O Insurgente

Fevereiro 15, 2008

Consequências de uma governação sem oposição

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:29

A falta que a oposição nos faz. Por Rui Ramos.

É verdade que o Dr. António Costa, quando lhe aconteceu soltar-se verbalmente no passado fim de semana a propósito deste jornal [Público], admitiu que “não sabe” se é mesmo assim. Mas o facto de “não saber” não o impede, aparentemente, de ter a certeza absoluta de que é mesmo assim, e de o proclamar cheio de som e de fúria, indiferente à estupefacção dos seus ouvintes. E perante tal desatino, a pergunta é: porque é que os presentes chefes do PS estão neste estado? Donde é que lhes vem esta compulsão para acusarem e ofenderem quem quer que os incomode ou critique? Porque é que para eles o mundo é, desde há uns tempos, um sinistro e repelente novelo de cabalas, conjuras e cruzadas, em que as mais nojentas serpentes rastejam e se enroscam com o único fim de enlamear as suas perfumadas reputações?

Correm várias hipóteses. Há quem pense que os chefes do PS atribuem aos outros aquilo de que eles próprios seriam capazes; e há quem argumente que se trata de uma tentação de governar à russa, intimidando e calando. Em nome do decoro apropriado a um estado da União Europeia, consintam-me que proponha uma razão mais simples e menos terrível para justificar a tendência dos nossos governantes para dispararem sobre os pianistas. É esta: qualquer partido de governo precisa de adversários, resistências e dificuldades. Só assim podem os seus líderes manter a unidade do que é, no fundo, uma agregação em que quase todos têm aspiração a mandar e ninguém está totalmente satisfeito. Acontece que Sócrates e Costa não dispõem, neste momento, de inimigos que justifiquem um toque a cerrar fileiras. O resultado é Manuel Alegre.

(…)

Se Sócrates e Costa andassem preocupados e entretidos com uma liderança do PSD capaz de lhes herdar o poder, teriam certamente menos tempo para dedicar aos jornalistas e comentadores. A oposição serve para escrutinar a governação e possibilitar a alternância. Mas também para servir de alvo aos ímpetos e necessidades de confronto dos governantes, poupando assim o resto dos cidadãos, e especialmente os que fazem notícias e escrevem comentários. Em suma: precisa-se urgentemente de uma oposição que nos tire este governo de cima.

1 Comentário »

  1. [...] das razões apresentadas pelo Rui Ramos há outras. Por favor, por favor, por favor. Em suma: precisa-se urgentemente de uma oposição [...]

    Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Por favor — Fevereiro 15, 2008 @ 23:49


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