vou ali comer o meu vizinho e volto já para continuarmos a discutir hayek
Obviamente que não chega a uma decisão ser absolutamente individual, sem aparentes consequências directas sobre terceiros, para que ela possa ser completamente livre. Há coisas que não se fazem. Por exemplo, comer o vizinho (falando literalmente e não em sentido figurativo, note-se), matar a prima, enforcar a avó, pontapear o primo paralítico, dar cabeçadas na madrinha anoréctica. Ainda que com o consentimento dos visados e dentro de quatro paredes para ninguém ser afectado. O liberalismo tem valores, princípios, é tradicionalista (evolucionista) e obedece a um código moral cujas normas resultam da selecção espontânea dos procedimentos mais convenientes à espécie (a humana e não a canibal, frise-se). Decididamente, comer os miolos ao meu vizinho não é um procedimento que se compreenda na tradição liberal. É bom que os liberais comecem a compreender que isto tem regras e não é a casa da Joana, sob pena das coisas serem ininteligíveis.


O Dr Lecter pedia licença antes de comer cérebros e fígados?
Quanto ao post, um dos princípios do “liberalismo” não é a autonomia individual e a propriedade absoluta sobre o corpo.
E já agora, Rui A., Hayek não é Deus.
Comentário por Filipe Abrantes — Abril 30, 2008 @ 2:11 am
“Quanto ao post, um dos princípios do “liberalismo” não é a autonomia individual e a propriedade absoluta sobre o corpo.”
retirar o “não” antes de autonomia.
Comentário por Filipe Abrantes — Abril 30, 2008 @ 2:38 am
Não é o evolucionismo que faz o liberalismo. A tradição não concebe uma verdade.
O evolucionismo é uma outra forma de dizer que se os direitos para serem direitos têm de ser universais, a sua aplicação deve ser localizada no espaço e no tempo.
O evolucionismo parece pôr de lado a necessidade de usar a razão ou a filosofia para inquirir sobre verdades.
O mesmo em relaçao à “selecção espontânea”.
Os valores cristão para aparecerem tiveram de ter um Jesus Cristo que de certa forma combateu a “evolução” verificada (contra o judaismo tradicional, etc).
“Evolução/espontâneo” não anula o uso da razão (ou da fé) para mudar a evolução e espontâneo do momento.
Comentário por CN — Abril 30, 2008 @ 9:22 am
Já agora, a discussão do Rui A não se palica à Eutanásia?
Matar com o consentimento de?
É preciso semrpe ter em conta a diferneça entre Moral e Ética.
O direito natural concede o direito a consumir e vender droga, consumir e vender prostituição, matar com o consentimento da vitima, etc.
Mas podemos considear tudo actos imorais.
O incentivo da moral e desincentivo da imoralidade é feito através da inclusão versus exclusão-discriminação privada.
Já os actos contra o direito natural (não voluntáriamente cedidos) são crimes e dão lugar à restituiçao/indemnização (no mínimo e prioritáriamente).
Comentário por CN — Abril 30, 2008 @ 9:28 am
“Há coisas que não se fazem. Por exemplo, comer o vizinho (falando literalmente e não em sentido figurativo, note-se), matar a prima, enforcar a avó, pontapear o primo paralítico, dar cabeçadas na madrinha anoréctica.”
O Rui A. inclui aí aqueles campeonatos de arremesso de anões (que parece que se fazem nalguns bares dos EUA)? E, já agora, um combate de boxe?
Comentário por Miguel Madeira — Abril 30, 2008 @ 10:52 am
O que me impede de comer os miolos do meu vizinho com a autorização deste acho que é mais o conservadorismo do que o liberalismo…?
Comentário por Ricardo Sebastião — Abril 30, 2008 @ 12:47 pm
Eutanásia
Aborto
Sado-maso
Orgias
e etc…
A moral é um julgamento sobre aquilo que as pessoas têm o direito natural de fazer.
A via própria para os julgamentos morais é a prática de discriminação privada (ou inclusão), não só a social (apontar o dedo, não se relacionar com, etc) como restrições nos condomínios ou empresas nos contratos, etc.
Comentário por CN — Abril 30, 2008 @ 1:47 pm