O Insurgente

Janeiro 16, 2008

Dores de parto

Filed under: Comentário,Política,Portugal — BZ @ 14:56

Correio da Manhã:

A cidade de Chaves vai dispor em 2009 de um novo hospital privado no concelho. O bloco de partos local foi encerrado [há] menos de um mês e estima-se que a nova unidade hospitalar disponibilize serviços de maternidade e urgências 24h por dia.

Será que o Estado vai devolver aos cidadãos de Chaves os impostos de forma a que lhes seja permitido escolher o melhor serviço de saúde? Público… ou privado!

11 Comentários »

  1. Não é “à menos”, mas “há menos”. Sei que a culpa é do CM, mas corrijam isso na mesma, que fica mal.

    cumps

    Comentário por LPedroMachado — Janeiro 16, 2008 @ 15:13

  2. LPedroMachado, obrigado pelo comentário.

    Corrigido!

    Comentário por BZ — Janeiro 16, 2008 @ 15:27

  3. É fácil haver um hospital privado. O difícil é haver um hospital privado de boa qualidade.

    A maternidade de Chaves foi encerrrada porque, com muito poucos partos, não era rentável manter nela todos os serviços especializados que permitem ter uma maternidade segura. Não estou bem a ver como é que um hospital privado vai resolver este problema. Provavelmente será aberta uma maternidade privada tão ou mais insegura do que a maternidade pública que lá estava antes.

    Não se trata de uma questão público vs. privado, trata-se de uma questão de qualidade e segurança médica vs. custos.

    Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 16, 2008 @ 16:30

  4. “Não se trata de uma questão público vs. privado, trata-se de uma questão de qualidade e segurança médica vs. custos.”

    E que tal deixar a população de Chaves escolher?

    Comentário por BZ — Janeiro 16, 2008 @ 16:52

  5. BZ, claro que a população de Chaves poderá escolher, mas duvido que a sua escolha vá ser a melhor para ela.

    Aqui no meu serviço tenho uma secretária cuja mãe morreu ao dar à luz a irmã mais nova. Porque tinha um seguro de saúde que a obrigava a recorrer a determinado hospital privado. Foi lá para dar à luz, teve complicações, evacuaram-na de urgência para a maternidade Alfredo da Costa – os hospitais privados são assim: quando a coisa dá para o torto mandam o doente para o hospital público, o qual tem invariavelmente muito melhores condições – e ela chegou lá já morta.

    Comentário por Luís Lavoura — Janeiro 16, 2008 @ 17:27

  6. «A maternidade de Chaves foi encerrrada porque, com muito poucos partos, não era rentável manter nela todos os serviços especializados que permitem ter uma maternidade segura.»,
    Luís Lavoura, 16 de Janeiro de 2008 às 4:30 pm

    Economicismo. Análise fria dos números. Falta de humanismo. Falta de sensibilidade. Obsessão por critérios de rendibilidade.

    Mas estes não eram os alegados defeitos da saúde privada que a criação do serviço nacional de saúde vinha eliminar ? Quando se argumenta com a qualidade e a segurança médica, em função do número de partos, estão a ser considerados os riscos inerentes ao transporte de grávidas, em função da distância-tempo que é necessário percorrer para chegar às maternidades alternativas ? Ou o risco que alegadamente se elimina com o encerramento estará a ser substituído por um risco maior, o do transporte ?
    Como deve ser bom gerir um negócio em que se reduzem as características da oferta (encerramento de serviços) sem se ficar sujeito a perdas de receitas (asseguradas pelos impostos).

    Comentário por AS — Janeiro 16, 2008 @ 18:08

  7. «A maternidade de Chaves foi encerrrada …», Luís Lavoura, 16 de Janeiro de 2008 às 4:30 pm

    Tal como outras em vários pontos do país. E os impostos vão descer em conformidade ?

    Comentário por AS — Janeiro 16, 2008 @ 18:09

  8. “BZ, claro que a população de Chaves poderá escolher, mas duvido que a sua escolha vá ser a melhor para ela.”
    Luís Lavoura

    A população não pode escolher porque o Estado retira-lhes, através dos impostos, essa alternativa. E as suas dúvidas sobre a eficácia da escolha dos cidadãos não deveriam ser relevantes para esta discussão. Só o é porque outros, tal como o Luís, julgam saber o que é melhor para cada um de nós e, por isso, retiram-nos a liberdade de escolha através da cobrança de impostos.

    “Aqui no meu serviço tenho uma secretária cuja mãe morreu ao dar à luz a irmã mais nova. Porque tinha um seguro de saúde que a obrigava a recorrer a determinado hospital privado.”

    Duvido que o seguro de saúde tivesse tal obrigação. A mãe da sua secretária podia escolher ser atendida na maternidade pública, não tendo a seguradora de pagar qualquer reembolso.

    Comentário por BZ — Janeiro 16, 2008 @ 18:59

  9. Talvez as flavienses não sejam burras de carga e cumpram o que prometeram na cidade: ir a Espanha. E mandar parir o ministro da Saúde…

    Comentário por nem estranho não estranhar — Janeiro 16, 2008 @ 21:57

  10. BZ

    Não é só através dos impostos que o Estado retira aos flavienses a possibilidade de escolher. Retira-lha dum modo mais directo, eliminando uma das alternativas.

    O serviço público vai fechar porque não pode manter, sem défice, todos os serviços necessários à segurança das parturientes. O serviço privado, que também não pode manter esses serviços, vai abrir porque se está nas tintas: se as parturientes morrerem, que morram, que não vai haver ali ao lado outra empresa concorrente que ofereça mais segurança.

    Quanto aos nossos impostos, para já não falar dos impostos dos flavienses, é claro que não vão ser reduzidos: é necessário que se mantenham elevados para financiar o RMG (Rendimento Máximo Garantido) de que beneficiam as seguradoras e os operadores médicos privados.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Janeiro 17, 2008 @ 00:07

  11. BZ:
    Há seguros de saúde que incluem nos contratos cláusulas limitativas dos estabelecimentos de saúde que o segurado pode escolher. E como os contratos são de adesão – isto é, nenhum candidato a segurado pode negociar o clausulado; e como as companhias funcionam em cartel, o resultado é que pelo menos no que respeita a saúde o «privado» limita muito mias do que o «público» a liberdade das pessoas.

    As únicas coisas que o privado oferece melhor que o público são a rapidez e o conforto. E isto é assim porque estes são os dois aspectos em que é mais fácil, a quem trabalha nos dois sistemas, sabotar um deles.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Janeiro 17, 2008 @ 00:17


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