O Estado Falha Na Mais Básica Das Suas Responsabilidades. Por Bruno Alves.
O sentimento de impunidade dos criminosos irá crescer, aumentando a criminalidade, tal como o sentimento, por parte dos cumpridores da lei, de que o melhor para eles é não ajudar a penalizar os que não a cumprem: fazer uma queixa, testemnuhar contra um criminoso, é pôr a sua própria segurança em risco, em qualquer lugar. Na mais básica das suas responsabilidades, o Estado falhou. Só não é uma má notícia para quem vive à margem da lei.
Leitura complementar: (In)Segurança Pública; (In)Segurança Pública (2); (In)Segurança Pública (3).
“testemnuhar contra um criminoso, é pôr a sua própria segurança em risco”
Isto é em geral verdade. Sempre que há um desastre de viação com vítimas as testemunhas desaparecem num ápice. É impossível encontrar uma pessoa que diga que presenciou o desastre e que viu o automobilista que vinha depressa de mais e passou a ferro o peão na passadeira. A cumplicidade com o crime é generalizada.
Eu uma vez fui vítima de assalto por um grupo de rapazolas na via pública. Era de dia e no meio da cidade. A dez metros de distância, um bar onde diversas senhoras tomavam chá na esplanada e homens lá dentro bebiam cervejas. Mais adiante, um stand de automóveis, à porta do qual o vendedor conversava com um cliente. Pus-me a gritar por socorro. “Socorro, socorro, socorro”, gritei bem alto. NINGUÉM se mexeu. E quando mais tarde os interpelei, ainda gozaram comigo.
Povo que se porta assim, só merece a sorte que tem.
Comentário por Luís Lavoura — Abril 29, 2008 @ 13:41