A morte de África. Por MCB.
Depois, com as independências de Angola e Moçambique, a culpa pelos desastres humanitários e guerras civis naqueles dois territórios foi imputada a “agentes a soldo do Apartheid”. A Rodésia acabou e o apartheid estatelou-se. A África parecia pronta para o grande salto. Já não havia desculpas, pois que a Guerra Fria tinha terminado e o alinhamento perdera sentido. Foi nesse preciso instante que a calamidade se precipitou sobre outras pérolas exemplares de uma África progressiva e próspera. A Libéria regressou à lei da selva, a Serra Leoa implodiu, os Camarões assistiram à radical supressão das boas práticas britânicas, o Ruanda e o Burundi assistiram a escabroso genocídio e o governo da maioria no Zimbabwe conseguiu a proeza de transformar o celeiro do continente em mendigo da ajuda internacional. Restava o Quénia. Acabou em tragédia. Que desculpas encontrarão agora ?
O problema de África, diga-se sem rebuço, não é de natureza “racial”: é um problema de impreparação absoluta. Manter a ilusão da paridade dos agentes da comunidade internacional, fingindo, escamoteando, ludibriando os factos é aceitar que a vida de um negro tem menos valor que a vida de um branco, que um genocídio em África tem mais atenuantes que uma prisão arbitrária na Europa, que um governante africano pode roubar, trucidar e espezinhar a lei e os direitos dos seus concidadãos quando sobre um governante europeu acusado de tráfico de influências deve precipitar a memoria damnata.
No caso de Portugal o problema foi mesmo racial.Foi uma autêntica limpeza étnica.Julgaram que bastava ficar com as propriedades dos brancos para seguirem felizes em frente.Claro que contaram com os habituais aliados de sempre, os anti-colonialistas,anti-fascistas,etc que agora face ao falhanço das independências são os mesmos que nos obrigam a pagar a recepção,alojamento e subsistência de muitos milhares que só cegos não vêm daqueles que um dia nos expulsaram.Nada de reciprocidade.Só fazer o bem, afundando ambas as partes.
Ainda bem que o Cravinho (filho) finalmente “entrega” a guiné aos franceses.È que durante muito tempo esses esclarecidos governantes andaram a pensar que tinham uma área de “influência”, quando afinal chegam à conclusão que era só para “despesa”…
O que tem que PARAR e de vez é essa ideia peregrina da atribuição de NACIONALIDADE por benemerência.Haja vergonha.Não nos quiseram.Nunca demonstraram qualquer sinal de arrependimentoe corecção das medidas discriminatórias contra os expulsos, logo porque raio temos que dar a outra face recebendo e nacionalizando centenas de milhar que só nos vêm complicar a vida?
Comentário por Miles — Janeiro 19, 2008 @ 10:06
Partilho plenamente o sentido do texto do MCB. Apenas acho o titulo, “A morte de Africa” algo exagerado. Compreendo-o como um efeito de estilo.
Compreendo e concordo sem reservas com a denuncia e a indignação do Miles perante o que fizeram os “anti-colonialistas”, pretos e brancos, os dirigentes dos movimentos ditos de “libertação” e os cumplices e instigadores “progressistas” das “metropoles” !!…
Não compreendo e não concordo com represalias contra pessoas originarias desses paises, pretos ou brancos, comprometidos ou inocentes, que vieram e se instalaram em Portugal, construiram uma vida e aceitaram as leis e as regras do pais de acolhimento. Apenas pelo facto de virem de paises onde foram cometidos desmandos e injustiças, por mais graves e inaceitaveis que fossem, contra portugueses ? Antes pelo contrario, acho que se houver uma discriminação a fazer ela deve ser positiva em relação a populações que vieram de territorios anteriormente portugueses, que também sofreram as consequências da “descolonização”, que falam portugues, que escolheram Portugal para fugir da miséria, da violencia, do sub-desenvolvimento.
Significa isto que a nacionalidade portuguesa deva ser dada sem restrições nem critérios ? De maneira nenhuma. A nacionalidade deve obedecer a critérios exigentes e ter em conta a necessidade de controlar os fluxos migratorios e preservar a identidade nacional. Mas não deve ser um meio para ajustar contas sobre uma fase triste da nossa historia recente à custa de pessoas que em geral não tem sequer qualquer responsabilidade individual no que se passou ! Seria injusto, imoral, contrario aos valores humanistas e tolerantes que foram precisamente espezinhados pela “descolonização” e que devem estar na base das criticas e das denuncias ao que então e depois se passou naqueles territorios !
Comentário por Fernando S — Janeiro 20, 2008 @ 17:21
Números para 2009, dados do FMI e da UE: PIB de Cabo Verde, 6%. PIB Portugal, -1,6%. Eis um oásis. Tenham esperança!
Comentário por Amílcar Tavares — Fevereiro 3, 2009 @ 00:30
[...] Arquivar em: Economia, Internacional, Política — André Azevedo Alves @ 9:00 pm Comentário de Amílcar Tavares ao post A tragédia africana: Números para 2009, dados do FMI e da UE: PIB de [...]
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