O Insurgente

Março 12, 2008

Conservadorismo vs. Liberalismo

Filed under: Blogosfera,Política,Teoria — Miguel Botelho Moniz @ 16:46

No seguimento desta série de posts do Adolfo Mesquita Nunes no A Arte da Fuga, bem como deste post do Hélder aqui em baixo, não é demais recordar o artigo Why I Am Not A Conservative, de Friedrich Hayek.

«There is danger in the confused condition which brings the defenders of liberty and the true conservatives together in common opposition to developments which threaten their ideals equally. It is therefore important to distinguish clearly the position taken here from that which has long been known – perhaps more appropriately – as conservatism.»

27 Comentários »

  1. Excelente recomendação. :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 12, 2008 @ 17:09

  2. Bem, os conservadores precisam de uma grande dose de liberalismo para poderem conservar os valores da familia, comunitarismo e localismo, sentido sagrado da propriedade, e ainda reterem o seu direito de discriminarem na sua propriedade e processos contratuais.

    Os conservadores atiram no pés quando pensam poder conferir ao Estado a protecção desses valores, porque tudo o que mais tarde acabam a descobrir é que esse poder conferido ao Estado é usado para os destruir lentamente de forma compulsória.

    Comentário por CN — Março 12, 2008 @ 17:36

  3. De acordo também com o comentário do CN.

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 12, 2008 @ 17:56

  4. “Os conservadores atiram no pés quando pensam poder conferir ao Estado a protecção desses valores”

    É isso que vai estando em causa. nem mais.

    Comentário por Helder — Março 12, 2008 @ 18:05

  5. [...] Miguel, apesar de “Why I am not a Conservative”, é preciso não esquecer o valor que Hayek atribuía à tradição, aos costumes e à moral numa sociedade livre, como desenvolvi aqui. A diferença entre Conservador-Liberal e Conservador-Socialista, é – quem diria – o papel do Estado. [...]

    Pingback por À Vontade do Freguês :: Conservadorismo :: March :: 2008 — Março 12, 2008 @ 19:06

  6. Muita gente lê este texto do Hayek como um panfleto progressista (lembro-me agora de repente do CAA e do grupo dos liberais-sociais).

    Comentário por Filipe Abrantes — Março 12, 2008 @ 19:14

  7. “Muita gente lê este texto do Hayek como um panfleto progressista”

    Muita gente devia ler com mais atenção…

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 12, 2008 @ 19:36

  8. Os conservadores não precisam necesariamente de abraçar o socialismo, penso eu de quê, para poderem viver a vida de acordo com o que entendem ser as suas tradições :)

    Comentário por Adolfo Mesquita Nunes — Março 12, 2008 @ 19:42

  9. Por acaso julgo que os Lib-Soc não simpatizam muito com o Hayek (para eles é neo-lib) e no caso do CAA não me parece também que o interprete mal. E concordo com o André sendo que os artigos do AMN do JMA vão nesse sentido: tirar o Estado das opções de vida dos indivíduos.

    No prefácio à edição de 2002 de Capitalism and Freedom, Milton Friedman escreveu que o que mudaria no livro seria passar da discussão de dois tipos de liberdade – política e económica, para três – política, económica e cívica.

    Comentário por Helder — Março 12, 2008 @ 20:38

  10. Por acaso julgo que os Lib-Soc não simpatizam muito com o Hayek (para eles é neo-lib)

    Para eles? Para quem é que Hayek não é neoliberal?

    Se ele não é neoliberal o Pinochet era socialista, não?

    Comentário por Mário Lopes — Março 12, 2008 @ 21:12

  11. Ele é um “neo-lib” para ambos, mas vêem-no como um progressista (aliás, o CAA nestas coisas não se engana: ele só recomenda textos que vê como jacobino-progressistas, e já o vi recomendar o texto umas quantas vezes).

    Comentário por Filipe Abrantes — Março 12, 2008 @ 21:39

  12. Em todo o caso, uma coisa é certa, o Benfica está uma desgraça.

    Comentário por Filipe Abrantes — Março 12, 2008 @ 21:42

  13. Precisam de um Pinochet (ou dois).

    Comentário por Filipe Abrantes — Março 12, 2008 @ 21:43

  14. “Para quem é que Hayek não é neoliberal?”

    Para os ignorantes como eu que ainda não perceberam muito bem o que é um neo-liberal.

    Comentário por Helder — Março 12, 2008 @ 22:10

  15. “Ele é um “neo-lib” para ambos, mas vêem-no como um progressista”

    Pobre Hayek…

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 12, 2008 @ 22:11

  16. “E concordo com o André sendo que os artigos do AMN do JMA vão nesse sentido: tirar o Estado das opções de vida dos indivíduos.”

    Genericamente sim, mas temo que haja pelo meio algumas confusões que podem inquinar fatalmente as boas intenções.

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 12, 2008 @ 22:13

  17. “…já o vi recomendar o texto umas quantas vezes”

    Sim mas julgo tem que ver com a ideia evolucionista da tradição do Hayek, não com a estatização da mesma. A tradição evolui, resta saber é por que meios. Não me parece que o CAA concorde que deve ser regulada/”progredida”/eliminada pela acção do Estado. Há mais no Blasfémias (julgo que o PMF) quem ache que em certas coisas faz mais sentido o apoio liberal à corrente BE, por exemplo, que alianças com o conservadorismo (seja ele qual for).

    Comentário por Helder — Março 12, 2008 @ 22:18

  18. “em certas coisas faz mais sentido o apoio liberal à corrente BE, por exemplo, que alianças com o conservadorismo (seja ele qual for)”

    Pobre Hayek…

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 12, 2008 @ 22:19

  19. “…temo que haja pelo meio algumas confusões que podem inquinar fatalmente as boas intenções.”

    É possível e de boas intenções está o Inferno cheio, mas tudo isto tem mais que ver com meios que com fins.

    Comentário por Helder — Março 12, 2008 @ 22:21

  20. “Pobre Hayek…!”
    :-D Esta já não tem que ver com O Hayek pá, nem minha (preferia c***r um pé todo). É do PMF (acho, e peço desculpa se não for) :-D

    Comentário por Helder — Março 12, 2008 @ 22:24

  21. “Esta já não tem que ver com O Hayek pá”

    Eu percebi. O “pobre Hayek” refere-se à possibilidade de se fazerem inferências desse tipo a partir de (supostos) elementos do pensamento de Hayek.

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 12, 2008 @ 22:38

  22. «Eu percebi. O “pobre Hayek” refere-se à possibilidade de se fazerem inferências desse tipo a partir de (supostos) elementos do pensamento de Hayek.»

    eu uma vez li umas 3 páginas do Caminho da Servidão (ou seja, acho que posso intitular-me um mestre em hayekologia) numa livraria e fiquei com a ideia de que o Hayek de 1944 (penso que já não o de 1970) até tinha uma simpatia pela Revolução Francesa de 1789 (ele até falava qualquer coisa do confronto entre o espirito de 1789 e o espírito de 1914), pelo que à época talvez podesse ser considerado um “liberal-progressista”.

    [já que estamos falando de possíveis apropriações radicais de Hayek, diga-se que até acho as teses dele sobre o "conhecimento tácito" parecidas com as dos "autónomos" sobre o "conhecimento intrinseco"]

    Comentário por Miguel Madeira — Março 13, 2008 @ 00:36

  23. Oh caro Hélder, não seja por isso. Na era das tecnologias o que não faltam são recursos para nos esclarecermos.

    Eis então a definição de neoliberalismo.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Neoliberalism

    Comentário por Mário Lopes — Março 13, 2008 @ 00:46

  24. «Eis então a definição de neoliberalismo.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Neoliberalism»
    Cito:
    Neoliberals may seek to invest in healthcare and education, iff these benefit the regional capital accumulation strategy, or they may seek to invest heavily in incarceration, policing, and defense industry to maximize capital accumulation. There is also a difference on social issues. Libertarians are generally very liberal on social issues, since they all support individual liberties. Neoliberalism is more neutral on issues of social liberalism; and because neoliberalism promotes inequality, it is often complemented by authoritarian approaches to social issues, as mentioned above.

    Se isto é Hayek… Pobre Hayek

    Já agora, a mesma fonte sobre F.A. von Hayek:
    was an Austrian-British economist and political philosopher known for his defence of classical liberalism and free-market capitalism against socialist and collectivist thought in the mid-20th century.

    Nem uma palavra no artigo sobre neoliberalismo… Como ficamos?

    Comentário por ms — Março 13, 2008 @ 01:27

  25. “eu uma vez li umas 3 páginas do Caminho da Servidão (ou seja, acho que posso intitular-me um mestre em hayekologia)”

    Pode certamente. São 3 páginas a mais do que alguns hayekólogos da praça…

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 13, 2008 @ 01:40

  26. “até tinha uma simpatia pela Revolução Francesa de 1789 (ele até falava qualquer coisa do confronto entre o espirito de 1789 e o espírito de 1914)”

    Se é a passagem em que eu estou a pensar, creio que Hayek está a discutir o livro de Plenge assente nessa dicotomia.

    Isto dito, é verdade que Hayek foi ficando mais conservador (no bom sentido do termo) ao longo do tempo. Aliás, convém recordar que Hayek começou por ser socialista.

    Neste sentido, o Hayek de “Why I Am Not A Conservative” é mais conservador do que o Hayek de 1940-43 (altura em que foi escrita a maior parte do The Road to Serfdom).

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 13, 2008 @ 01:55

  27. “pelo que à época talvez podesse ser considerado um “liberal-progressista””

    Hayek nunca abdicou da ideia de progresso. Nesse sentido, foi sempre um “liberal-progressista”.

    Já se estivermos a falar em termos do significado que o termo “progressista” adquiriu gradualmente desde o início do séc. XX, então creio que só o Hayek socialista fabiano (pré-liberal) pode ser considerado “progressista”. O Hayek de 1944 já estava muito longe do progressismo e não creio que pudesse ser razoavelmente considerado como um progressista (além de que na altura certamente não era visto como tal).

    Comentário por André Azevedo Alves — Março 13, 2008 @ 02:01


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