Março 11, 2008
Evidências
10 Comentários »
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julgo que não será o caso.
obviamente no catolicismo a intermediação do «padre» não é necessária para uma relação com Deus, pelo que a se não se contextualizar a pergunta, a noticia seria o contrário: «70% dos católicos julga que apenas se pode relacionar com Deus por intermédio de um sacerdote».
Portanto há aqui um deficit de informação que é o texto e contexto da pergunta que foi feita, a qual pode ter incidido sobre os sacramentos em geral, sobre as hierarquias, sobre a confissão, sobre a oração, etc., etc,, p
Comentário por Gabriel Silva — Março 11, 2008 @ 13:17
Carlos e Gabriel,
Não sou obviamente especialista na Igreja Católica. Mas uma das grandes roturas de Lutero não foi exactamente a de conferir “universal priesthood” a todos os fieis, quebrando assim a mediação da Igreja e a autoridade do Vaticano. A Igreja Católica pode ter revisto a sua doutrina, flexibilizando o conceito de Católico. Mas não me parece nenhum disparate dizer que qualquer suavização corresponde a uma “espécie de protestantização”.
Cumprimentos aos dois
Comentário por Joao Galamba — Março 11, 2008 @ 14:00
João,
a «universal priesthood» desde tempos imemoriais está consagrada na fórmula do baptismo pelo qual o novo cristão é chamado a ser, á semelhnaça de JC: «profeta, sacerdote e rei». Tanto o sacerdócio comum dos leigos como o sacerdócio dos ordenados, embora diferentes na essência, ‘‘participam, cada qual a seu modo do sacerdócio único de Cristo’‘ (LG ,10).
Lutero não pretendia quebrar a mediação da Igreja nem a do Vaticano. Defendia sim que a mesma já estava rompida pelos abusos e degenerência do sistema romano. Por isso mesmo veio ele não dispensou, mas veio ele próprio a criar uma outra mediação, de uma nova igreja ou «igreja renovada».
Como confirmação histórica de que o nível de «mediação sacerdotal» na relação com o divino nunca foi critério excluente de catolicidade pode-se ter presente, como exemplo extremo, todos os misticos e misticas ao longo dos séculos.
E, aceitando-se leituras diferentes, não vejo onde esteja qualquer «suavização» do conceito de católico ou revisão da sua doutrina neste aspecto concreto.
Comentário por Gabriel Silva — Março 11, 2008 @ 14:55
Carlos,
Não percebi o sentido do post.
Há muitas e diferentes “evidências” (desde sempre, aliás) para quem queira salientar o peso dos católicos “não praticantes” (noção ambígua que não aprecio particularmente e que, no limite, engloba quase toda a gente) mas no post que linkas vejo apenas uma manifestação de ignorância (ou talvez profunda confusão misturada com anti-catolicismo) de quem o escreveu.
Comentário por André Azevedo Alves — Março 11, 2008 @ 15:07
André,
Talvez influenciado pela leitura dos posts do Pedro Arroja (e.g. http://ablasfemia.blogspot.com/2007/03/covenant.html), tenha alimentado a crença de que a relação com a igreja e os seus representantes fosse um factor de diferenciação entre a igreja católica e as correntes protestantes. Nesse caso, seria verdade que tanto a sociedade italiana como a portuguesa estariam num processo de “protestanização”, porque existe um claro afastamento das pessoas da igreja e dos seus representantes. Se tu e o Gabriel que conhecerão melhor o assunto, me dizem que tal proximidade não é factor diferenciador, eu acredito.
A ser assim foi mesmo, apenas, uma questão de ignorância.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 11, 2008 @ 15:56
“Talvez influenciado pela leitura dos posts do Pedro Arroja (e.g. http://ablasfemia.blogspot.com/2007/03/covenant.html), tenha alimentado a crença de que a relação com a igreja e os seus representantes fosse um factor de diferenciação entre a igreja católica e as correntes protestantes.”
Acho que se pode dizer que é um factor de diferenciação mas, como o Gabriel bem explicou, da pergunta em causa não se podem extrair as conclusões apontadas.
Comentário por André Azevedo Alves — Março 11, 2008 @ 15:58
Já agora, os textos do Prof. PA são frequentemente muito interessantes mas eu não os tomaria como referência no campo da teologia…
Comentário por André Azevedo Alves — Março 11, 2008 @ 15:59
“Nesse caso, seria verdade que tanto a sociedade italiana como a portuguesa estariam num processo de “protestanização”, porque existe um claro afastamento das pessoas da igreja e dos seus representantes.”
Dependendo de como definirmos os termos, provavelmente até partilharei dessa visão (falo apenas por mim, não pelo Gabriel claro). O ponto é que o exemplo dado é mau.
Até me parece possível argumenta que para “evidências” bem melhores do fenómeno (e entre católicos “praticantes”…) bastará, por exemplo, ir à Missa, mas isso seria outra discussão que não cabe aqui…
Comentário por André Azevedo Alves — Março 11, 2008 @ 16:03
Caro Carlos,
«Nesse caso, seria verdade que tanto a sociedade italiana como a portuguesa estariam num processo de “protestanização”, porque existe um claro afastamento das pessoas da igreja e dos seus representantes.»
parece-me evidente que exista tal fenómeno de «afastamento». Não lhe chamaria era «protestanização», pois que as sociedades de influencia protestante verifica-se, no mínimo igual, e muitas vezes superior afastamento dos seus membros.
Comentário por Gabriel Silva — Março 11, 2008 @ 17:17
Sem dúvida, a escolha da palavra “protestanização” é inadequada para o fenómeno que ser quer caracterizar. E pela leitura do artigo, não está em causa a mediação (que também é palavra que não gosto) mas sim a forma de chegar ao perdão dos pecados cometidos, que é apenas uma das esferas que compõe o relacionamento com Deus. Quero crer que esse mesmo relacionamento não se esgota aí. Tem de ir bem mais além.
Comentário por Marcos Garrido — Março 12, 2008 @ 14:07