O Insurgente

Março 27, 2008

O Iraque, o anti-americanismo e o desejo do desastre

Arquivado como: Internacional, Política — André Azevedo Alves @ 4:33 pm

O estilo de Mr. Burchett triunfou no Iraque. Por Helena Matos.

Não sei a que conclusões chegarão aqueles que, dentro de alguns anos, vasculharem as notícias produzidas nos últimos cinco anos sobre o Iraque. Mas espero sinceramente que o sentimento seja semelhante à perplexidade que hoje se experimenta quando se lêem os textos dos anos 50 a 70 sobre o desastre da Coreia, o povo mártir da Coreia e o genocídio da Coreia. Ao contrário daquilo que, em 2008, se possa supor não me estou a referir à Coreia do Norte mas sim à Coreia do Sul, então consensualmente vista como uma vítima do imperialismo norte-americano. Nesses tempos o mundo não só desenhava em cores mais definidas como o apelo à derrota do imperialismo norte-americano (e também dos imperialismos europeus) era acompanhado do anúncio dum futuro radioso para os povos libertados.

Hoje talvez nos façam sorrir, incrédulos, as descrições feitas por jornalistas como Richard Dudman sobre a alegria, a liberdade e a superioridade moral existentes entre os khmers vermelhos do Camboja. Isto para já não falar sobre a liberdade, a abundância e o fulgurante crescimento tecnológico da Coreia do Norte entrevistos por Wilfred Burchett e devidamente relatados em jornais e livros de grande sucesso e na época tidos como verosímeis.

(…)

Hoje quando se pede a retirada das forças da coligação que invadiu o Iraque está contrapor-se o quê para aquele país? Para lá do gozo que alguns terão em ver novamente os marines regressarem derrotados a casa o que se espera que aconteça ao Iraque após essa retirada? Apoiei a invasão do Iraque e não tenho dúvidas que um dos grandes riscos dessa invasão é precisamente o perigo dos EUA afectarem por um tempo indefinido, àquele país, uma parte significativa do seu poder militar. Parecendo-me indispensável que se discutam os moldes e os argumentos usados para invadir o Iraque parece-me muito mais grave que, escassos anos depois, se resolva retirar porque as sondagens não estão a correr pelo melhor e porque as dificuldades são muito maiores que as inicialmente previstas.

Não sei em que momento o povo da Coreia do Sul deixou de ser mártir e aquele país deixou de ser apresentado em reportagens várias como o parente pobre e oprimido do seu progressista e livre irmão do Norte. E muito menos sei se a situação no Iraque evoluirá de modo a que se possa dizer que os EUA conseguiram repetir numa ocupação militar o sucesso conseguido na Coreia do Sul. Mas é claro que em muito do que se lê, vê e ouve sobre o Iraque transparece sobretudo o desejo do desastre.

1 Comentário »

  1. A resistência iraquiana de Moqtada al Sadr aniquilou completamente as tropas fantoches do colaboracionista traidor Maliki, cão de fila dos cruzados americanos, e assegura actualmente todo o controlo de Basrah, Kut, Nassiria, Najaf, Hila, Diwania e da maior parte de Bagdad, onde as forças policiais do governo fantoche entregaram armas e blindados à Resistência. A luta continua até ao aniquilamento total dos fantoches e dos seus donos cruzados ! ALLAH U AKBAR !

    “…a medida es tan sólo un reflejo de la compleja situación que afronta Maliki, cuyo ejército no parece en condiciones de doblegar la resistencia de las milicias de Mukta al Sadr, que se han apoderado de numerosos barrios de la capital y de la segunda urbe del país, Basora. Reuters afirma que el Ejército del Mehdi, el brazo armado de Sadr, también controla ahora el centro de la ciudad de Naseriya, en el sur chií.

    Residentes de barrios capitalinos de mayoría chií en el oeste de Bagdad afirman que elementos de la policía han entregado sus armas y hasta sus todo terreno a los militantes.” - El Mundo

    Comentário por Salah al-Din — Março 28, 2008 @ 12:14 pm

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