A reforma da Pemex e a esquerda anacrónica

Infelizmente, não é só na América Latina que essa esquerda anacrónica tem demasiado protagonismo: Dogmas que impedem o desenvolvimento. Por CMC.

A Pemex é das poucas petrolíferas mundiais que se encontra em mãos totalmente estatais e a sua não reforma, ou seja, a não abertura ao sector privado, que permita resgatar a empresa do estado degradante em que se afunda, conduz a grandes perdas para o México e nós, como consumidores do ouro negro, também ficamos a perder.

Há uma certa esquerda anacrónica, e na América Latina esta tem demasiado protagonismo, que se agarra a dogmas e princípios desfasados e que em nada contribuem para o desenvolvimento. Como se constata, a manutenção da actual situação só tem consequências negativas para todos. Desde logo, para os mexicanos.

About these ads

18 thoughts on “A reforma da Pemex e a esquerda anacrónica

  1. Desde México le manifiesto que el anacronismo de la izquierda mexicana es tal que desde 1938 no se daba un movimiento social tan amplio en defensa de los recursos energéticos propiedad de todo el pueblo de México y de la soberanía nacional. Y por si no lo sabe, la mayor parte de los países productores de petróleo está pugnando por nacionalizar al 100% sus recursos energéticos y específicamente el petróleo, por considerarse estratégico y palanca del desarrollo. Posiblemente a usted la izquierda moderna es aquella que está a favor de que nuestros países sean subordinados de las poderosas empresas trasnacionales estadounidenses y europeas.
    J. Enrique Olivera Arce
    pulsocritico.com

  2. Agora deu-lhes para falar da PEMEX.

    Por que motivo não falam da Saudi Aramco, uma empresa petrolífera que se encontra inteiramente em mãos estatais?

  3. Quem se encontra num estado degradante são algumas empresa petrolíferas privadas, que dispõem de muito menos reservas petrolíferas para explorar do que aquelas que diziam possuir. A Shell, po exemplo. E a Total, também. Andam por aí aos caídos, a explorar todo o pequenino poço a que conseguem deitar a mão. E, naturalmente, têm inveja da PEMEX e da Saudi Aramco, já para não falar da Gazprom. Gostariam de deitar a mão às reservas petrolíferas desses países, pois gostariam. E bem precisavam…

  4. Essa das “reservas petroliferas” serem “dos países” é excelente. Pensa o mesmo relativamente aos restantes recursos naturais?

  5. A PEMEX está de rastos porque a produção petrolífera Mexicana está em declínio, passaram o “El pico petrolifero”. O maior campo petrolífero Mexicano, Cantarell, está em declínio acentuado.
    Dizer que a culpa é da PEMEX por ser uma companhia estatal é redutor. Basta atentar nos casos da produção dos EUA e do Reino Unido, regiões abertas às empresa privadas e dispondo das melhores tecnologias, não evitaram o pico petrolífero e o posterior declínio das suas produções em 1970 e 2001 respectivamente. Aliás, o Reino Unido produziu grande parte do seu petróleo no Mar do Norte durante um período de preços historicamente baixos, bad luck i guess.
    É lógico que uma das consequências da proximidade do peak oil é a nacionalização dos recursos e possivelmente “hoarding” dos recursos significativos restantes. Quer os free marketeers (onde por príncipio me incluo) gostem ou não gostem.
    O “blame game” está a aquecer.

  6. “O LL parece gostar bastante do estatismo.”

    Não é que goste. Mas também não gosto desta conversa de dizer mal de empresas só por elas serem estatais, e sobretudo não gosto de andarem a meter o nariz nas empresas de outros países. O México é um país independente e tem a sua petrolífera estatal, e eu, como português, só tenho que aceitar esse facto e não me meter a insultar e a dizer mal dessa empresa só por ela ser estatal.

    Além disso, o facto concreto é que as empresas privadas de petróleo fazem tantas burrices como as estatais. Por exemplo a BP, que se tem fartado de perder petróleo devido a fugas nas canalizações em Prudhoe Bay. E, como disse o comentário anterior, o problema do México, e da Venezuela, e doutros países, não consiste em as empresas serem privadas, consiste em o petróleo estar em declínio. Coisa que também acontece em países onde o petróleo é explorado por empresas privadas, por exemplo os EUA (exceto o Alasca) e o RU.

    Já agora, e a Noruega? A sua empresa petrolífera Statoil não será também ineficiente e a precisar de ser privatizada? Ide lá dizer isso…

  7. Se não se sente bem em comentar assuntos de outros países o problema é seu.

    Nunca disse que as empresas privadas não cometem erros. São é, por regra, bastante mais eficientes que as públicas e quando cometem erros não somos todos obrigados a pagar (veja-se o caso da TAP, por ex). É claro que devido às intimas relações com o poder, existem empresas ditas privadas que mais não são que empresas públicas (ex: PT)

    E não respondeu à questão acerca dos recursos naturais.

  8. “quando cometem erros não somos todos obrigados a pagar”

    Mas, precisamente, quando a PEMEX comete erros, o Miguel (e eu) não somos obrigados a pagar. Pois não? Logo, não temos nada a ver com o caso!

    Sobre os recursos naturais: eu penso que os recursos naturais, pelo menos os do subsolo, são dos países. Essa é de facto a regra na maior parte dos países, havendo exceções (nos EUA os recursos do subsolo pertencem a quem detem o solo, segundo julgo saber). É essa também a regra em Portugal. O país, através do Estado, concessiona a exploração desses recursos naturais a empresas, desse país ou estrangeiras, estatais ou privadas. É assim que se faz em Portugal, e eu acho que está correto. O Miguel não acha?

  9. Já agora: a TAP, atualmente, dá lucro. E todos ganhamos com isso!!! É uma vantagem das empresas estatais: quando dão lucro, todos ganhamos com isso. Incluindo eu, que praticamente nunca ando de avião…

  10. “Incluindo eu, que praticamente nunca ando de avião…”

    LL, quando receber os dividendos avise. Eu também quero. Já agora, qual será taxa de retenção?

  11. “Mas, precisamente, quando a PEMEX comete erros, o Miguel (e eu) não somos obrigados a pagar. Pois não? Logo, não temos nada a ver com o caso!”

    Como disse mais acima. Se não se sente à vontade para comentar esses assuntos o problema é seu.

    “O Miguel não acha?”

    Não. Não vejo porque razão seja um caso diferente.

  12. “Já agora: a TAP, atualmente, dá lucro”

    Depois de inúmeros anos a dar prejuizos.
    Se fosse uma empresa privada não teria sido obrigado a pagá-los. E como diz o Hélder, já recebeu os dividendos?

  13. Miguel e Hélder, não recebi os dividendos dos lucros da TAP, tal como, quando ela dava prejuízo, também nunca recebi nenhuma fatura para pagar por eles. Pela mesmíssima razão: porque esses lucros e esses prejuízos estão escondidos no orçamento geral do Estado, e só indiretamente afetam os meus impostos. Mas afetam!!!

  14. Na verdade o petróleo é um fetiche mundial. Eu moro aqui no México e tenho vivido isso todos os dias. Bem disse o Miguel quando perguntou a respeito dos outros recursos minerais. Finitos por finitos, todos são finitos, seja o cobre, o ferro, a cal ou o petróleo. Por que tanto fetiche com o petróleo?

    A questão privada ou estatal tem muito mais a ver com a eficiência que com a propriedade, e no caso de nós latinos (de querem, iberoamericanos), onde há estado há incompetência e adicionalmente corrupção.

    A Pemex é um antro de corrupção. É simplesmente impossível fazer negócios com eles sem que um funcionário não condicione em algum momento o realização com o pagamento de propinas (PDVSA idem!).

    os mexicanos ainda são muito ingênuos em achar que a Pemex lhes pertence. No máximo pertence aos funcionários e sindicatos (que arbitram os próprios salários) e aos políticos clientelistas. Aqui acham perfeitamente correto que a Pemex importe 40% da gasolina que vende e os usuários paguem preços abaixo do mercado. Realmente creio que o “rent seeking” faz parte do nosso DNA!

  15. “Mas, precisamente, quando a PEMEX comete erros, o Miguel (e eu) não somos obrigados a pagar. Pois não? Logo, não temos nada a ver com o caso!”

    Que falta de solidariedade para com o povo mexicano. É por estas e por outras que não auguro grande futuro ao humanismo laicista…

  16. “Já agora: a TAP, atualmente, dá lucro”

    Com algumas ajudinhas do Estado…

  17. En el caso de México, debe considrarse su situación geopolítica para entender por qué la necesidad de defensa de los recursos naturales del subsuelo, que Constitucionalmente son del dominio exclusivo de la Nación. A diferencia de Brasil, por ejemplo, somos vecinos de los Estados Unidos de Norteamérica. Privatizar a la petrolera PEMEX, equivale a abrirle la puerta a las petroleras norteamericanas, cediendo territorio y soberanía, con todo lo que ello implica.
    El pueblo de México puede ni debe olvidar olvidar la historia.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s