O Insurgente

Dezembro 19, 2007

O salário mínimo causa desemprego

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 01:57

Entendimento mínimo. Por Migas.

Não deixa de ser irónico que as mesmas pessoas que mais se manifestam pelo aumento do salário mínimo, acabam mais tarde a manifestar-se contra o encerramento de fábricas cuja viabilidade perdeu-se com o aumento dos custos de produção; algo que ocorre, em parte, porque os salários aumentam mais depressa que a produtividade. Ou que se admiram pelo declínio e desertificação do interior. Mas há sempre uma mensagem de esperança e conforto para aquelas senhoras cuja fábrica têxtil acabou de fechar, não havendo mais nenhuma alternativa de trabalho na terra. Diz o “bom esquerdista”: «Deixe lá, camarada. Ao menos vai deixar a escravatura. Acabou-se a exploração.»

22 Comentários »

  1. Uma explicação mais cínica é que o salário mínimo aumenta o valor do trabalho mais especializado (que constitui a clientela principal dos sindicatos…)

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 08:49

  2. E se causar desemprego, qual é o problema? Do que as pessoas precisam não é tanto um emprego, mas sim de um rendimento assegurado – que lhes permita, entre outras coisas, só aceitar empregos que sejam decentemente remunerados e não destruam a alma.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 10:19

  3. “E se causar desemprego, qual é o problema? Do que as pessoas precisam não é tanto um emprego, mas sim de um rendimento assegurado – que lhes permita, entre outras coisas, só aceitar empregos que sejam decentemente remunerados e não destruam a alma.”

    Boa piada. Você quer proibir alguém sob ameaça, de trabalhar quando de livre contade trabalharia?

    Isso é um humanista? Você julga-se Deus?

    Comentário por CN — Dezembro 19, 2007 @ 10:25

  4. Não. Mas também não quero obrigar as pessoas, sob ameaça, a trabalhar quando de livre vontade fariam outra coisa.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 11:16

  5. [Do que as pessoas precisam não é tanto um emprego, mas sim de um rendimento assegurado - que lhes permita, entre outras coisas, só aceitar empregos que sejam decentemente remunerados]

    Se tiver um rendimento assegurado, qual é o meu incentivo para trabalhar? E se toda a gente deixar de trabalhar à espera desse tal emprego bestial que alguém vai criar à sua medida!?

    E o que é um emprego “decentemente renumerado”, ser director do BCP!? Ah, ser “chefe”… o sonho de todo o português…

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 11:25

  6. Se tiver um rendimento assegurado, o seu incentivo para trabalhar é um rendimento mais alto.

    Se toda a gente deixar de trabalhar, a maior parte das pessoas estará tão entediada ao fim do primeiro mês que procurará alguma coisa para fazer, nem que seja à borla.

    Um emprego decentemente remunerado é um que dê para a renda da casa, para os transportes, para a comida, para o aquecimento e para a roupa.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 11:33

  7. [Se tiver um rendimento assegurado, o seu incentivo para trabalhar é um rendimento mais alto.]

    Pois claro. Se estiver a ganhar X sem fazer nada, se puder ganhar 1,1X a trabalhar vou logo trabalhar.

    [Se toda a gente deixar de trabalhar, a maior parte das pessoas estará tão entediada ao fim do primeiro mês que procurará alguma coisa para fazer, nem que seja à borla.]

    Afinal as pessoas trabalham porque estão entediadas. Boa.

    [Um emprego decentemente remunerado é um que dê para a renda da casa, para os transportes, para a comida, para o aquecimento e para a roupa.]

    Qual é então a finalidade do salário mínimo, uma vez que não chega nem para metade disso!? Ou dvia legislar-se o salário mínimo nos 1.000 euros??

    Quanto à destruição da alma, não sei de nada mais destrutivo para a alma do que querer/precisar de trabalhar e não poder…

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 11:41

  8. Não. Mas também não quero obrigar as pessoas, sob ameaça, a trabalhar quando de livre vontade fariam outra coisa.

    E essa ameaça vem da realidade, presumo. Essa reaccionária opressiva, fássista de extrema-direita.

    Comentário por Migas — Dezembro 19, 2007 @ 11:46

  9. Façamos um thought experiment. O governo acaba com o subsídio de desemprego e com o rendimento social de inserção. Em vez disso distribui ua dada renda (por exemplo 500 € mensais) por todos os cidadãos, quer estejam empregados, quer não, quer ganhem muito, quer pouco, quer sejam ricos, quer pobres.

    Primeira observação: o incentivo para trabalhar manter-se-á.

    Para financiar esta renda, o governo recorre ao orçamento de estado. Para não aumentar o défice, recorre por um lado à abolição já referida de prestações sociais, e por outro a um grande aumento no IRS, que se torna muito mais progressional e para o qual contam os tais 500 €.

    Para não destruir a competitividade fiscal, reduz para 0% a taxa de IRC e acaba com a maior parte dos impostos sobre o consumo, ou redu-los significativamente. É claro que assim tem que aumentar ainda mais o IRS, mas não faz mal porque o dinheiro no bolso das pessoas não diminui.

    Pergunta # 1: será que as pessoas iam deixar de trabalhar?
    Pergunta # 2: será que as empresas iam à falência?
    Pergunta # 3: se os outros países seguissem este exemplo, quais seriam as consequências para a economia mundial?
    Pergunta # 4: se o não seguissem, que medidas proteccionistas poderiam ser tomadas para não inviabilizar a experiência?

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 11:52

  10. «E essa ameaça vem da realidade, presumo. Essa reaccionária opressiva, fássista de extrema-direita.»

    Essa ameaça vem do desequilíbrio de poder político entre os empregadores e os empregados.

    Ao fim de 200 anos de evolução tecnológica já é materialmente possível que cada um só trabalhe se quiser e no que quiser. »Materialmente possível», porém, não é a mesma coisa que «politicamente possível». O que é preciso mudar é a relação de poder.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 12:00

  11. “Ao fim de 200 anos de evolução tecnológica já é materialmente possível que cada um só trabalhe se quiser e no que quiser.”

    Mai’ nada! Liberdade de escolha acima de tudo!

    Só não compreendo, então, como pode continuar a defender a hiper-regulação e intervencionismo estatal no mercado de trabalho…

    Comentário por LA — Dezembro 19, 2007 @ 12:10

  12. [Pergunta # 1: será que as pessoas iam deixar de trabalhar?]

    Iam trabalhar muito menos.

    [Pergunta # 2: será que as empresas iam à falência?]

    Em Portugal a maior parte. Na proporção da dependência em mão de obra não especializada.

    [Pergunta # 3: se os outros países seguissem este exemplo, quais seriam as consequências para a economia mundial?]

    Catastróficas. Se dessem 500 euros a cada chinês iriam todos comer lotus…

    [Pergunta # 4: se o não seguissem, que medidas proteccionistas poderiam ser tomadas para não inviabilizar a experiência?]

    Esta não percebi. De qualquer forma a realidade rapidamente se encarregaria por si própria de inviabilizar a experiência.

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 12:23

  13. Já agora explique-me uma coisa:

    Por um lado as pessoas só devem ir para empregos bestiais com bons ordenados (quem recolhe o lixo, limpa as escadas, etc?), por outro até trabalham à borla porque ficam entediadas. Não vê nenhuma contradição?

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 12:27

  14. [Pergunta # 1: será que as pessoas iam deixar de trabalhar?]

    O efeito principal seria desvalorizar o valor do dinheiro. Tremo só de pensar no efeito inflácionário.

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 12:30

  15. [[Pergunta # 3: se os outros países seguissem este exemplo, quais seriam as consequências para a economia mundial?]

    Catastróficas. Se dessem 500 euros a cada chinês iriam todos comer lotus…]

    No curtíssimo prazo, claro. Em pouco tempo a economia colapsava.

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 12:32

  16. A bottom line é que o valor dos ordenados é determinado pelo mercado, não pode ser legislado. Se quer melhores ordenados é preciso aumentar a produtividade.

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 12:34

  17. lol, lembrei-me de outra. 500 euros a cada chinês dá quase o valor do PIB da China…

    Comentário por Luis Oliveira — Dezembro 19, 2007 @ 13:19

  18. «Por um lado as pessoas só devem ir para empregos bestiais com bons ordenados (quem recolhe o lixo, limpa as escadas, etc?), por outro até trabalham à borla porque ficam entediadas. Não vê nenhuma contradição?»

    Não há contradição nenhuma. Se o rendimento se tornasse parcialmente independente do trabalho, os trabalhos interessantes passariam a ser mal pagos ou não pagos (as pessoas fá-los-iam para não se entediarem) enquanto os trabalhos mais penosos seriam muito bem pagos (as pessoas só os fariam pelo dinheiro extra).

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 20:04

  19. «Só não compreendo, então, como pode continuar a defender a hiper-regulação e intervencionismo estatal no mercado de trabalho…»

    Não defendo a hiper-regulação: defendo a regulação que for razoável. Não defendo o intervencionismo: defendo a intervenção que for necessária.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 20:35

  20. E quão omnisciente se tem de ser para conseguir definir essa “necessidade”? Terá noção da vastidão da acção humana ou prefere delegar essa medição noutros humanos mais omniscientes?
    Sempre lhe digo, que eu, mero mortal, não tenho tais capacidades nem as vislumbro nos restantes membros da raça humana.
    Mas temos sempre os Reptilianos…

    Comentário por LA — Dezembro 19, 2007 @ 23:23

  21. Como essa necessidade não se pode definir em absoluto – ninguém sabe o suficiente para tanto – terá que ir sendo definida caso a caso, e cada definição terá que ser corrigida sempre que se revele errada.

    Não delego essa definição noutros humanos mais omniscientes porque não há humanos mais omniscientes do que outros: ou se é omnisciente, ou não se é. Eu não sou, e não acho provável que alguém seja.

    Delego a medição, sim, noutros humanos mais cientes. Por tentativa e erro vamos lá…

    Comentário por José Luiz Sarmento — Dezembro 19, 2007 @ 23:50

  22. José Luiz Sarmento:
    “Delego a medição, sim, noutros humanos mais cientes. Por tentativa e erro vamos lá…”

    Quem decide delegar também é um dos humanos mais cientes? Mas para eleger um Governo não se excluem os eleitores menos cientes…

    E, mesmo que sejam eleitos humanos mais cientes, quem paga, entretanto, pelos erros…

    Comentário por BZ — Dezembro 20, 2007 @ 12:41


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