Haverá sangue? Por Rui Ramos.
Seja qual for o novo chefe, cumprir-se-á a praxe do entusiasmo inicial — como se cumpriu com Menezes. Os imaginativos hão-de conseguir ver Sócrates, com a ajuda da “crise”, já diminuído ou até apeado – como também conseguiram ver com Menezes. Sobreviverão essas esperanças – como não sobreviveram com Menezes?
Talvez não, e por duas razões. Em primeiro lugar, porque o PSD continua a tentar responder à mesma pergunta do PS (como conjugar o modelo social com a competitividade?) – e está, por isso, condenado a chegar a uma resposta mais ou menos semelhante. Ora, não podendo dizer, no fundo, que fará diferente, também não conseguirá convencer ninguém, devido ao seu passado, de que fará melhor. Sem uma catástrofe, Teixeira dos Santos vencerá sempre Ferreira Leite. Em segundo lugar, porque quanto mais credível uma liderança do PSD, mais o PS poderá suscitar voto útil à esquerda. O que perder num lado, ganhará no outro. Daí que, muito provavelmente, um PSD reforçado seja uma notícia pior para Louçã e Jerónimo do que para Sócrates.
Leitura complementar: Sócrates e o contexto político português: o problema mais grave não está no centro-esquerda; O que distingue hoje o PSD do PS ?; O que distingue hoje o PSD do PS ? (2).