Homem ao mar. Por Rui Ramos.
Menezes, por sua vez, enganou-se sobre a figura que deveria fazer. Com Sócrates a cortar os calos ao Estado Social, imaginou que lhe convinha ir ao baile com a máscara velhinha de “social democrata”. Ei-lo, no Verão passado, com uma “visão tradicional de esquerda”, “defensor muito drástico do Estado Social”, a esbravejar contra o “capitalismo selvagem”. Alguém entretanto o terá conseguido convencer de que não valia a pena fazer concorrência a Jerónimo e a Louçã. Numa reviravolta sem transições ou explicações, Menezes passou subitamente a reclamar a privatização de tudo. Quase ao mesmo tempo, o país viu-o a exigir reformas e ao lado dos que combatem as reformas; a romper pactos com o governo e a propor pactos ao governo. O mal ficou feito: Menezes já não pode dizer nada que não digam que é asneira, só por ser ele a dizê-lo. Chama-se a isto descrédito. E é fatal.
(…)
É que Menezes não é a causa – é apenas um efeito. Menezes não conquistou o PSD: apanhou-o do chão, onde o restante baronato o deixou. Menezes é, tal como Mendes, produto da mentalidade rotativa dos dirigentes do PSD. Todos eles parecem convencidos de que o seu tempo só virá depois de 2009. Antes de estarem confirmados os bilhetes de regresso aos ministérios, não lhes interessa a chefia. Daí esta sucessão de líderes improváveis, e daí também o regresso de Santana: o PSD vive a hora dos pequeninos e dos fantasmas.
Rui Ramos, por sua vez, enganou-se sobre a figura que deveria fazer. Com George W. Bush a cortar os calos a Saddam Hussein, imaginou que lhe convinha ir ao baile com a máscara novinha de “neo-conservador”. Ei-lo, no Verão passado, com uma visão do caos no Iraque.
Numa reviravolta sem transições ou explicações, Rui Ramos esqueceu-se de tudo o que anteriormente escrevera. O país viu-o a ser eleito para a Câmara de Vila Franca de Xira numa lista do PSD. O mal ficou feito: Rui Ramos já não pode dizer nada que não digam que é asneira, só por ser ele a dizê-lo. Chama-se a isto descrédito. E é fatal.
Comentário por Luís Lavoura — Março 7, 2008 @ 18:27
«O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, considerou hoje que há “um vazio em Portugal complicado” porque o seu partido “ainda não merece ser Governo” e “o PS já não merece ser Governo”.»
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=330837&visual=26&tema=1
Também não sei quem terá sido o brilhante estratega político que lhe meteu na cabeça que a sinceridade e honestidade são o melhor caminho. Mas pelo menos ficamos a saber que ele tem noção do estado de non sense em que o PSD se encontra. Já temi que não tivesse essa noção.
Comentário por JLS — Março 9, 2008 @ 02:18
[...] não interesse a ninguém, venho por este meio informar V.Exas que se Luis Filipe Menezes ou Pedro Passos Coelho forem eleitos para a liderança do PSD o autor deste post passa à [...]
Pingback por Declaração « O Insurgente — Outubro 16, 2009 @ 09:38