O Insurgente

Março 1, 2008

A credibilidade de Menezes

Filed under: Colunas,Comentário,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 21:37

Luis Filipe Menezes afirmou, numa entrevista à SIC Notícias, que caso fosse eleito Primeiro-Ministro, iria acabar com a publicidade nos canais da RTP, financiando-a exclusivamente através dos cofres do Estado. Em si, a ideia não é má. Como Menezes bem nota, ao ser financiada em simultâneo por dinheiro público e publicidade, a RTP pratica uma espécie de “concorrência desleal” contra as televisões privadas: estas dependem exclusivamente do mercado publicitário, que vêm reduzido pela RTP, que tem sempre a segurança do contribuinte que a financia quer queira quer não. O problema com esta proposta é a credibilidade de Menezes. Como dizia Jorge Coelho na Quadratura do Círculo, as constantes rábulas de “assina pacto/quebra pacto, anuncia isto/esquece isto”, apenas dizem ao eleitorado para não confiar no homem. Eu, por exemplo, oiço Menezes, e, como é óbvio, não confio no que ele diz. O líder do PSD até pode apresentar propostas positivas que, à luz do seu comportamento, eu não posso acreditar que ele cumprirá o que promete.

O mais grave, para Menezes, é que o seu problema de credibilidade não desaparece mesmo que ele cumpra esta particular promessa. O próprio conteúdo da dita indica que pouco do que ele diz merece ser ouvido. Pois não basta querer eliminar a “concorrência desleal” da RTP no mercado da publicidade. Um homem que diz querer “desmantelar o Estado” não deveria aceitar pacificamente a manutenção de três canais de televisão (um deles no cabo, imagine-se) pagos pelo contribuinte (e isto deixando de fora os canais internacionais e regionais). Mesmo que levemos a sério a promessa de Menezes, ela apenas nos indica que não devemos levar a sério o seu suposto liberalismo. Menezes até pode, genuinamente, ter percebido que o peso excessivo do Estado é um obstáculo ao desenvolvimento económico do país. Mas o seu carácter aparelhista torna-o, instintivamente, num estatista, em alguém que não compreende qual deve ser o papel do Estado e de que áreas este se deve afastar. Por isso, se alguma vez Menezes vier a ser nomeado Primeiro-Ministro, qualquer “desmantelamento” que promova seria feito de forma atabalhoada, sem resolver qualquer problema ou quem sabe agravando os já existentes, e ficaria pelo caminho mal o eventual descontentamento popular o fizesse recear um desaire eleitoral. Ao fazer a proposta que fez acerca da RTP, Menezes apenas deixou transparecer que, se alguma credibilidade se atribui ao que ele diz agora, logo perde credibilidade o que ele disse antes.

2 Comentários »

  1. “Como dizia Jorge Coelho na Quadratura do Círculo, as constantes rábulas de “assina pacto/quebra pacto, anuncia isto/esquece isto”, apenas dizem ao eleitorado para não confiar no homem. Eu, por exemplo, oiço Menezes, e, como é óbvio, não confio no que ele diz. O líder do PSD até pode apresentar propostas positivas que, à luz do seu comportamento, eu não posso acreditar que ele cumprirá o que promete.”

    “como dizia Jorge Coelho” !!?? você é da Direita Abortista ?

    Comentário por tric — Março 2, 2008 @ 02:33

  2. Quando o homem tem razão, por muito que me custe, tenho de o aceitar…

    Comentário por Bruno Alves — Março 2, 2008 @ 22:49


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