Paulo Rangel esteve ontem na SIC Notícias e defendeu a tomada de decisões difíceis como a necessidade de despedir pessoal na função pública. Referiu ainda que tal teria de passar por um novo quadro constitucional. E é aqui que está o ponto. É na constituição portuguesa, e no problema que ela representa, que tudo desemboca.
Uma Constituição (e não as batotas que por aí andam) é a base de uma democracia liberal. Não deve ser causa de desunião, não devendo fazer referência a qualquer programa ideológico, mas reflectir o que o país é hoje, ao mesmo tempo que lhe permite estar preparado para o que o futuro lhe reserva. Não deve impor limites; não pode colocar entraves ao desenvolvimento humano; não lhe é permitido restringir a actividade livre de parte significativa da população, em prol de outra amplamente beneficiada. Uma Constituição assim, como é a do estado português, de pouco serve, é causa de frustração social, económica e política.
Portugal é um país que sempre evitou debater o que o divide. Ganhou a fama dos brandos costumes, mas perdeu a da franqueza, da clarividência e está a tornar-se um caso de claustrofobia colectiva. É um país cheio de assuntos que não se podem debater; que encara os problemas sempre da mesma perspectiva e discute sempre as mesmas soluções. Um dilema de silêncios, um défice de auto-análise, cujo resultado é a Constituição de 1976. Sim: mesmo após todas as revisões.
Excelente post.
Comentário por André Azevedo Alves — Março 7, 2008 @ 17:05
[...] O significado da Constituição portuguesa. Por André Abrantes Amaral. [...]
Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » A constituição do nosso atraso — Março 7, 2008 @ 17:37
Uma constituição serve para limitar o governo, não os cidadãos. Lembrando Ayn Rand: It cannot be repeated too often that the Constitution is a limitation on the government, not on private individuals — that it does not prescribe the conduct of private individuals, only the conduct of the government — that it is not a charter _for_ government power, but a charter of the citizen’s protection _against_ the government.
Claro que ela está a falar da constituição americana. Mas em termos teóricos, isto aplica-se (ou devia) a qualquer constituição.
Comentário por cronicadomigas — Março 7, 2008 @ 20:13
Errado. Para despedir funcionários públicos com justa causa objectiva não é preciso alterar seja o que for na Constituição. Não está lá rigorosamente nada que o impeça. Nem por decorrência do princípio da protecção da confiança.
Comentário por Pedro Sá — Março 10, 2008 @ 09:44
[...] O significado da Constituição portuguesa de André Abrantes Amaral via O Insurgente: [...]
Pingback por Leitura recomendada « Ágora Social — Março 12, 2008 @ 09:58
[...] Leitura complementar: O significado da Constituição portuguesa. [...]
Pingback por Ter uma Constituição socialista é um problema (6) « O Insurgente — Abril 2, 2008 @ 12:03
[...] complementar: A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por O país precisa de uma Constituição que não imponha o socialismo « O Insurgente — Abril 6, 2008 @ 19:29
[...] complementar: A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por O problema constitucional português « O Insurgente — Julho 20, 2010 @ 14:40
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por O problema constitucional português (2) « O Insurgente — Julho 20, 2010 @ 22:59
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por O problema constitucional português (3) « O Insurgente — Julho 21, 2010 @ 20:02
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por Por uma Constrituição não programática « O Insurgente — Julho 22, 2010 @ 20:01
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por Mais pessoas livres, menos abrantes « O Insurgente — Julho 23, 2010 @ 11:09
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por Uma oportunidade perdida « O Insurgente — Junho 5, 2011 @ 23:18
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por António Barreto no 10 de Junho: um discurso presidencial « O Insurgente — Junho 11, 2011 @ 15:16
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por Carta Aberta do Núcleo Jovem da SEDES « O Insurgente — Junho 15, 2011 @ 15:18
[...] complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema [...]
Pingback por As contradições de uma Constituição socialista « O Insurgente — Janeiro 20, 2012 @ 16:32