O Insurgente

Fevereiro 13, 2008

A lei do aborto e a concepção espontânea (2)

Filed under: Comentário,Diversos,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 12:59

Declaração de IRS

Aliás, a lei diz que é a pedido delas, e ninguém os convida a participar na questão.

Acho que Ana Margarida Craveiro, autora do artigo citado abaixo pelo André Azevedo Alves, se esqueceu de uma participação essencial que foi reservada ao homem na actual incarnação pós-referendo da lei do aborto.

Em todo o processo, foi reservado ao homem algo de determinante: o conveniente papel, tão indispensável ao nosso estado do progresso social, de pagar pelos seus impostos a conta.

No actual cenário, em que o papel e a participação do pai não é tida nem achada em relação ao seu património genético, em que este nem sequer tem o direito a saber que a sua companheira esteve grávida, é-lhe reservado o direito a pagar as despesas de uma decisão que potencialmente é tomada contra a sua vontade, sem o seu conhecimento, e originada pelo comportamento negligente da outra parte da relação, que tem ao seu alcance (inclusivé de forma gratuita) todos os meios para impedir em liberdade e autonomia essa gravidez indesejada.

20 Comentários »

  1. “…é-lhe reservado o direito a pagar as despesas de uma decisão que potencialmente é tomada contra a sua vontade, sem o seu conhecimento, e originada pelo comportamento negligente da outra parte da relação, que tem ao seu alcance (inclusivé de forma gratuita) todos os meios para impedir em liberdade e autonomia essa gravidez indesejada.”

    Tive que ler várias vezes para ter a certeza que não estava a ter visões!
    “…originada pelo comportamento negligente da outra parte da relação…”
    É bom pinocar e dizer que é a parceira

    Comentário por Daniel Azevedo — Fevereiro 13, 2008 @ 13:09

  2. “…é-lhe reservado o direito a pagar as despesas de uma decisão que potencialmente é tomada contra a sua vontade, sem o seu conhecimento, e originada pelo comportamento negligente da outra parte da relação, que tem ao seu alcance (inclusivé de forma gratuita) todos os meios para impedir em liberdade e autonomia essa gravidez indesejada.”

    Tive que ler várias vezes para ter a certeza que não estava a ter visões!
    “…originada pelo comportamento negligente da outra parte da relação…”
    É bom pinocar e dizer que é a parceira que tem que ter percauções.
    E depois admiram-se que os debates sobre este assunto sejam sempre do pior que há.
    Realmente a única conclusão que se tira do seu texto é que a responsabilidade é da mulher, e o homem tem que ter o poder de veto sobre algo que nem se preveniu de início.
    Realmente tinha razão o deputado brasileiro que disse: “Se fossem os homens que engravidassem, a questão do aborto estaría há muito resolvida!”

    Comentário por Daniel Azevedo — Fevereiro 13, 2008 @ 13:15

  3. Caro Daniel Azevedo,

    Eu concordo que a realidade dos factos, no tempo presente, suscita a dúvida em relação a se está mesmo a acontecer.

    Ninguém está a defender ausências de responsabilidade, já que esta é assegurada pelo estatuto da paternidade na legislação portuguesa. Está-se a falar exactamente do contrário.

    Na situação presente, o pai ao qual seriam imputadas responsabilidade caso a criança viesse a nascer, não goza, em contrapartida desse ónus, de qualquer direito em relação à criança enquanto esta se desenvolve no interior da mãe. Ninguém falou (apesar de ser uma questão oportuna), em “direitos de veto”, mas tão somente ao direito a ser informado e a lhe ser dado conhecimento desse facto, para que possa a partir daí tomar as decisões que bem entenda.

    “É bom pinocar e dizer que é a parceira que tem que ter percauções.”

    Essa é tão somente uma consequência da argumentação da generalidade dos defensores do Sim no referendo que tiveram desfecho na situação actual.

    A partir do momento que se estabelece que a decisão da mulher é completamente livre e autónoma (e soberana), e ainda por cima que tal é visto como um “direito social”, plenamente custeado pelos contribuintes, acaba por se dar exactamente esse argumento aos homens. Actualmente, legitimou-se por via legal e pela porta grande o argumento de “se engravidastes o problema é teu, tens a solução ao teu alcance e eu ainda por cima já pago para ela”.

    Se as consequências da relação recaem, como parece suportar, exclusivamente na mulher, é também ela que tem a capacidade definitiva de evitar que isso aconteça, sem para tal necessitar de qualquer auxílio do parceiro. Naturalmente que é desejável que haja uma partilha de esforço para esse efeito, mas é a mulher tem a escolha definitiva de ter ou não ter a relação, protegida ou não, e ciente de que é ela que arca com as consequências se a “coisa” der para o torto.

    Não é uma constatação ética. É uma constatação de facto.

    A situação compara-se a eu convidar pessoas para uma festa em minha casa, sem as conhecer e sem tomar precauções em relação à defesa dos meus bens. Todos se divertem na festa, mas depois chego à conclusão que houve danos nos meus bens cuja segurança eu não acautelei. Ora eu tinha perfeita consciência que tal podia acontecer, mas mesmo assim optei por não acautelar esse facto e preferir convocar e desfrutar da festa.

    Comentário por João Luís Pinto — Fevereiro 13, 2008 @ 14:17

  4. O João Luís Pinto acha que uma mluher que engravide contra a sua própria vontade só pode ser negligente.
    Passo a explicar que uma mulher que tome a pílula sempre sem falhar tem uma probabilidade de 0,1-1% de engravidar (nos sites mais leigos é mais ou menos isto que vem. Ou seja, em mil mulheres plenamente capaz, que tomam regularmente a pílula, de uma a dez podem engravidar. O senhor João Luís Pinto, como é uma pessoa nobre, acha que estas mulheres devem ter o filho contra a sua vontade porque o senhor João Luís Pinto não quer pagar os seus abortos. Prefere assim, empurrá-las para a ilegalidade, para os riscos de infertilidade, infecção e morte.
    A minha pergunta a esta gente é esta: quanto custa uma mulher? Quanto é que é muito? O que é pagar muito para uma mulher não ter os riscos? A mulher, a filha, a prima, a amiga do senhor João Luís Pinto tem preço? Gostaríamos de saber quanto.
    Outra e outra vez, lembro que esta gente está relacionada com os sectores que não querem educação sexual nas escolas, e são as pessoas que querem gente com menos do ordenado mínimo (condições – como todos sabemos, ideais para uma educação sexual segura e infalível).

    Comentário por Manuel Neves — Fevereiro 13, 2008 @ 14:18

  5. uma mulher que tome a pílula sempre sem falhar tem uma probabilidade de 0,1-1% de engravidar

    a natureza tem destas coisas: parece que quem anda a chuva molha-se. caso a lotaria não lhe corra de feição acha-se no direito de tirar a vida dos outros.

    Comentário por Filipe Melo Sousa — Fevereiro 13, 2008 @ 14:29

  6. Caro Manuel Neves,

    “O João Luís Pinto acha que uma mluher que engravide contra a sua própria vontade só pode ser negligente.”

    Não tem que ser negligente, mas geralmente (corroborado pela sua própria estatística) selo-á.

    “Passo a explicar que uma mulher que tome a pílula sempre sem falhar tem uma probabilidade de 0,1-1% de engravidar (nos sites mais leigos é mais ou menos isto que vem. Ou seja, em mil mulheres plenamente capaz, que tomam regularmente a pílula, de uma a dez podem engravidar.”

    A sua estatística não está completa. Para essa gravidez acontecer, além de haver uma falha da pílula, o homem também não deverá estar a utilizar qualquer contraceptivo (lembre-se que, por exemplo, o uso do preservativo não se prende com razões exclusivamente de contracepção), e além disso a mulher também terá que estar fértil e haver fecundação. Ora parece-me que a sua avaliação só toma em conta o primeiro e terceiro factores.

    Já pensou também quais são os riscos estatísticos de um aborto?

    “O senhor João Luís Pinto, como é uma pessoa nobre, acha que estas mulheres devem ter o filho contra a sua vontade porque o senhor João Luís Pinto não quer pagar os seus abortos.”

    Não, o que eu digo é que existem todos os meios (concretamente também pagos pelos meus impostos) para que essa vontade seja expressa anteriormente à concepção, de modo a que nem sequer se ponha essa questão. Ora já basta pagar a precaução, para ainda ter que pagar os custos de quem se está a borrifar para ela.

    “A minha pergunta a esta gente é esta: quanto custa uma mulher?”

    Aparentemente, pelo que se pode ver pelos resultados da auto-avaliação (que estaria até naturalmente distorcida para cima) muito pouco. Longe de mim querer contrariar ou assumir o encargo de fazer essa avaliação.

    Pergunte isso a quem avalia o risco de desgraçar a sua própria vida, de aceitar esse tal risco de “infertilidade, infecção e morte”, por um valor muito inferior ao de fazer contracepção que, registe-se, é gratuita ou fortemente comparticipada.

    Quanto às suas considerações finais, dois comentários: o primeiro de que erra o alvo, já que não me oponho à educação sexual, somente criticando a “cartilha oficial” por onde será feita; a segunda, a de que antevejo da sua parte um artigo científico demolidor e apaixonante que correlacione o valor do salário mínimo com a educação sexual. Venha ele.

    Comentário por João Luís Pinto — Fevereiro 13, 2008 @ 14:48

  7. Antigamente não havia aborto porque sempre existiam muitos magalas a quem chamar pai.Agora o aborto é necessário porque além de já não haver magalas como no antigamente(pelo menos as queixas darão em nada) ainda pode vir um lindo mulatinho e o avô não gostar…

    Comentário por Miles — Fevereiro 13, 2008 @ 15:27

  8. Onde os senhores erram sempre, sempre, sempre o alvo é que uma mulher proibida de abortar legalmente…fá-lo-à clandestinamente. Não vai ter o filho, por muito que isso lhe custe. Portanto, se por asneira, se por negligência, prefiro sempre que o aborto seja legal. Mais, o senhor acha-se no direito de decidir quem foi negligente e quem não foi. Como? E se foram negligentes, é para castigar ou para tentar perceber o problema?
    “Para essa gravidez acontecer, além de haver uma falha da pílula, o homem também não deverá estar a utilizar qualquer contraceptivo (lembre-se que, por exemplo, o uso do preservativo não se prende com razões exclusivamente de contracepção), e além disso a mulher também terá que estar fértil e haver fecundação. Ora parece-me que a sua avaliação só toma em conta o primeiro e terceiro factores.”

    Para já, mesmo usando todos os meios e fins, há a hipótese de se engravidar. Como deve compreender, não tenho prazer nenhum em que as mulheres abortem e sou a favor de todas as medidas que façam com que toda a gente saiba as medidas que enunciou. Se vive no meu país, sabe que nem toda a gente as sabe. Nem tem condições de o saber (a meritocracia está viciada, meu caro, os portugueses que vivem com menos de um euro por dia têm menos hipóteses de ter a sua educação e de saber esses meios). Logo, é óbvio que isso vai acontecer. O facto do aborto ser legal, o que faz é que as mulheres que por azar ou por desconhecimento que engravidem, passem a ter a possibilidade de ter acompanhamento. Acompanhamento que o vão de escada – um mercado liberalizado, o capitalismo mais selvagem de todos – não dá. Portanto, das duas uma: ou não vive no meu país e não sabe que a educação sexual chega a todos, ou então acha que a maioria das mulheres são é loucas e gostam de arriscar, porque depois olha, aborta-se! Já vos ridicularizava muito bem o Ricardo Araújo Pereira: “Vou ao cinema. Tá esgotado, vou abortar.” Tenha vergonha.
    Pelo que leio aqui: “Pergunte isso a quem avalia o risco de desgraçar a sua própria vida, de aceitar esse tal risco de “infertilidade, infecção e morte”, por um valor muito inferior ao de fazer contracepção que, registe-se, é gratuita ou fortemente comparticipada.” – é a segunda hipótese. Acha que as mulheres são todas umas putas ou burras. É pena, eu até as considero mais interessantes.
    “já que não me oponho à educação sexual, somente criticando a “cartilha oficial” por onde será feita;” – estou certo que uma cartilha livre de preconceitos como a da genial Dra. Margarida Neto que inventou síndromes psiquiátricos que não vêm no DSM – IV em plena campanha será mais do seu agrado.

    “ntevejo da sua parte um artigo científico demolidor e apaixonante que correlacione o valor do salário mínimo com a educação sexual.” – A ironia é fraquinha e esperava mais. Não lhe vou dar nenhum artigo. Vou-lhe explicar como se tivesse 5 anos. Segundo o príncipio da abolição do salário mínimo porque há gente que pode querer trabalhar por menos (e também deve haver gente que quer trabalhar aos fins de semana, e que deve querer abdicar do 13º mês ou de qualquer direito social), faz com que essas pessoas fiquem muito limitadas em relação a, sei lá, educação e saúde. Não? Ou acha que viver com menos de 450 euros por mês possibilita maiores possibilidades de comprar livros e ter acessos a outros meios educativos?
    A não ser que seja muito, muito, muito, muito limitado, concordará que com menos de 450 euros, há maior probabilidade de desconhecimento de medidas de contracepção. Portanto não é preciso artigo nenhum. Chama-se senso comum.

    Quanto ao senhor Filipe Sousa: “parece que quem anda a chuva molha-se”. É um argumento próprio da matriz critã, isso da culpa e de querer que as pessoas não possam disfrutar de uma vida sexual sã e segura sem terem que ter gravidezes indesejadas. É um preconceitozinho. Mas até é dos mais normais deste blog, portanto está à vontade.

    Comentário por Manuel Neves — Fevereiro 13, 2008 @ 16:44

  9. Eu nunca deixei de desfrutar de seja o que for. Também nunca engravidei transitiva- ou intransitivamente. Nem nunca pedi a ninguém para fazer um aborto. E sou ateu lol

    Comentário por Filipe Melo Sousa — Fevereiro 13, 2008 @ 17:01

  10. Caro Manuel Neves,

    “Onde os senhores erram sempre, sempre, sempre o alvo é que uma mulher proibida de abortar legalmente…fá-lo-à clandestinamente.”

    Por essa lógica, não legitima criminalizar nada. Desde o aborto, à pedofilia, passando por um sem número de outros crimes.

    Também acha que é melhor legalizar (e comparticipar) o consumo de material pedófilo, para evitar que este seja feito na clandestinidade?

    “Para já, mesmo usando todos os meios e fins, há a hipótese de se engravidar.”

    O equívoco do caro começa por achar que eu sou contra o aborto, quando o assunto em discussão (pelo menos no que me referi no artigo) é tão somente o seu financiamento público.

    “os portugueses que vivem com menos de um euro por dia”

    Está a gozar, não está?

    Pois candidatem-se ao RSI (se existir algum nessa condição), pois então… não é essa a “sua” solução?

    “Portanto, das duas uma: ou não vive no meu país e não sabe que a educação sexual chega a todos, ou então acha que a maioria das mulheres são é loucas e gostam de arriscar, porque depois olha, aborta-se!”

    Acompanhe qual é que foi a evolução da penetração no mercado da pílula do dia seguinte, e depois venha-me contar histórias do género de que “a informação não chega”.

    “Acha que as mulheres são todas umas putas ou burras.”

    As palavras são suas. Não acho que exista nada no que eu escrevi que permita concluir algo em relação à minha posição em relação à auto-determinação e liberdade sexual das mulher ou às suas capacidades para lidar com a sexualidade.

    A mulher pode ser (e geralmente é) negligente conscientemente. Ainda acredita que haja alguém que ache que não corre o risco de engravidar se tiver relações desprotegidas?

    “A não ser que seja muito, muito, muito, muito limitado, concordará que com menos de 450 euros, há maior probabilidade de desconhecimento de medidas de contracepção.”

    Acho que a afirmação é tão absurda que fala por si.

    “Chama-se senso comum.”

    Esse mesmo “senso comum” ditaria que nos países ou estados em que não existe salário mínimo, todos os trabalhadores fossem escravos ou ganhassem zero. Já para não falar na calamidade que lá deve grassar de gravideses indesejadas…

    Comentário por João Luís Pinto — Fevereiro 13, 2008 @ 18:37

  11. Comparar o aborto à pedofilia é…sei lá, original. E absurda. Confesso que até tenho dificuldades em responder. Abortar em segurança significa que a mulher fica livre de complicações. A pedofilia implica um menor, já com outros direitos. Se acha que os direitos dos menores são os de um embrião, peça pena máxima – 20 aninhos! – para as mulheres que abortam (não vi este argumento na campanha, mas estou certo que há por aí gente assim).
    Depreendo que não é contra o aborto pela afirmação “O equívoco do caro começa por achar que eu sou contra o aborto”, portanto páro de discutir o assunto. Quanto ao financiamento público, passamos a outra discussão. Sou socialista, o senhor é liberal.

    ““os portugueses que vivem com menos de um euro por dia”

    Está a gozar, não está?

    Pois candidatem-se ao RSI (se existir algum nessa condição), pois então… não é essa a “sua” solução?”

    – O erro é meu, estava a falar de menos de 10 euros e não 1. Foi um erro mecânico, dislexia numérica, pelo qual peço imensa desculpa.
    Mesmo assim, estamos a falar de mais de dois milhões de portugueses com menos de 300 euros por mês. Ora, 300 euros por mês não dá para viver numa casa e comer carne todos os dias. Não percebo como é que estas pessoas pdoem ter acesso a meios educativos. Se me está a dizer que isto é culpa de haver ordenado mínimo, perdoe-me a ignorância, mas não chego mesmo lá.
    “Esse mesmo “senso comum” ditaria que nos países ou estados em que não existe salário mínimo, todos os trabalhadores fossem escravos ou ganhassem zero. Já para não falar na calamidade que lá deve grassar de gravideses indesejadas…” – nunca há uma totalidade de escravos, mas acha que ganhar 450 euros é o quê? Uma vida do caraças? Acha que há mesmo hipóteses de uma maioria de pessoas com 450 euros subir de classe? É óbvio que as gravidezes indesejadas surgem em maior número em classes mais pobres. E a diferença entre classes vai acabar com o fim do ordenado mínimo? O senhor defende um sistema que vive da diferença entre classes, portanto…

    A frase das putas e das burras vem daqui: “Ora já basta pagar a precaução, para ainda ter que pagar os custos de quem se está a borrifar para ela.”.

    Cumprimentos, Manuel Neves

    Comentário por Manuel Neves — Fevereiro 13, 2008 @ 20:06

  12. MN: “Onde os senhores erram sempre, sempre, sempre o alvo é que uma mulher proibida de abortar legalmente…fá-lo-à clandestinamente.”

    JLP: “Por essa lógica, não legitima criminalizar nada. Desde o aborto, à pedofilia, passando por um sem número de outros crimes.
    Também acha que é melhor legalizar (e comparticipar) o consumo de material pedófilo, para evitar que este seja feito na clandestinidade?”

    MN: “Comparar o aborto à pedofilia é…sei lá, original. E absurda. Confesso que até tenho dificuldades em responder. Abortar em segurança significa que a mulher fica livre de complicações. A pedofilia implica um menor, já com outros direitos.”

    Extraordinária argumentação. Fico na dúvida se MN será apenas um caso de má fé ou se não foi mesmo capaz de perceber o que o JLP escreveu…

    Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 13, 2008 @ 20:31

  13. “A pedofilia implica um menor, já com outros direitos. Se acha que os direitos dos menores são os de um embrião, peça pena máxima – 20 aninhos! – para as mulheres que abortam”

    Ergo: ou pena máxima (os tais – supostos – “20 aninhos”) ou nada. E de preferência subsidiado pelos contribuintes e efectuado no SNS.

    Brilhante…

    Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 13, 2008 @ 20:33

  14. Desculpem lá mas eu também não concordo em pagar porque alguém quer mandar na barriga dela , principalmente quando não fui eu responsável!!!!!!(Se fosse ainda ao menos não perdia tudo…)

    Comentário por Miles — Fevereiro 13, 2008 @ 22:06

  15. Bem, então vamos voltar à mesma discussão. Foda-se, se eu não fumo tenho que andar a pagar os tratamentos dos fumadores? Se eu não conduzo tenho que andar a pagar as custas dos gajos que se espetam com os carros? Ah, e tal, quem anda à chuva molha-se. É interessante ler certos e determinados indivíduos a defender uma coisa na discussão sobre a lei do tabaco e outra nesta discussão. Também é interessante que ninguém note que o cerne da questão do aborto se centra à volta da questão do embrião e dos seus direitos. E enquanto não se resolver essa questão a discussão não terá fim. Daqui a 100 anos, talvez.

    Comentário por Pedro Sousa — Fevereiro 14, 2008 @ 04:37

  16. Caro João Luís Pinto

    Em primeiro lugar gostava de lhe agradecer por se dignar a responder ao s comentários que escrevemos, prática não seguida por alguns ‘posteadores’ do Insurgente que só gostam de provocar e que nem se dignam a responder a quem faz o favor de lhe ler a prosa, e que naturalmente reage sem ser insultuoso. (nomeadamente um cujo nome inclui a primeira letra do alfabeto em triplicado!)
    Voltando à questão:

    O João Luís Pinto no seu texto diz claramente que a responsabilidade de uma gravidez indesejada é da mulher que devería ter tomado as devidas percauções disponíveis gratuitamente (pagas com os seus impostos). Pois bem, também disponíveis gratuitamente são os contracéptivos masculinos.
    Mais abaixo ou acima nos comentários fala-se de probabilidades de ocorrer fecundação e apresenta-se o número 1% em relação à eficiência da pílula.
    Segundo consta a eficiência do preservativo é da mesma grandeza.
    Pois bem. Se bem me lembro das aulas de probabilidades, estes dois números vão multiplicar-se de modo a dar a probabilidade conjunta dos métodos em questão, ou seja 0,01%. Com números destes, acho que se justifica bem a questão da partilha de responsabilidade.
    Por que há uma questão muito importante em todas estas discussões que raramente eu vejo discutidas com um décimo do fervor que é a questão da educação sexual (não gosto da designação, pois acho-a limitativa) das crianças e jovens.
    Há cerca de 7 anos um familiar meu realizou um inquérito, numa escola da periferia de lisboa, acerca dos hábitos e conhecimentos dos alunos em relação aos métodos contracéptivos. Um resultado que me surpreendeu foi o de uma percentagem significativa acreditar que a primeira relação sexual era imune à gravidez e que fazer sexo na vertical também.
    Não posso generalizar, mas acredito que o cenário até pode ser mais negro. Isto somado a uma sociedade em que o sexo é omnipresente.
    E há ainda que contar com os movimentos que bloqueiam toda e qualquer tentativa de mudar este cenário, nomeadamente a Igreja Católica (e não só) com a sua retórica anti-contracepção.

    Dou-vos o exemplo do contrário: a Roménia. Parece que a prática no país é ter filhos para os ‘dar’ ao estado para cuidar. POlitica incentivada desde a era comunista que pressiste com números assustadores.

    Os números dos abortos realizados pelo estado ficaram aquém das espectativas! Isso até é bom, pois mostra que a prática não é assim tão generalizada.

    E finalmente, há a questão do Género.
    Há nesta argumentação toda um cheiro que tresanda a machismo não resolvido.
    Uma mulher por estar grávida perde direitos!
    Não tenho a mínima dúvida que a nova moda de domínio da mulher pelo homem, se faz hoje em dia através da maternidade.

    Comentário por Daniel Azevedo — Fevereiro 14, 2008 @ 08:53

  17. Caro Pedro Sousa,

    “Bem, então vamos voltar à mesma discussão. Foda-se, se eu não fumo tenho que andar a pagar os tratamentos dos fumadores?”

    Há bastante tempo que os fumadores, pelo facto de o serem, são contribuintes líquidos para o orçamento de estado.

    Comentário por João Luís Pinto — Fevereiro 14, 2008 @ 13:17

  18. Caro Daniel Azevedo,

    “Com números destes, acho que se justifica bem a questão da partilha de responsabilidade.”

    Eu não digo que não. É do interesse de todos que essa responsabilidade seja partilhada, e tal deverá ser tão somente normal numa relação que se qualifique como normal. Em nenhum lado me vê apelar a que desresponsabilização do homem seja moralmente defensável ou que deva ser um comportamento aceite (apesar de a própria lei motivar que assim seja).

    O que eu digo é tão-somente que a responsabilidade da mulher é acrescida pelo facto de ser ela quem potencialmente arca com as consequências de a coisa correr mal, e de a sua actuação autónoma (gratuita e paga pelos meus impostos) ser suficiente para eliminar o seu risco pessoal potencial. Tão simples como isto.

    “Por que há uma questão muito importante em todas estas discussões que raramente eu vejo discutidas com um décimo do fervor que é a questão da educação sexual (não gosto da designação, pois acho-a limitativa) das crianças e jovens.”

    “Por que há uma questão muito importante em todas estas discussões que raramente eu vejo discutidas com um décimo do fervor que é a questão da educação sexual (não gosto da designação, pois acho-a limitativa) das crianças e jovens.”

    O problema é que essa é uma questão mais vasta, e que se insere na questão de qual deve ser o papel do estado nos curricula escolares, e como se acautela a vontade e os direitos educativos dos pais sobre os filhos. Não acho que possa ou deva ser tratada como uma questão autónoma. Já, por exemplo, não teria nada a opor (no presente cenário de financiamento público da contracepção) a que houvesse distribuição de contraceptivos nas escolas, e gabinetes de aconselhamento para a sexualidade.

    “Os números dos abortos realizados pelo estado ficaram aquém das espectativas!”

    Isso depende muito de quem marca as espectativas…

    Comentário por João Luís Pinto — Fevereiro 14, 2008 @ 13:31

  19. [...] O João Luís Pinto acha que uma mluher que engravide contra a sua própria vontade só pode ser negligente. Passo a explicar que uma mulher que tome a pílula sempre sem falhar tem uma probabilidade de 0,1-1% de engravidar (nos sites mais leigos é mais ou menos isto que vem. Ou seja, em mil mulheres plenamente capaz, que tomam regularmente a pílula, de uma a dez podem engravidar. O senhor João Luís Pinto, como é uma pessoa nobre, acha que estas mulheres devem ter o filho contra a sua vontade porque o senhor João Luís Pinto não quer pagar os seus abortos. Prefere assim, empurrá-las para a ilegalidade, para os riscos de infertilidade, infecção e morte. A minha pergunta a esta gente é esta: quanto custa uma mulher? Quanto é que é muito? O que é pagar muito para uma mulher não ter os riscos? A mulher, a filha, a prima, a amiga do senhor João Luís Pinto tem preço? Gostaríamos de saber quanto. Outra e outra vez, lembro que esta gente está relacionada com os sectores que não querem educação sexual nas escolas, e são as pessoas que querem gente com menos do ordenado mínimo (condições – como todos sabemos, ideais para uma educação sexual segura e infalível). [...]

    Pingback por Depois da idiotice, a ignorância enquanto ponto de vista | charleslepierre — Fevereiro 16, 2008 @ 13:38

  20. São diversos os tais intelectuais, sabeis com as palavras e corretos com pontos e virgulas. aprezentam suas teorias e probabilidades mas, em meio tanta discusão penso eu o seguinte; aprovado ou não estas tais leis, em um futuro próximo iremos ver a briga entre os grandes de nosso país pela aprovacão de mais uma SPI a do desvio de verbas destinadas aos abortos.

    Comentário por vanderson de vasconcelos — Março 20, 2008 @ 13:40


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