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 01:49

Dada a quase hegemonia da esquerda nos media e no sistema educativo (com um peso desproporcional da extrema-esquerda), não é de estranhar que os mitos que associam o golpe militar de 25 de Abril de 1974 à melhoria das condições de vida nas últimas três décadas continuem a ser difundidos.

Mas creio que a tendência será para que, gradualmente, se acentue o descrédito desse tipo de propaganda, especialmente nos casos mais extremos (como este ou este) em que só falta creditar o 25 de Abril pela invenção da Internet (o que seria uma evidente injustiça para Al Gore…).

O olhar mais distanciado e objectivo que já vai sendo possível detectar (mesmo à esquerda) em algumas perspectivas sobre Salazar e o crescente interesse sobre o extraordinário desempenho da economia portuguesa entre 1960 e 1973 poderão ser sinais de que o culto da carga associado ao golpe militar de 25 de Abril de 1974 – pelo menos nas suas formas mais primárias e historicamente desleixadas – não vai ter grande futuro.

25 de Abril e o culto da carga. Por João Miranda.

Rui Tavares, na busca daquilo que o 25 de Abril fez por nós encontrou, entre outras, a universalização das pensões de reforma, a generalização das férias pagas e o Serviço Nacional de Saúde. Esqueceu-se do iô-iô, do cubo mágico, das Doce e das cassetes do Tomás Taveira, tudo modas que apareceram depois do 25 de Abril, e que portanto lhe devem ser atribuídas.

25 de Abril e o culto da carga II. Por João Miranda.

O 25 de Abril não gerou portugueses mais inteligentes, nem mais cultos, nem criou o capital necessário para fazer hospitais e maternidades. Antes pelo contrário. Criou a ilusão, ainda em voga, de que o desenvolvimento não requer nem esforço, nem trabalho, nem estudo, nem poupança. Criou a ilusão de que o desenvolvimento é um direito que os governos atribuem por decreto.

7 Comentários »

  1. Jon Stewart, do Daily Show revela-nos, com uma excelente dose de humor, as capacidades proféticas de George W. Bush.

    Jon Stewart: Inventei um novo jogo! Pegamos numa previsão feita pelo presidente Bush do que pode acontecer se fracassarmos no Iraque e substituímos por um alerta do que pode acontecer se invadirmos o Iraque. Vamos experimentar: se invadirmos o Iraque…

    Bush: Isso incentivaria outros extremistas no Médio Oriente.

    Jon Stewart: Se invadirmos o Iraque…

    Bush: O Irão iria tentar preencher o vazio deixado no Iraque.

    Jon Stewart: Se invadirmos o Iraque…

    Bush: Os Talibãs no Afeganistão e a Al-Qaeda no Paquistão aumentariam a sua confiança e a sua ousadia.

    Jon Stewart: Extraordinário! Assim até parece que ele consegue ver o presente. Talvez se gritarmos bem alto, ele oiça em 2003.

    Vídeo legendado em português

    Comentário por Diogo — Maio 3, 2008 @ 11:50

  2. Hoje, nas pesquisas sobre o culto de carga, dei de caras com esta pagina: o Culto de Carga Americano

    http://klausler.com/cargo.html

    Vejo que ha’ aqui muita coisa que se pode aplicar aos Portugueses…

    Comentário por Pedro Beirao — Maio 3, 2008 @ 13:57

  3. Outra posta bastante interessante: Cargo Cult Politics:

    http://www.settingtheworldtorights.com/node/49

    Aqui vai um excerto para os liberais ca’ da casa:

    “Many dictatorships nowadays have elections and parliaments that ape the form of Western liberal democracy with embarrassing crudeness, while behind the scenes people are beaten and tortured and the ballot papers only have one name on them. Socialist governments think that if only they order the construction of factories and hospitals and employ doctors and teachers, just as free people would in a free economy, they can achieve what free economies do – only better, because after all, it’s fairer isn’t it?

    Some libertarians think that a free market and small government (or no government) are the sole criteria of a free society (and so many of them blithely force their children to go to school, do chores, and generally obey their every whim). Such people are best described as libertarian statists, partly because it annoys them, but mainly because they are convinced that it is the malevolent State, rather than bad authoritarian ideas and lack of knowledge, that is the basic obstacle to human progress. So they want to mimic the form of a future society in the hope that the substance will magically follow.”

    Comentário por Pedro Beirao — Maio 3, 2008 @ 14:34

  4. [...] Independentemente de tudo de bom e de mau que o 25 de Abril trouxe, é impressionante que haja quem tem que lhe atribuir propriedades mágicas, para o engrandecer. Porventura, discordo, não haverá suficientes aspectos positivos naquilo que realmente nos trouxe o golpe de estado? Por exemplo, onde está «a extraordinária diminuição da mortalidade infantil» Valerá a pena consultar estes dois gráficos para perceber que (e desconheço a razão), a partir de 1960 foi acentuado o decréscimo na mortalidade infantil e nos sobreviventes aos cinco anos de idade. Esse decréscimo não foi acelerado – nem travado – pelo 25 de Abril; aliás, está para saber que novidades trouxe o 25 de Abril em termos de acesso da população à saúde – se os trouxe, nesta matéria foram desnecessários… Vale a pena insistir: o 25 de Abril durou um dia e foi bom, acabou com a ditadura e trouxe nos algumas liberdades. Mas durou um dia, e o que veio a seguir foi o que se viu. Seja como for, é sintomático que se lhe tenha que atribuir consequências quase sobrenaturais para o defender… (Ler também, e isto.) [...]

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