Hoje em Famalicão, José Sócrates afirmou-se convicto de que “a crise orçamental de 2002, que voltou em 2005, está ultrapassada e os factores que a motivaram estão também resolvidos com as mudanças estruturais feitas no país“. Já não é a primeira vez que o faz.
Infelizmente em nenhuma das ocasiões lhe pediram para listar as tais “reformas estruturais” que terão contribuído para a redução do défice. Confesso que, para além de algumas operações cosméticas, não me ocorre nenhuma que se encontre totalmente implementada. Aliás, se não me engano, a redução do défice foi conseguida à custa do aumento dos impostos (cujo efeito foi potenciado pela recuperação económica verificada a nível mundial) e pela redução casuística de despesa que, mesmo assim, tem verificado crescimentos acima da taxa de inflação.
Se, como se torna cada vez mais provável, o crescimento económico voltar a abrandar corremos sérios riscos de voltar a perder o controlo do défice público.
Falta o título ou foi de propósito?
Comentário por André Azevedo Alves — Março 25, 2008 @ 15:55
Foi um lapso estrutural.
Comentário por Miguel — Março 25, 2008 @ 16:09
Comentário por André Azevedo Alves — Março 25, 2008 @ 16:14
Já agora, sobre o post:
Concordo em parte. Uma boa parte das declarações sobre reformas é propaganda (o que não é de espantar seja qual for o governo).
Mas acho que, apesar de tudo, há algumas medidas positivas que têm sido tomadas. Sócrates tem tido em vários domínios uma performance razoável para alguém de centro-esquerda que está constrangido pelo compromisso ideológico com um modelo social desadequado.
A meu ver, o problema principal neste momento é mesmo a ausência de uma alternativa consistente à direita que pudesse ir muito mais além do que é possível a um governo de esquerda e fazer as reformas estruturais necessárias. E nesse domínio os sinais não são nada animadores…
Comentário por André Azevedo Alves — Março 25, 2008 @ 16:25
Pode-se afimar que para o governo que ainda fez reformas que evitem a perpetuação do problema o governo tem sabido conter o problema. Não se pode é confundir uma gestão conjuntural (ainda que razoável) com reformas estrutrais.
A falta de alternativas é outra questão. É preocupante mas não cabe no âmbito deste post.
Comentário por Miguel — Março 25, 2008 @ 16:32
“Não se pode é confundir uma gestão conjuntural (ainda que razoável) com reformas estrutrais.”
Acho que estamos mais ou menos de acordo.
Comentário por André Azevedo Alves — Março 25, 2008 @ 16:50
Sócrates fez-me lembrar aquele primeiro-ministro que foi ao parlamento decretar o fim da austeridade.
Comentário por Nuno Nasoni — Março 25, 2008 @ 17:54
[...] @ 3:01 pm Os números apresentados pelo Gabriel não deixam margem para dúvidas acerca das “reformas estruturais” que permitiram a redução do défice público. Despesa pública total: 2006: 71.662 milhões de [...]
Pingback por Confusão estrutural (II) « O Insurgente — Março 27, 2008 @ 15:03