Até Janeiro de 1908, não houve presos políticos. Nesse mês, uma tentativa falhada de golpe de estado, a 28, concluiu com a captura dos principais conspiradores. O governo, com o consentimento do rei, tentou poupá-los a penas de prisão, preferindo expulsá-los simplesmente do país.
Teria o atentado provocado mais repressão? Talvez não. Os assassinos do dia 1 de Fevereiro pertenciam a um dos grupos organizados e armados com vista ao golpe de 28 de Janeiro. Os conspiradores presos e identificados eram uma mistura de políticos da monarquia e líderes do Partido Republicano. Ora, é significativo que a imprensa governamental, no dia seguinte ao regicídio, em vez de os acusar, tivesse preferido culpar vagos “anarquistas”, contribuindo assim para a ideia de que se tratara de uma iniciativa isolada de uns quantos exaltados. No caso de o rei ter sobrevivido, a atitude teria sido provavelmente a mesma. Era o que mais convinha aos objectivos políticos de D. Carlos e Franco. O rei tinha o sentido da autoridade e João Franco um estilo autoritário, mas isso era muito diferente de uma concepção autoritária do estado. Ambos haviam sido educados na cultura liberal então predominante na Europa. E o que estavam a tentar fazer era viabilizar a monarquia constitucional, e não criar um regime novo.
(…)
Deste modo, a sobrevivência de D. Carlos teria sido provavelmente a sobrevivência da monarquia. E nesse caso, nada haveria para lembrar este ano, nem para comemorar em 1910. Portugal teria tido menos algumas efemérides. Mas como George Eliot lembrou uma vez, as nações felizes têm pouca história.
Fevereiro 1, 2008
D. Carlos vivo!
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