O Insurgente

Abril 30, 2008

vou ali comer o meu vizinho e volto já para continuarmos a discutir hayek

Arquivar em: Comentário, Cultura, Política, Teoria — ruialbuquerque @ 01:38

Obviamente que não chega a uma decisão ser absolutamente individual, sem aparentes consequências directas sobre terceiros, para que ela possa ser completamente livre. Há coisas que não se fazem. Por exemplo, comer o vizinho (falando literalmente e não em sentido figurativo, note-se), matar a prima, enforcar a avó, pontapear o primo paralítico, dar cabeçadas na madrinha anoréctica. Ainda que com o consentimento dos visados e dentro de quatro paredes para ninguém ser afectado. O liberalismo tem valores, princípios, é tradicionalista (evolucionista) e obedece a um código moral cujas normas resultam da selecção espontânea dos procedimentos mais convenientes à espécie (a humana e não a canibal, frise-se). Decididamente, comer os miolos ao meu vizinho não é um procedimento que se compreenda na tradição liberal. É bom que os liberais comecem a compreender que isto tem regras e não é a casa da Joana, sob pena das coisas serem ininteligíveis.

8 Comentários »

  1. O Dr Lecter pedia licença antes de comer cérebros e fígados?

    Quanto ao post, um dos princípios do “liberalismo” não é a autonomia individual e a propriedade absoluta sobre o corpo.

    E já agora, Rui A., Hayek não é Deus. ;)

    Comentário por Filipe Abrantes — Abril 30, 2008 @ 02:11

  2. “Quanto ao post, um dos princípios do “liberalismo” não é a autonomia individual e a propriedade absoluta sobre o corpo.”

    retirar o “não” antes de autonomia.

    Comentário por Filipe Abrantes — Abril 30, 2008 @ 02:38

  3. Não é o evolucionismo que faz o liberalismo. A tradição não concebe uma verdade.

    O evolucionismo é uma outra forma de dizer que se os direitos para serem direitos têm de ser universais, a sua aplicação deve ser localizada no espaço e no tempo.

    O evolucionismo parece pôr de lado a necessidade de usar a razão ou a filosofia para inquirir sobre verdades.

    O mesmo em relaçao à “selecção espontânea”.

    Os valores cristão para aparecerem tiveram de ter um Jesus Cristo que de certa forma combateu a “evolução” verificada (contra o judaismo tradicional, etc).

    “Evolução/espontâneo” não anula o uso da razão (ou da fé) para mudar a evolução e espontâneo do momento.

    Comentário por CN — Abril 30, 2008 @ 09:22

  4. Já agora, a discussão do Rui A não se palica à Eutanásia?

    Matar com o consentimento de?

    É preciso semrpe ter em conta a diferneça entre Moral e Ética.

    O direito natural concede o direito a consumir e vender droga, consumir e vender prostituição, matar com o consentimento da vitima, etc.

    Mas podemos considear tudo actos imorais.

    O incentivo da moral e desincentivo da imoralidade é feito através da inclusão versus exclusão-discriminação privada.

    Já os actos contra o direito natural (não voluntáriamente cedidos) são crimes e dão lugar à restituiçao/indemnização (no mínimo e prioritáriamente).

    Comentário por CN — Abril 30, 2008 @ 09:28

  5. “Há coisas que não se fazem. Por exemplo, comer o vizinho (falando literalmente e não em sentido figurativo, note-se), matar a prima, enforcar a avó, pontapear o primo paralítico, dar cabeçadas na madrinha anoréctica.”

    O Rui A. inclui aí aqueles campeonatos de arremesso de anões (que parece que se fazem nalguns bares dos EUA)? E, já agora, um combate de boxe?

    Comentário por Miguel Madeira — Abril 30, 2008 @ 10:52

  6. O que me impede de comer os miolos do meu vizinho com a autorização deste acho que é mais o conservadorismo do que o liberalismo…?

    Comentário por Ricardo Sebastião — Abril 30, 2008 @ 12:47

  7. Eutanásia
    Aborto
    Sado-maso
    Orgias

    e etc…

    A moral é um julgamento sobre aquilo que as pessoas têm o direito natural de fazer.

    A via própria para os julgamentos morais é a prática de discriminação privada (ou inclusão), não só a social (apontar o dedo, não se relacionar com, etc) como restrições nos condomínios ou empresas nos contratos, etc.

    Comentário por CN — Abril 30, 2008 @ 13:47

  8. [...] dois últimos artigos de Rui de Albuquerque (1, 2) fica, quanto a mim, bem patente um dos grandes perigos que emerge da tese do direito natural como [...]

    Pingback por Misturas explosivas « O Insurgente — Julho 6, 2009 @ 16:28


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